Poesia Contemporânea: 10 Poemas Sobre Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma campanha que surgiu em 2014 que busca fomentar espaços de discussão sobre o comportamento suicida em todo o território brasileiro e também conscientizar a população geral sobre a ocorrência de suicídios e nos meios possíveis e mais adequados para a sua prevenção.

Durante todo o mês, a sociedade se une para debater saúde mental e para relembrar a importância de saber reconhecer sinais de comportamento depressivo ou suicida em familiares e amigos.

Durante o Mês de Setembro o Toma Aí Um Poema, também apoiou a campanha!


Nina Arcaelo  – Não Espere  Setembro Chegar

 

Janeiro, fevereiro

Março, abril

Maio, junho

Julho, agosto

E tu esperas setembro chegar

Pra perguntar

Se teu amigo tá bem?

Pra aparentar

Que se importa com a saúde mental de outrém?

Pra disfarçar

Uma falta de afeto e desdém?

 

Todo mundo quer sumir um pouquinho

E as vezes é muito bom mesmo

Mas também é bom tirar um tempinho

Pra mostrar um afeto, um carinho

Com quem só quer paz e respeito

E pode precisar de ti

Pra recomeçar

 

Pare pra pensar, se coloque no lugar

A pessoa pode ter ficado sem jeito

De te pedir pra lhe ajudar

Foram meses em desespero

E ela não queria te preocupar

Só queria um aconchego

Mas não tinha forças pra falar

Então, acolha em tempo

Não espere setembro chegar


Julia Monteiro  – Girassol

 

Com todas as pressas do mundo moderno

 E mesmo que a paz pareça distante

 O tempo resolve tudo adiante

 Com serenidade e um abraço fraterno

 

 Até o girassol se recolhe no inverno 

 Olhar para dentro por mais que um instante

 Há de trazer compreensão confiante

 Que nem mesmo o pesar irá ser eterno

 

Lutar com coragem contra as sombras da mente 

Ainda que a dor pareça insistente 

Entender que a fuga não é a saída

 

Ao cultivar novamente o girassol do jardim

Sentirá a primavera que chega e enfim

Voltará a enxergar as cores da vida


Jaime Jr. – Não deixe-me ficar sem você: uma Ode a vida!

 

Nas noites em que o choro é abafado no travesseiro

E as lágrimas se misturam com a água do chuveiro

Cada minuto que se passa traz consigo o seu torpor

A existência é em si um momento de intensa dor

 

As palavras são vazias e nada mais faz sentido

O interior está todo oco e precisa ser preenchido

Justamente nessa hora de lamento e solidão

Faz diferença um ombro amigo, de alguém que estenda a mão

 

Não é preciso nenhuma palavras nesse momento

Não se deve tentar achar culpado ou fazer julgamento

É hora do olhar acolhedor que diz: vem cá, me abraça!

E de maneira silenciosa mostrar que a vida é bela e que tudo isso passa.


Heu Lena – revelação

 

meter as unhas na carne

rasgar inteiro o meu peito

expor bem pelado e indecente

esse coração vermelho incandescente

pra que vejam como sou

 

como sou?

 

pra que eu veja a minha alma

escancarar bem a boca

virar a cara no avesso

sair do meu calabouço

descobrir o meu começo

e saber qual é meu fim

 


Beatriz Oliveira – Re(d/t)enção

Quando eu chorar
Cachoeira não vai ser suficiente
Inundação vai ser rio pequeno,
Mar aberto mar morto,
E saudade só uma lembrança

Se eu chorar,
Espero que seja de esperança.

 


Camila Lauar – Prefácio (A Rainha Louca)

Estou terminando um livro
Que fala sobre minha aventura
Lutando contra o suicídio
De forma muito madura

Há um caos na minha fala
E uma angustia na minha redenção
É difícil ficar em paz
Lidando com a ilusão

Nada mais faz sentido
E eu não sinto felicidade
Aproximar-me dos meus sonhos
Machuca-me com crueldade

Desisto antes de começar
Não vou mais adiante
Essa poesia me leva para um lugar
Que me é muito distante

Mas chora o coração
E arrebenta as amarras
Que restringem o meu amor
Para a arte que algazarra

Profunda eu me torno
E demonstro em meus versos
A devoção que tenho pela literatura
E pelos sentimentos controversos

 


Maiara Nogueira- Quando o mundo estiver pesado

 

Quando este mundo estiver pesado demais para carregar
Quando as forças dos dias parecerem faltar para continuar
E os olhos de tão cansados de não ver
chorar
É sinal de que se está vivo
E só o que vive pode sentir
transbordar
A derrota nos traz o choro
Nos põe no chão
E por que o incômodo
Se a água foi feita pra lavar?
A alma sedenta
Clama pela chuva
que só a lágrima pode trazer
E saciar
Quando essa vida parecer
insustentável demais para viver
Tem-se que lembrar
Até as densas tempestades
Uma hora tem que ceder
Pra dá lugar ao sol
Que chega junto com um sorriso seu
Passe pelas etapas
Haja naturalmente, converse
E me ilumine, por favor.

 


Jeane Bordignon – Fênix

 

De todas as guerras
Renascemos
Vida fulge vitoriosa
Nos corações cansados.
A mesma brisa
Que nos refresca o rosto
Sopra as cinzas
De cada peito
Que ardeu em desespero…
Do fogo fez-se luz,
A chama que nos grita:
– Acorda!
Ainda não é a hora!
Abrir os olhos
Deixar rasgar a alma
Transcender
O inferno de si mesmo
Como conseguimos?
Nem nós sabemos
Mas de pé estamos
Mas uma vez.

 


Marcelo de Oliveira Souza – Setembro Amarelo

 

Da independência,
Fez-se nação,
Na alegria da comunhão,
Da sociedade,
Vem logo a pressão,
Todo mundo uniforme,
Não é humano, não.
Dentro desse aspecto,
A tecnologia, é comunhão.
Todo mundo feliz,
Na rede do seu coração.
E lá no íntimo,
Não é verdade, não.
Só depois de tanta angústia,
Alguns não suportam não,
Culminando na autodestruição.
Nesse dilema,
Prestemos atenção,
Que às vezes
Os mais ” felizes”
Escondem uma profunda
Depressão.

 


ZENILDA RIBEIRO – SER

Sou apenas um ser
Que buscando ser
Procura na inteireza, ser
E na busca por meu ser
Neste querer ser
Por vezes vejo que ser
Envolve também padecer
Porque não se consegue ser
Sem romper a bolha e nascer
Sem passar pela dor do nascer
Desde o primeiro nascer
Ao nascer diário pra ser
Sendo sempre quem sou
Sem abrir mão de ser
Sem abrir mão de crescer
E do querer ser
E do crer ser
Aquilo que quero ser
Na minha inteireza, ser.


 

Em favor da vida e da prevenção do suicídio. Falar é a melhor solução. Você não está sozinho. Procure ajuda. Ligue 188.

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