Poetas Paranaenses Contemporâneos: 10 Vozes da Literatura do Paraná
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Conheça 10 poetas paranaenses contemporâneos: perfis, poemas e contexto da literatura do Paraná atual. De Curitiba ao interior — escritores paranaenses que escrevem agora.
A literatura paranaense tem raízes profundas e ramificações cada vez mais plurais. Do simbolismo de Emiliano Perneta ao concretismo de Paulo Leminski, passando pelos haicais de Helena Kolody e Alice Ruiz, o Paraná construiu uma tradição poética própria — marcada pela diversidade étnica, pela força das cidades do interior e por uma cena independente que só cresce.
Esta seleção apresenta 10 poetas paranaenses contemporâneos que fazem parte da Revista Toma Aí Um Poema N2 — uma amostra viva da poesia que se escreve no Paraná hoje. Diferentes gerações, estilos, cidades e visões de mundo que, juntos, compõem um mosaico da poesia contemporânea paranaense.
O que é a literatura paranaense contemporânea?
Antes dos perfis, vale entender o terreno. A expressão literatura paranaense carrega uma tensão interessante: o Paraná sempre foi um estado de fronteiras — geográficas, culturais, étnicas. Isso se reflete na sua produção literária.
As correntes da poesia paranaense hoje
| Corrente | Características | Referências históricas | Vozes contemporâneas |
|---|---|---|---|
| Poesia do cotidiano | Lirismo do corriqueiro, espaço urbano, ironia sutil | Paulo Leminski | Neuzi Barbarini, Lilly Magaflor |
| Poesia filosófico-reflexiva | Linguagem densa, questionamento existencial | Emiliano Perneta, Hilda Hilst | Flavia Quintanilha, Thomas Brenner |
| Poesia experimental | Fragmentação, metalinguagem, ruptura formal | Concretismo paranaense | Jéssica Iancoski, Lopse Lazuli |
| Poesia do macabro e do sombrio | Inquietação, morte, imaginário do horror | Cruz e Sousa (influência indireta) | Adam Mattos |
| Poesia da natureza e do lugar | Território, rio, floresta, Curitiba | Jayme Caetano Braun, Dalton Trevisan (prosa) | Jaime Jr. |
| Poesia lírico-narrativa | Personagens, cenas, micronarrativas em verso | Manuel Bandeira (influência) | David Ehrlich |
| Poesia feminista e de gênero | Corpo, identidade, escrita como existência | Ana Cristina César (influência nacional) | Isabel Furini, Lopse Lazuli |
O Paraná literário — contexto que forma os poetas
A poesia paranaense contemporânea não nasce do nada. Ela dialoga com uma tradição que inclui:
Paulo Leminski (1944–1989) — o nome mais citado quando se fala em poesia paranaense. Sua síntese entre concretismo, haicai, humor e profundidade existencial criou um modelo de escrita que influenciou toda a geração seguinte.
Alice Ruiz (1946–) — a haicaísta que consolidou a forma breve como território poético legítimo no Brasil.
Helena Kolody (1912–2004) — pioneira do haicai feminino no Brasil, filha de ucranianos, voz delicada e profunda.
Luci Collin (1958–) — Prêmio Jabuti e Prêmio Clarice Lispector, representante da poesia experimental e da pesquisa de linguagem.
Mas ao contrário do que se pode imaginar, a literatura paranaense atual não é uma cópia de Leminski. Os poetas contemporâneos do Paraná estão dialogando com essas tradições — e as confrontando, ampliando, subvertendo.
Para conhecer mais sobre essa tradição, leia nosso post sobre os poetas paranaenses de todos os tempos.
Tabela de referência: os 10 poetas desta seleção
| # | Poeta | Cidade | Destaque |
|---|---|---|---|
| 1 | Jéssica Iancoski | Curitiba | Jabuti, fundadora da TAUP, experimentação e identidade |
| 2 | Isabel Furini | Paraná | 35 livros, recitais internacionais, voz reflexiva |
| 3 | Adam Mattos | Londrina | Poesia do macabro, horror literário |
| 4 | David Ehrlich | Curitiba | Lirismo narrativo, influência modernista |
| 5 | Neuzi Barbarini | Paraná | Poesia do cotidiano feminino, psicóloga-poeta |
| 6 | Flavia Quintanilha | Maringá | Filosofia e metapoesia, doutoranda em Coimbra |
| 7 | Thomas Brenner | Curitiba | Aforismos e síntese, veia crítica |
| 8 | Lopse Lazuli | Curitiba (adotada) | Musicoterapia e poesia, coletivo feminista |
| 9 | Lilly Magaflor | Paraná | Existencialismo lírico, voz intimista |
| 10 | Jaime Jr. | Curitiba (origem) | Natureza, povos originários, engenheiro-poeta |
Os 10 poetas paranaenses contemporâneos
1. Jéssica Iancoski — experimentação, identidade e editorial
Curitiba | 1996
Escritora, poeta, editora e articuladora cultural. Formada em Letras pela UFPR e em Psicologia pela PUC-PR. Finalista do Prêmio Jabuti de Poesia, vencedora do Prêmio Candango de Literatura (GDF) e do Prêmio Sérgio Mamberti (MinC). Autora de mais de 10 livros — entre eles A Pele da Pitanga, América Xereca e TexTosterona. Fundadora e presidente da Toma Aí Um Poema, a primeira editora-ONG do Brasil. Principal curadora do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba. Aos 15 anos, teve poema reconhecido pela Academia Paranaense de Letras.
Sua poesia é marcada por experimentação formal, jogo com a linguagem, consciência política sobre identidade e gênero, e uma potência imagética que conecta o micro e o macro.
Ideologia Macarrão
pode até ter
de sêmola
mas
o brasieiro
pai de família
come
renata com ovos
isabela com ovos
adira com ovos
vilma com ovos
barilla com ovos
até dona benta
com ovos
mas fala
sempre que
prefere
espaguete
à penne
grano duro
o importante
mesmo é não
conter gordura
trans
Ibiapina
No ibi há Macaba
Emburi Indaiá
Guirá que pia
Não é só sabiá
: tem Jacu Macuco
Maritaca Tangará
vida com mais potira
se não fosse Ibiapina
é uma pena é uma pena
a Ibiapina a Ibiapina
a Ibiapina
Leitura crítica: “Ideologia Macarrão” é um dos exemplos mais precisos da poesia política de Jéssica — a lista de marcas de macarrão torna-se uma crítica à ideologia de classe que prefere o nome estrangeiro à substância popular. A forma de lista é concretista; o conteúdo é de denúncia social. “Ibiapina” trabalha o vocabulário tupi como matéria poética — língua como território.
2. Isabel Furini — 35 livros e recitais internacionais
Paraná
Escritora, poeta e palestrante. Autora de 35 livros, entre eles Os Corvos de Van Gogh (poemas). Participou de antologias poéticas em Portugal, Argentina e Chile. Criadora do Projeto Poetizar o Mundo. Acadêmica da AVIPAF (Academia Virtual Internacional de Poesia, Arte e Filosofia). Realizou recitais poéticos no SESC, na UFPR e na Biblioteca Pública de Burlingame, Califórnia (EUA). Seus poemas foram premiados no Brasil, Espanha e Portugal.
NATUREZA HUMANA
prisioneiros do espaço-tempo
somos seres precários
impermanentes
cientes de estar condenados à lapide
– no contexto da galáxia somos insignificantes
menores que amebas
mas nada desfaz a arrogância humana.
O POETA
Sonha com poemas e acorda na noite,
escrevendo com os dedos versos no ar.
Adora navegar sobre ondas de folhas em branco,
velejar nos cadernos novos,
pular sobre areias de palavras,
correr na praia procurando o Verbo.
Livros, cadernos, papéis e mais papéis…
Continua a lutar com ondas indomáveis,
organiza os termos,
mas só ancora no oceano dos sentimentos.
Nesse instante, o poeta compreende
o poder do caos primordial.
Leitura crítica: Isabel Furini transita entre o poema reflexivo e o metapoema — “O Poeta” é uma celebração e uma confissão ao mesmo tempo. A sequência de verbos marinhos (navegar, velejar, pular, correr) cria um ritmo de aventura que culmina na ancoragem no sentimento — como se a razão só existisse para chegar ali.
3. Adam Mattos — a poesia do macabro e do sombrio
Londrina | 35 anos (à época da publicação)
Mensageiro do sombrio e do macabro. Estreou com Alma em Pedaços (poesia) e continuou com Devaneios de uma Mente Perturbada (contos) — parte de uma trilogia da maldade. Participou de 15 coletâneas. Membro da Academia Independente de Letras (cadeira 170 — “A Tolerância”) e embaixador internacional da paz pelo World Literary Forum for Peace and Human Rights.
O TAMBORILAR DO CORVO
O tamborilar de algo lembra uma cantiga
Remete-me aos lúgubres vazios…
Como era mesmo aquela música antiga?
Acho que era do Vivaldi com Hugo Emil
Mas esse é um concerto de violino alegre
E por que essa lembrança me faz tremer?
Mesmo que de tudo eu abnegue
Nunca deixarei de sofrer
Acho que finalmente entendo os corvos do holandês
Eles estão fugindo, mas sempre voltam.
Com a mesma rapidez
Que os achaques do passado me afetam
Eles voltam por não ter escolha
Assim como nossa mente insiste no pensamento cruel
Nunca um sentimento impoluto abrolha
Como os corvos, presos para sempre por um pincel.
Leitura crítica: a referência ao quadro “Campo de Trigo com Corvos” de Van Gogh é explícita no título da obra de Isabel Furini que aparece nesta mesma seleção — e recorre aqui de forma diferente: os corvos como metáfora da memória traumática que retorna, presa à tela do passado como os pássaros à tinta.
4. David Ehrlich — lirismo narrativo e a tradição modernista
Curitiba (nasceu na Alemanha)
Graduado em Comunicação Social — Jornalismo, especializado em Narrativas Visuais. Fascinado pela escrita desde que aprendeu sobre essa arte. A influência do jornalismo aparece na construção das cenas: seus poemas têm personagens, conflito e resolução — quase microcontos em verso.
O JORNALEIRO E A LAVADEIRA
Não tinha ambições desvairadas, o anônimo jornaleiro,
O desgraçado adolescente
Que, com resignação quase bovina,
Já se acostumara a sofrer.
Iludido, desconhecia suas misérias.
Então, ouviu a cantiga da lavadeira
E começou a pôr alma nas coisas:
via beleza no seu rosto,
Lirismo nos seus gestos.
Era pobre e cansada,
Mas, aos olhos do jornaleiro, mudava.
Uma vez, tomou as mãos dela
E, pousando seus olhos nos dela,
Disse, docemente e com sinceridade,
Que ela não lhe era indispensável,
Mas lhe fazia bem
E ele sentiria se ela partisse.
Ela o odiou e não mais o quis.
Ele não mais a quis, quis esquecê-la,
Mas amada de poeta é eterna,
Pois o sofrimento, através da arte,
A diferenciava de todas as mulheres.
[continua no poema original — verso final com a saudade envenenando a alma]
Leitura crítica: “O Jornaleiro e a Lavadeira” dialoga explicitamente com a tradição do modernismo lírico-narrativo — há ecos de Manuel Bandeira (“Pneumotórax”, “A Morte Absoluta”) na personagem sem nome que encontra uma musa e a perde. “Amada de poeta é eterna” é a frase que ancora o poema: o sujeito lírico sabe que só pode preservar o amor pela arte da perda.
5. Neuzi Barbarini — o cotidiano como território poético
Paraná
Psicóloga, professora de Psicologia e poeta. Autora de Poesia de uma Mulher Comum (Scortecci) e Inventário (Patuá). A formação em psicologia é visível na capacidade de observar as pequenas tensões da vida com precisão clínica e lirismo simultâneos.
Atraso
Um dia terei
a ousadia das mulheres que ancoram navios no ar.
Por ora só um jeito de olhar
para as coisas quase do jeito que elas são:
um ponto de ônibus,
de esperas infinitas,
o passar dos carros apressados
e das gentes nem tanto.
Olho o relógio de pulso, que ninguém mais usa,
e vejo nele o meu atraso.
Hoje o dia vai ser corrido.
Refinamentos
Busca um refinamento, mas dos pés que pisaram chão bruto sai um caminho com cheiro de batatas recém-saídas da terra que queimam no braseiro e são comidas com a mão. [continua]
SONHEI POEMAS
Sonhei poemas
em capas duras
e iluminuras.
Acordei banal,
lápis em papel jornal.
Leitura crítica: Neuzi Barbarini é uma das vozes mais precisas desta seleção sobre a tensão entre o que se aspira e o que se é. “Atraso” usa o relógio de pulso que “ninguém mais usa” como metonímia de uma temporalidade que ficou para trás. “Refinamentos” constrói uma contradição fértil: o “refinamento” que se busca não resiste à memória do chão bruto. E “Sonhei Poemas” — em apenas 5 linhas — sintetiza toda a tensão entre o poema imaginado e o poema possível.
6. Flavia Quintanilha — filosofia, metapoesia e doutoranda em Coimbra
Maringá
Poeta e filósofa. Graduada em Filosofia pela UEL, mestre pela UNESP, doutoranda na Universidade de Coimbra. Pesquisa Racionalidade Hermenêutica, Identidade Narrativa e Metapoesia. Autora de Aporias da Justiça (Novas Edições Acadêmicas) e A Mulher que Contou a Minha História (Kotter Editorial, 2018).
já não escuto
já não escuto
sou todas as línguas
ditas em sussurro
vapor da boca em frio
cobrimos a névoa de força
e não a rompemos
batida cadente do tambor dito em cuore
é dessa cor que forjo minha coragem
num rio que corre arrastando as penas
[a]ferimos
[a]ferimos
milimetricamente
nossos sim e não
chovemos
ensolaramos
e o amor não floriu
estacamos
pela paga garantida
solidão
Leitura crítica: A formação filosófica de Flavia Quintanilha aparece na estrutura dos poemas — eles não narram, argumentam. “[a]ferimos” é especialmente preciso: o prefixo entre colchetes cria ambiguidade entre “aferimos” (mensuramos) e “ferimos” (machucamos) — o amor medido até a precisão é também amor ferido. A equação milimétrica entre “sim e não” resulta não em equilíbrio, mas em solidão.
7. Thomas Brenner — o aforismo como poesia
Curitiba | 1982
Autor de Desaforos, Aforismos & Outros Foras (Penalux, 2013) e da plaquete Ressurreição (Primata, 2021). Sua poesia tem parentesco com a tradição do epigrama e do aforismo — síntese máxima, corte preciso, sentido que explode em poucas linhas.
Vende-se
em terra de cego
quem fere com ferro
não corre perigo
em terra de cego
enterro meus mortos
na sombra do olvido
em terra de cego
se entregam à míngua
a água e o ar
em terra de cego
vendo meus olhos
cansei de chorar
Canção
insisto
sou aquilo
que resiste
sombra que pousa
no varal
assovia
o pardal já não existe
Leitura crítica: “Vende-se” é uma reescrita do ditado popular “em terra de cego, quem tem um olho é rei” — mas Thomas Brenner inverte a lógica: quem tem olhos nessa terra termina os vendendo porque cansou de chorar. A estrutura anafórica (“em terra de cego”) acumula indignação antes do golpe final. “Canção” é o oposto em tamanho — mas igualmente preciso: o pardal que “já não existe” carrega toda a perda do mundo natural urbano.
8. Lopse Lazuli (Juliana Lopes) — musicoterapia, coletivo feminista e poesia
Porto Alegre / Curitiba
Escritora, produtora cultural e musicista. Natural de Porto Alegre, adotou Curitiba como cidade. Cursou Bacharelado em Musicoterapia. Integrou coletâneas da Editora Urutau, Editora da UNICAMP, Mulherio das Letras Portugal e coletivo As Marianas. Finalista do 10º FESPOED (2020). Integrante do coletivo feminista artístico VozesEscarlate.
Cavalo-Marinho
Sempre há uma lágrima
Que atravessa uma face,
Que faz trapaça na carne,
Nesse momento,
Nessa hora,
Em algum lamento,
Alguma senhora,
Nesse país.
No horário de Brasília,
Na Avenida Paulista,
Vaivém no Ver-o-Peso,
Escorre-me na Baía
De são o que eu sou:
Salva da dor.
A morrer na praia
De amores líquidos,
Cavalo-marinho
Da baia e da Bahia
De todos os santos
Inocentes
Salvos da mácula,
Da nódoa e da
Larga lagoa
Cega catarata
Que é o amor.
Leitura crítica: “Cavalo-Marinho” é o poema mais geográfico desta seleção — Brasília, Paulista, Ver-o-Peso, Baía de Todos os Santos. A poeta dissolve sua identidade (“são o que eu sou”) no mapa do Brasil, e a lágrima que atravessa “alguma senhora / nesse país” é ao mesmo tempo pessoal e coletiva. A formação em musicoterapia aparece no ritmo — os versos curtos criam uma cadência de onda.
9. Lilly Magaflor — existencialismo íntimo
Paraná
Profissional do marketing, mãe e poeta. Seus poemas transitam entre o existencialismo lírico e a confissão íntima — sem disfarce, sem ornamento. Uma voz que não pede permissão para sentir.
Lilly Magaflor
Nasci.
Existo.
Escrevo.
Poeto!
Sou mulher.
Me fiz mãe.
Me permiti Poeta.
Isso é tudo.
Só eu sei
Só eu sei do inferno e da tempestade
de estar dentro de mim.
Só eu sei do peso contínuo que arrasto.
É só minha a loucura de se sentir assim.
Só eu sei do desespero que vem do nada e
domina tudo.
As inúmeras noites mal dormidas.
A vertigem e falta de ar.
O espelho sombrio que me diz não
haver saída.
Os ombros de concreto, o pescoço enrijecido.
O peso do mundo me soterrando a cada passo.
Só eu sei!
Não há ajuda que chegue,
luz que atravesse,
ou calor que reverbere.
Não há nada!
Só há eu saber.
Saber e nada, absolutamente nada,
conseguir fazer.
Leitura crítica: O primeiro poema é uma miniautobiografia — cada verso uma etapa, cada linha um ato de escolha. A progressão culmina em “Me permiti Poeta” — não “sou poeta”, mas “me permiti”: a permissão como conquista. “Só eu sei” é o poema mais visceral desta seleção: a solidão do sofrimento interior descrita sem metáfora, sem distância, com a honestidade de quem parou de fingir que não dói.
10. Jaime Jr. — engenheiro florestal, poeta da natureza e dos povos originários
Curitiba (origem) / Altamira-PA (residência)
Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência do Solo. Professor da Universidade Federal do Pará. Nasceu em Curitiba em 1983 e reside em Altamira-PA desde 2010. Começou a escrever poesia aos 13 anos. Usa a poesia como forma de sensibilizar sobre natureza, povos originários e causas socioambientais.
Originários
Os povos que nessa terra sempre existiram
Vivem em harmonia com a mata e com os rios
Sua força vem da natureza que fazem parte
Nos ensinam com a beleza de sua arte
Com tamanha sabedoria e muita bravura
Guerreiros incansáveis que lutam por sua cultura
São admiráveis e merecem todo o respeito
Não deixemos que retirem seus direitos.
Curitiba
Curitiba minha terra
Curitiba de lembranças doces e amargas,
Curitiba de Leminski, Poty e Dalton Trevisan,
Curitiba das quatro estações em uma só,
Curitiba minha terra amada,
Caótica, movimentada e solitária,
Como te quero e te odeio… [continua]
Leitura crítica: Jaime Jr. é o único nesta lista que parte de uma formação científica rigorosa para a poesia de causa ambiental e indigenista. “Curitiba” é um poema de saudade que nomeia Leminski, Poty e Dalton Trevisan — escritores e artistas da cidade — como parte da identidade afetiva. A ambivalência “como te quero e te odeio” é curitibana por excelência.
O que une esses 10 poetas — e o que os diferencia
| Aspecto | Convergências | Divergências |
|---|---|---|
| Temática | Identidade, cotidiano, corpo, memória | Horror (Adam), natureza amazônica (Jaime), filosofia analítica (Flavia) |
| Forma | Verso livre predominante | Soneto implícito (David), aforismo (Thomas), fragmento (Jéssica, Lopse) |
| Voz | Forte presença do eu lírico | Mais distanciado em Isabel; mais performático em Jéssica |
| Relação com a tradição | Leminski como sombra e referência | Alguns dialogam; outros constroem territórios próprios |
| Gênero | 6 mulheres e 4 homens | — |
| Origem | Curitiba, Londrina, Maringá, Altamira | A “poesia paranaense” vai além de Curitiba |
A poesia paranaense e o Brasil — um diálogo em aberto
A poesia paranaense nunca foi provinciana. Leminski foi nacional desde o início. Alice Ruiz influenciou a canção popular brasileira. Luci Collin ganhou o Jabuti. Jéssica Iancoski ganhou o Candango e foi finalista do Jabuti.
O que esta seleção de 10 poetas mostra é que essa tendência continua: são poetas paranaenses que transitam pelo Brasil, pelas línguas (espanhol, inglês, tupi), pelas fronteiras entre arte e ciência, poesia e filosofia, intimidade e engajamento.
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Conclusão: a poesia paranaense é agora
Esta seleção é uma amostra — não um cânone. São dez poetas paranaenses contemporâneos que escrevem com a consistência de quem sabe que a palavra importa: politicamente, esteticamente, afetivamente.
Do horror de Adam Mattos ao lirismo da natureza de Jaime Jr., da síntese filosófica de Flavia Quintanilha à confissão visceral de Lilly Magaflor, da experimentação de Jéssica Iancoski à narrativa modernista de David Ehrlich — a poesia paranaense atual prova que não existe apenas uma voz, um tema, uma forma.
Existe o Paraná: plural, fértil, em movimento.
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Carmo Bráz de Oliveira
diz:Faltou eu
Caro Bráz de Oliveira
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Isaias Barbosa da Silva
diz:Faltou o poeta Isaias Barbosa que participa ativamente da CBJE do Rio de Janeiro é de Curitiba-Pr e consta na internet fez vários trabalhos também consta desde 2005 no Catálogo Brasileiro de Autores Literários Contemporâneos seção Poetas do Paraná junto com Paulo Leminski e Rafael Greca ambos somos aqui de Curitiba-Pr