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Poemas Negros: 10 Poemas de Negritude da Poesia Contemporânea Brasileira

Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/leroy_skalstad-1202818/?utm_source=link-attribution&utm_medium=referral&utm_campaign=image&utm_content=913778">Leroy Skalstad</a> por <a href="https://pixabay.com/pt//?utm_source=link-attribution&utm_medium=referral&utm_campaign=image&utm_content=913778">Pixabay</a>

10 poemas negros e de negritude da poesia contemporânea brasileira: identidade, resistência, corpo e ancestralidade. Poemas de autores negros para ler, estudar e se emocionar.

A poesia negra brasileira nunca esteve tão viva. Corpo, ancestralidade, memória, raiva, afeto e resistência atravessam os versos de uma geração de poetas que recusa o silêncio e transforma a experiência negra em linguagem poderosa e incontornável.

Esta seleção reúne 10 poemas de negritude da poesia contemporânea brasileira — textos escritos por autores que fazem parte do projeto #DiVersos da Toma Aí Um Poema, iniciativa criada para ampliar e popularizar vozes diversas dentro da poesia. São poemas negros que falam de representatividade na mídia, de racismo estrutural, de corpo como território político, de orgulho e de dor — com linguagem direta, imagens potentes e uma urgência que não permite indiferença.

Se você busca poemas de autores negros brasileiros para ler, estudar, recitar ou simplesmente sentir — este é o lugar.


O que é a poesia de negritude?

A poesia de negritude é aquela que toma a experiência negra como matéria central — seja pela afirmação do orgulho racial, pela denúncia do racismo, pela valorização da ancestralidade africana ou pela elaboração poética da dor histórica e cotidiana. No Brasil, essa tradição tem raízes profundas, do abolicionismo de Castro Alves ao modernismo de Cruz e Sousa e Solano Trindade, até chegar à geração contemporânea de poetas negros e negras que escrevem hoje.

A poesia negra contemporânea brasileira tem características próprias:

CaracterísticaComo aparece nos poemas
Afirmação da identidadeOrgulho da pele, do cabelo, da ancestralidade — como resposta ao apagamento histórico
Denúncia do racismoViolência policial, encarceramento, invisibilidade na mídia e no mercado
Corpo como territórioA pele negra como lugar de disputa política, não apenas estética
Ancestralidade africanaReferências a orixás, quilombos, línguas e cosmologias africanas
Linguagem oral e performáticaInfluência do slam, do rap, do cordel — poesia que nasce para ser dita em voz alta
InterseccionalidadeRaça articulada com gênero, classe, território — especialmente nas vozes de mulheres negras

Sobre o projeto #DiVersos

O #DiVersos é uma iniciativa da Toma Aí Um Poema para incentivar e popularizar o fazer poético dentro de temáticas historicamente marginalizadas: negritude, LGBTQIA+, favela/periferia e padrões de beleza. Os poemas desta seleção foram enviados por autores de todo o Brasil e selecionados para compor uma antologia coletiva de acesso gratuito.

Leia também os outros conjuntos do projeto:


Tabela de referência: os 10 poemas e seus temas

#TítuloAutora/AutorTema central
1Cores e MídiaLeandra NelRepresentatividade, identidade, mídia
2Espelho D’ÁguaFrance MarinhoAncestralidade, existência, resistência
3O Corpo PerturbadoIan BarremCorpo negro, invisibilidade, espiritualidade
4A Jornada do Herói de Pele Escura Não Escrita Por EuropeusM. SalesViolência policial, apagamento, história negra
5O SistemaJonedsunCrítica ao Estado, violência institucional
6RaízesBruno AndradiAncestralidade, quilombo, identidade
7TVictor CoimbraPoesia minimalista — sangue e humanidade
8Grito de LiberdadeBárbara MariaViolência, luto, resistência feminina negra
9Sobre Todas as Vezes em Que Fui PintadaRaylyne RibeiroColorismo, identidade racial, autodefinição
10PretaOluwa SeyiOrgulho, identidade, recusa do eufemismo

Os 10 poemas de negritude

1. Leandra Nel — Cores e Mídia

Nascida em um tempo em que a tv era acores
Eu, Não me via nela.
Eram poucos os negros em uma incrível janela.
Meu cabelo crespo não tinha representatividade.
Tranças ,prender e alisar eram as opções .
Negra com traços finos, negra de alma branca,
filha de negro com branco…
Falas com estereotipias repetidas na rua e na TV.
Eu nunca me achei a donzela de contos de fadas.
Não me via e aquilo me feria.
As bonecas que eu brincava nem negras eram.
O tempo passou e o jogo virou reconheço agora minha ancestralidade
Em toda parte jornal,tv,internet .
Podemos falar abertamente da descendência
Dos nossos orixás, do nosso batuque .
Da nossa negritude.
Derrubada de estatua de racista nós podemos fazer.
E se falar do meu Black podemos colocar a boca no trombone.
Vejam a força do navio negreiro da Senzala e do quilombo.
E a casa grande pira quando vê nós negros invadindo a grande mídia.

Sobre o poema: Leandra Nel traça uma linha do tempo da própria consciência racial — da ausência de referências negras na TV de sua infância até o reconhecimento da ancestralidade. O poema documenta como a representatividade (ou sua falta) forma e deforma identidades desde cedo.


2. France Marinho — Espelho D’Água

No espelho d’água
O reflexo da negrura
Da pele reluzente
Contrasta com o branco das nuvens
De um céu
Que não foi criado
Nem por Deus
Nem pelo Diabo
Pois a criatura ali
Diante de si no espelho
Vinda do barro
Moldada pelas mãos de Nanã
Existe e resiste
Ancorada pelo sangue
De seus avós
Derramados das veias abertas
Em uma outra época
Consagrando o agora
E o que há de vir
No espelho d’água
A lágrima que brota
Escorre no peito arfado
Desejando vida
Ansiando morte
Retalhando o rosto que se mira
E se desfaz no trepidar
Do espelho d’água
Nada é constante
Tampouco infinito
E de certo somente o refúgio
Na esperança
Dos ecos da liberdade

Sobre o poema: A referência a Nanã — orixá da lama primordial, do barro de onde vêm os seres — ancora o poema em uma cosmologia africana que antecede o colonialismo. O espelho d’água não reflete apenas um rosto: reflete gerações de resistência e sangue derramado. Um dos poemas negros mais líricos desta seleção.


3. Ian Barrem — O Corpo Perturbado

Perturbado. Calado. Debruçado sobre as palavras, próximo a Rondon.
Está a existência esquecida e invisível. A Dor negra.
Tudo vai embora, menos a dor que mora no coração vermelho do corpo negro.
Se houvesse amor e dignidade. Se houvesse pai, mãe.
Perturbado, aos vinte três, o corpo negro caminha com a dor.
Sem ser ninguém, mas sendo as palavras. É quase um Deus.
É um Deus! Mas perdido. Não conduzido.
Há vida! Há tristeza! Há um mar de palavras caladas.
Queria, o corpo negro, que as palavras da bandeira nacional fosse real para si.
Mas sua vida é cercada de incerteza. Sem apoio. Se houvesse pai, mãe.
Nós braços de Janaína o corpo negro fuma seu pensamento.
O corpo negro, perturbado, chega em casa e tem que suportar a
existência de Um Deus tirano. Cristão.
O corpo negro, próximo ao paraíso de sua existência que é próximo ao
cemitério,
Toma um copo de guaraná Paulistinha para refrescar. Ele fumava. Não
houvesse pai, mãe.
Perturbado. Dançava. Brilhava. Fuma novamente.
O corpo negro tomava café na casa da tia Sueli, no paraíso, feliz.
Havia paz no seio da Vila Bandeirantes.
Contraditório.
Mas era o paraíso.
Era o lar desse Deus corpo negro, vivo nas palavras. Eterno, nas palavras.

Sobre o poema: Ian Barrem constrói uma cena cotidiana atravessada de divindade e dor. A referência à bandeira nacional — “Ordem e Progresso” — ironiza a promessa vazia para quem vive a precariedade do corpo negro na periferia. A poesia como lugar de existência quando o resto falha.


4. M. Sales — A Jornada do Herói de Pele Escura Não Escrita Por Europeus

Correndo pelas pistas com a minha bike,
Ultrapassando carros com minha mochila,
Virando nas esquinas com meu tênis nike,
Capangas bem armados uniformizados.


Pisando belas botas com brasão do Estado,
Calçando gritaria e horror pra todo lado,
Furei sinal de bike e fui capturado,
E eu só queria jogar bola e ir para a escola.


Falei que criei rocks e que entrei pra história,
Fui precursor do samba e hoje é bossa nova,
Fugi pro rio Mississipi e inventei o blues.


Minhas vitórias e conquistas não convém.
Me torno número e estatística em jornais.
Século vinte um e ainda não encontramos paz…


… Em vida.

Sobre o poema: O título já é um manifesto. A inversão da narrativa do “herói” — geralmente escrita pela perspectiva europeia — coloca o jovem negro como protagonista de sua própria história: inventou o rock, o samba, o blues, a bossa nova. Mas o sistema o reduz a “número e estatística”. A violência policial está presente em cada estrofe, disfarçada de cotidiano.


5. Jonedsun — O Sistema

além de falho,
é farda

além de bruto,
é branco

além de sonso,
é sujo

além de patriarca,
é pútrido

e além de tudo,
é assassino.

Sobre o poema: Em apenas dez linhas, Jonedsun desmonta o sistema em camadas — a farda, a brutalidade, a branquitude, a sujeira, o patriarcado, a podridão, o assassinato. A estrutura anafórica (“além de”) acumula denúncias com a precisão de uma lista de crimes. Um dos poemas antirracistas mais diretos desta seleção. Para entender mais sobre como a estrutura formal potencializa o sentido, leia nosso post sobre figuras de linguagem na poesia.


6. Bruno Andradi — Raízes

Raízes vitais, raízes ancestrais
Raízes de sangue, raízes viscerais
Raízes profundas, que correm nas veias
São córregos, trilhas, são mapas da aldeia


Raízes no chão que pisamos quilombo
Raízes marcadas na pele, pichadas no muro
E guardadas no ombro
Fotografadas no sub e inconsciente


Raízes sob o céu, raízes intensas
Em tom de sépia, o tom da pele é preta
Raízes Unganga, destino desde menino
Mamãe, papai, vovó, catimbó Olorum-nação


Raízes que andam se espalham no chão
Ancestral, sementes pra nascer novo tom
Raiz é poema, em alto em bom som

Sobre o poema: Bruno Andradi usa a anáfora de “raízes” para construir uma genealogia afetiva e política. O quilombo, os orixás (Unganga, Olorum), o catimbó — referências de religiões de matriz africana — aparecem como raízes que sustentam a identidade mesmo depois de séculos de apagamento. “Raiz é poema” — a última linha é uma declaração de poética.


7. Victor Coimbra — T

Todo sangue
Derramado
Também
É vermelho

Sobre o poema: Em quatro linhas, Victor Coimbra diz o essencial: a humanidade do sangue negro é a mesma de qualquer outro sangue. A brevidade é proposital — a síntese é a força. Um poema sobre racismo que funciona como uma sentença que não precisa de mais nada além de si mesma. Para entender mais sobre a força do minimalismo na poesia, leia nosso post sobre haicai e poesia minimalista.


8. Bárbara Maria — Grito de Liberdade

“Ecoou um canto forte na senzala
Ecoou um canto forte na senzala”
Mas lá fora existe a tal da bala
Que abate o meu povo
Se livramos das chibatas
Mas continuam cravando
Meu corpo negro de bala
Morro quando o sangue dos meus escorre, ladeira, rua, quarto e cozinha.
Morreu mais uma menina que esperava outra menina
Cansada de ser a mais barata do mercado, tratada como só mais uma estatística e vista como vítima na mídia.
Vítima de bala destinada, não foi perdida se o alvo é sempre um corpo negro no final do beco
Nem terminamos de gritar presente pro último inocente e já tem outro deitado chão.
Coração em pedaços, meu corpo sente o cansaço de quem come o pão amassado todos os dias.
O diabo fardado me espia
Na tentativa de calar minha voz
Matando mais um cria.
Se o choro da mãe não te comove, você morreu por dentro antes do motolov
Não me mate, pois já tô morta
Feito fênix, mas no pique águia
Sempre alerta
Ouvindo o riso da pequena
Agatha
Nas asas de Marielle
Do grito de João
Vivendo na fé
Do axé.
Se livramos das chibatas
E vamos continuar lutando para se livrar das balas.

Sobre o poema: Bárbara Maria nomeia: Agatha Felix, Marielle Franco, João Pedro. Nomear é o oposto de estatística — é humanizar quem o Estado trata como dado. A trajetória da chibata à bala traça a continuidade da violência anti-negra do período escravocrata ao presente. A fênix como metáfora de resistência: “Não me mate, pois já tô morta” — e mesmo assim sigo.


9. Raylyne Ribeiro — Sobre Todas As Vezes Em Que Fui Pintada

Olá,
Eu sou a “preta”,
Que é preta demais pra ser branca,
Mas é branca demais pra ser “preta”
—eles disseram.

Eu sou a “preta”,
Que é filha de outra preta que não aceitou que era “preta”
Porque o “preto” ainda é marcado como escravo,
E demarcado, como “bravo”

Eu sou a “preta”,
Mas que é “branca” demais pra sofrer racismo
Sou a “preta” obrigada a andar na “reta”
A que ainda consegue vaga nas “bancas”
A que ainda se “banca”

Eu sou a “preta”
Que não é bem “preta”
Sou a “café com leite”—intolerante à lactose
Sou a “parda”
A figurante cheia de “pose”

E todas as vezes em que fui “pintada” como a “preta que não
era tão preta”
Me fiz de “careta” alisada— do cabelo à alma,
Adestrada.

Eu sou a “preta”
Que por não ser tão “preta” ainda tenho mais sorte
Pois de acordo com as estatísticas:
Só por ser “bem preta” já se está mais perto da morte;
Seja ela por abuso,
Bala perdida,
Ou apenas o “acuso”
Vindo de uma sociedade que enxerga tudo em preto e branco
Onde quem é de comunidade
Com certeza não é o dono do “banco”
—nem se o banco for o da praça.
Sou a “preta” que matam na periferia todos os dias, e brindam
com taça
—de vinho,
Cor de sangue.
Adivinho,
E adianto:
Que eu sou a “preta” que já foi pintada demais
como todos queriam
E agora sou minha própria folha em “preto”.

Sobre o poema: Raylyne Ribeiro escreve sobre colorismo — a hierarquização dentro da própria negritude, em que peles mais claras recebem tratamento “menos pior”. O uso das aspas é político: coloca em evidência todas as formas como o racismo nomeia e categoriza para controlar. “Sou minha própria folha em preto” — a autodefinição como ato final de libertação.


10. Oluwa Seyi — Preta

Não nega!
Se minha melanina entrega,
não precisa eufemizar
Sossega!
A luz do sol não te cega
A ponto de você não me enxergar

Não me entristece
Na verdade, só não me desce
Que você me chame de morena
Então, cresce
Me contemple e note o que prevalece
Minha pele não quer pena

Não cola
E nem mesmo me enrola
Esse seu termo atenuante
Mas tem gente que bitola
Não respeita a pele de Angola
E passa recibo de ignorante

Já desisti de ser didática
Hoje, desprezo é minha tática
Para que, no fim, eu não agrida um
Não é questão de ser dramática
Exagerada, muito enfática
Só valorizo minha essência-Oxum

Por que você não me entende?
Mulata, pra mim, não rende
E se chamar de novo vai ter treta
Meu cabelo, ninguém prende
Minha cor é um presente:
Tenho orgulho de ser preta.

Sobre o poema: Oluwa Seyi recusa a eufemização — “morena”, “mulata”, “café com leite” — e reivindica a palavra “preta” como identidade, não ofensa. A referência a Oxum (orixá da beleza e das águas doces) ancora o orgulho racial na espiritualidade afro-brasileira. “Minha cor é um presente” — uma das frases mais citadas nos comentários deste post.


Por que ler poesia negra contemporânea?

A poesia negra não fala apenas para pessoas negras. Ela fala do Brasil — de sua história, suas contradições, seus silêncios e suas resistências. Ler esses poemas é um exercício de empatia, de ampliação de repertório e de reconhecimento de uma realidade que atravessa a vida de milhões de brasileiros.

Para quem quer…O que a poesia negra oferece
Entender o racismo estruturalImagens concretas de como ele opera no cotidiano
Conhecer a ancestralidade africanaReferências a orixás, quilombos, línguas e cosmologias
Descobrir novos poetasVozes fora do cânone escolar que escrevem com força e originalidade
Trabalhar em sala de aulaTextos acessíveis, potentes e pertinentes para o ensino de literatura e história
Sentir a potência do slamPoesia construída para performance, com ritmo e urgência oral
Se reconhecerPara leitores negros que raramente se veem representados na literatura

Vozes da poesia negra brasileira — para ir além desta lista

Se esses poemas despertaram sua curiosidade, aqui estão outros nomes essenciais da poesia negra brasileira — contemporâneos e históricos — para continuar explorando:

Poeta/aGeraçãoPor onde começar
Conceição EvaristoContemporâneaPoemas da recordação e outros movimentos
Cristiane SobralContemporâneaNão vou mais lavar os pratos
Ryane LeãoContemporâneaTodo Dia Ela Faz Tudo Igual
Solano TrindadeModerna (1908–1974)Cantares ao meu povo
Cruz e SousaSimbolismo (1861–1898)Broquéis
Lima BarretoPré-modernismoRecordações do Escrivão Isaías Caminha
Cuti (Luiz Silva)ContemporâneoNegros em versos
Lande OnawaleContemporâneoBoca do Inferno e Outras Poesias
Jenyffer NascimentoContemporâneaPele
Márcio JalóContemporâneoSlam e performances ao vivo

Para explorar mais sobre a trajetória da poesia negra dentro da literatura brasileira, leia nosso post sobre os maiores poetas brasileiros de todos os tempos — que inclui vozes fundamentais da tradição negra como Solano Trindade, Maria Firmina dos Reis e Conceição Evaristo.


Poesia negra e educação — como usar esses poemas em sala de aula

Esses poemas sobre racismo e poemas de autores negros são excelentes recursos para o ensino de literatura, história e cidadania. Algumas sugestões de uso:

  • Leitura em voz alta: a maioria desses poemas foi escrita para ser dita — experimente a leitura coletiva
  • Análise de figuras de linguagem: anáfora (Raízes, O Sistema), metáfora (Espelho D’Água), ironia (A Jornada do Herói) — todos presentes aqui
  • Conexão com história: os poemas dialogam diretamente com a escravidão, o abolicionismo, a ditadura militar e o genocídio negro contemporâneo
  • Novembro Negro: ideal para o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e toda a programação do mês
  • Debate sobre colorismo: o poema de Raylyne Ribeiro é um ponto de partida excelente para discutir as hierarquias dentro da negritude

Continue lendo poesia contemporânea


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Conclusão: poesia negra é resistência — e é literatura

Poemas negros não são apenas documentos de denúncia. São literatura de alto nível — com invenção formal, beleza de linguagem e profundidade humana. Os dez poetas desta seleção constroem, cada um à sua maneira, um mosaico da experiência negra no Brasil contemporâneo: da invisibilidade à ancestralidade, da raiva ao orgulho, da estatística ao nome.

Ler poesia negra contemporânea é ampliar o que entendemos por literatura brasileira. É reconhecer que o Brasil sempre foi escrito também por vozes que o cânone demorou décadas para ouvir — e que estão aqui, mais vivas e potentes do que nunca.

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5 Comentários em “Poemas Negros: 10 Poemas de Negritude da Poesia Contemporânea Brasileira”

  • MARTHA GIUDICE NARVAZ

    diz:

    ameiiiiii

  • Julio Cesar Machado de Souza

    diz:

    Grandes Versos Alumbrados!

  • Gleice

    diz:

    ARREPIADA com as palavras de cada poema e foi difícil escolher um para recitar como faço todos os anos e vai ser um orgulho recitar que… Minha cor é um presente: Tenho orgulho de ser preta. Parabéns a todos os poetas e poetisas.

  • Maria Mimoso de Oliveira

    diz:

    Como amante de poemas, eu amei cada estrofe, paravras lindas, arrepiantes é que toca a alma.
    Preta eu sou, sou das cinzas.
    Me faço art!🥰

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