103 Escritoras Brasileiras Contemporâneas que Você Precisa Conhecer
A literatura brasileira contemporânea é, cada vez mais, feita por mulheres. Romancistas, poetas, ensaístas, contistas, slammers, tradutoras, jornalistas e editoras — as escritoras brasileiras contemporâneas estão redefinindo o cânone, ocupando os prêmios, dominando as listas de mais vendidos e, sobretudo, ampliando o que a literatura brasileira é capaz de dizer.
Por séculos, a literatura nacional foi narrada como uma história de homens. As mulheres escreviam — sempre escreveram —, mas eram sistematicamente ignoradas pela crítica, pelas editoras e pelas escolas. O cânone se construiu à sua revelia, e o silêncio em torno delas não era ausência: era apagamento.
Isso mudou. E mudou de forma irreversível.
Hoje, as escritoras brasileiras contemporâneas não apenas ocupam o espaço que sempre lhes pertenceu — elas o estão redefinindo. Dominam os prêmios mais importantes do país, encabeçam listas de mais vendidos, constroem editoras independentes que publicam o que o mercado tradicional ignoraria, e expandem radicalmente o que a literatura brasileira é capaz de dizer. Vozes negras, indígenas, trans, periféricas, da diáspora e das margens do mapa chegaram ao centro — não por concessão, mas por força própria.
Este guia reúne 103 dessas escritoras. São romancistas, poetas, contistas, ensaístas, slammers, tradutoras, jornalistas e editoras. Vêm de todas as regiões do país, de todas as gerações vivas, de todas as estéticas e origens. Algumas já têm Jabuti, Oceanos e São Paulo de Literatura na estante. Outras estão construindo agora o que será lido nas próximas décadas. Todas têm algo essencial a dizer.
Não é um ranking. É um mapa — e um convite a conhecer a extraordinária diversidade da literatura feita por mulheres no Brasil de hoje.
O contexto: por que este momento é histórico
| Transformação | Como se manifesta | Exemplos |
|---|---|---|
| Ocupação dos prêmios | Mulheres aparecem nas listas de finalistas e vencedoras dos maiores prêmios literários do país | Jabuti, Oceanos e São Paulo de Literatura com maior presença feminina nos últimos anos |
| Diversidade de vozes | Escritoras negras, indígenas, trans, periféricas. LGBTQIA e da diáspora ampliaram radicalmente o repertório da literatura brasileira | Conceição Evaristo, Eliane Potiguara, Amara Moira, Jéssica Iancoski, Calila das Mercês |
| Novos gêneros e formatos | As mulheres lideram a experimentação formal — do slam à autoficção, da escrevivência à poesia visual e ao livro-objeto | Luiza Romão, Micheliny Verunschk, Adelaide Ivánova, Paula Valéria Andrade, Mabelly Venson |
| Sucesso comercial | A literatura feita por mulheres prova que qualidade e alcance de público não são opostos | Carla Madeira, Martha Batalha e Ryane Leão entre os mais vendidos do país |
| Editoras independentes | Casas editoriais criadas por e para mulheres constroem catálogos que o mercado tradicional ignoraria | Toma Aí Um Poema, Macabéa Edições, Patuá |
| Internacionalização | Escritoras brasileiras chegam ao público estrangeiro por mérito próprio, não como exotismo | Vanessa Barbara (Prix du Premier Roman Étranger), Adriana Lisboa (IMPAC Dublin), Simone Campos (Pushkin Press) |
| Reconhecimento de jovens talentos | Escritoras aparecem na Forbes Under 30 Brasil nas categorias de literatura e artes | Natasha Félix (2019), Bruna Kalil Othero (2023), Bianca Monteiro Garcia (2024), Jéssica Iancoski (2025) |
Guia 103 Escritoras Brasileiras Contemporâneas
| # | Escritora | Gênero principal | Destaque |
|---|---|---|---|
| 1 | Micheliny Verunschk | Romance, Poesia | Jabuti e Oceanos 2022 |
| 2 | Andréa del Fuego | Romance, Conto | Prêmio José Saramago 2011 |
| 3 | Jéssica Iancoski | Poesia | Finalista Jabuti 2022; Forbes Under 30; fundadora TAUP |
| 4 | Veronica Stigger | Conto, Romance | Jabuti, São Paulo de Literatura, Machado de Assis |
| 5 | Lilian Sais | Poesia, Romance | Prêmio Cepe Nacional de Literatura; cena literária independente |
| 6 | Cidinha da Silva | Crônica, Ficção | 22 livros; Prêmio Jabuti; traduzida em 5 idiomas |
| 7 | Mabelly Venson | Poesia | Finalista Prêmio LOBA |
| 8 | Carola Saavedra | Romance | Prêmio APCA; Granta Best Young Brazilian Novelists |
| 9 | Carla Madeira | Romance | Best-seller nacional; Tudo é rio |
| 10 | Conceição Evaristo | Poesia, Romance | Escrevivência; candidata à ABL; voz da literatura negra |
| 11 | Adriana Lisboa | Romance, Poesia | Prêmio José Saramago; Prêmio IMPAC Dublin |
| 12 | Eliane Brum | Jornalismo literário | O Brasil que ninguém conhece; colunista internacional |
| 13 | Djamila Ribeiro | Ensaio | Lugar de fala; uma das mais influentes do país |
| 14 | Ana Paula Maia | Romance | Literatura do trabalho e da margem |
| 15 | Tatiana Salem Levy | Romance | A chave de casa; traduzida em vários países |
| 16 | Beatriz Bracher | Romance | Não falei; Prêmio Jabuti |
| 17 | Maria Valéria Rezende | Romance | Quarenta dias; Prêmio Jabuti |
| 18 | Angélica Freitas | Poesia | Rilke shake; uma das maiores poetas da geração |
| 19 | Martha Batalha | Romance | A vida invisível de Eurídice Gusmão — adaptado para o cinema |
| 20 | Luiza Romão | Poesia, Slam | Campeã mundial de slam; Sangue Monstro |
| 21 | Cida Pedrosa | Poesia | Prêmio Jabuti |
| 22 | Ana Martins Marques | Poesia | O livro das semelhanças; Prêmio Jabuti |
| 23 | Prisca Agustoni | Poesia | Poesia ítalo-brasileira; tradutora |
| 24 | Natalia Borges Polesso | Conto, Romance | Jabuti 2019; literatura LGBTQIA+ |
| 25 | Eliana Alves Cruz | Romance | Água de barrela; literatura negra histórica |
| 26 | Giovana Madalosso | Romance | Sumaré; finalista Jabuti |
| 27 | Socorro Acioli | Romance, Infantil | A cabeça do Santo |
| 28 | Marilene Felinto | Romance, Crônica | As mulheres de Tijucopapo; clássica contemporânea |
| 29 | Noemi Jaffe | Romance, Ensaio | O que os cegos estão sonhando?; Prêmio Jabuti |
| 30 | Aline Bei | Ficção | O peso do pássaro morto; Prêmio São Paulo de Literatura |
| 31 | Mateus Baldi | Conto | Prêmio APCA |
| 32 | Jota Mombaça | Ensaio, Poesia | Não vão nos matar a todos; teoria queer e racismo |
| 33 | Lívia Natália | Poesia | Poesia negra baiana; professora universitária |
| 34 | Luci Collin | Poesia | Jabuti e Prêmio Clarice Lispector 2022 |
| 35 | Eliane Potiguara | Poesia, Ensaio | Literatura indígena; Metade cara, metade máscara |
| 36 | Dia Nobre | Poesia | Voz emergente |
| 37 | Giovana Lima | Poesia | Cena independente |
| 38 | Sandra Godinho | Poesia | Finalista Prêmio Leya |
| 39 | Ryane Leão | Poesia | Todo dia ela faz tudo igual; best-seller de poesia |
| 40 | Barbara Mançanares | Poesia | Literatura independente |
| 41 | Sabrina Dalbelo | Poesia | Literatura independente |
| 42 | Stephanie Borges | Poesia | Voz contemporânea |
| 43 | Katiuce Lopes Justino | Poesia | Cena independente |
| 44 | Letícia Negreti | Poesia | Voz emergente |
| 45 | Amara Moira | Romance, Ensaio | E se eu fosse puta |
| 46 | Mar Becker | Poesia | Cena gaúcha |
| 47 | Monique Malcher | Conto | Prêmio Jabuti |
| 48 | Ieda Magri | Romance | O teu nome agora; Rio de Janeiro |
| 49 | Junia Zaidan | Poesia | Cena literária mineira |
| 50 | Elisa Lucinda | Poesia, Teatro | Finalista Prêmio Oceanos; Finalista Prêmio Jabuti |
| 51 | Aline Monteiro | Poesia | Voz contemporânea |
| 52 | Gabriela Guimarães Gazzinelli | Poesia, Ensaio | Pesquisadora e poeta |
| 53 | Monique Lima | Poesia | Cena independente |
| 54 | Carol Bensimon | Romance | Todos nós adorávamos caubóis; literatura LGBTQIA+ |
| 55 | Luciana Andradito | Poesia | Voz contemporânea |
| 56 | Ana Agnolo | Poesia | Na Carne Absoluta |
| 57 | Jussara Salazar | Ficção | Escritora paranaense |
| 58 | Flavia Ferrari | Poesia | Literatura independente |
| 59 | Mariana Brecht | Poesia | Voz emergente |
| 60 | Ellen Lima Wassu | Poesia | Cena contemporânea |
| 61 | Jovina Renhga | Poesia | Literatura indígena Kaingang |
| 62 | Valeska Brinkmann | Poesia | Cena gaúcha; radicada em Berlim |
| 63 | Bruna Mitrano | Poesia | Voz contemporânea |
| 64 | Thaís Campolina | Poesia | Cena mineira |
| 65 | Luciany Aparecida | Romance | Mata Doce; Prêmio SP de Literatura 2024 |
| 66 | Ana Dilah | Poesia | Voz emergente |
| 67 | Marta Cortezão | Poesia | Amazonidades; literatura amazônica |
| 68 | Yara Fers | Poesia, Romance | Finalista Prêmio Kindle de Literatura |
| 69 | Marcela Dantés | Ficção, Poesia | Literatura contemporânea |
| 70 | Julia Raiz | Poesia | Tradutora feminista; coletivo Membrana |
| 71 | Paloma Vidal | Romance, Ensaio | Pré-história; escritora ítalo-brasileira; UNIFESP |
| 72 | Silvana Tavano | Romance, Literatura infantojuvenil | Prêmio Oceanos 2025 (Ressuscitar mamutes); Jabuti 2022 |
| 73 | Natalia Timerman | Romance, Não-ficção | Copo Vazio; Rachaduras (finalista Jabuti) |
| 74 | Mel Duarte | Poesia, Slam | Negra Nua Crua; Querem nos calar (org.); slammer premiada |
| 75 | Bruna Beber | Poesia | Ladainha; Rua da Padaria; poetisa |
| 76 | Daniele Rosa | Poesia, Dramaturgia | Perpétuo (Urutau); café da manhã com arranha-céus; coletivo Membrana |
| 77 | Daniela Bonafé | Romance híbrido, Poesia, Literatura infantojuvenil | Rosas de Chumbo (TAUP); Prêmio Municipal de Educação em DH 2017 |
| 78 | Paula Fábrio | Romance | Prêmio SP de Literatura 2013 (Desnorteio); Casa de família (Prêmio Carolina Maria de Jesus) |
| 79 | Isa Corgosinho | Poesia, Ensaio | Natural de Brasília, radicada em João Pessoa; Memórias da pele |
| 80 | Paula Valéria Andrade | Poesia | AWARE (trilíngue); Prêmios Jabuti, UBE, APCA |
| 81 | Zélia Puri | Poesia | Literatura indígena Puri; Jabuti 2023 (coletiva) |
| 82 | Priscila Branco | Poesia | açúcar; Desenterrar os ossos; Macabéa Edições |
| 83 | Rita Carelli | Romance, Literatura infantil | Terrapreta; Prêmios FNLIJ e SP de Literatura 2022 |
| 84 | Giselle Ribeiro | Poesia | Mulheres que suspendem o recreio; professora UFPA |
| 85 | Nara Vidal | Romance | APCA 2024 (Puro); 3º lugar Prêmio Oceanos (Sorte); radicada em Londres |
| 86 | bruna kalil othero | Poesia, Ficção, Ensaio | Oswald pede a Tarsila que lave suas cuecas; Prêmio MinC; doutoranda Indiana University |
| 87 | Marcela Hallack | Poesia | Monólogo miúdo da feiura (TAUP, 2026) |
| 88 | Amanda Kristensen | Poesia | Entre-Terras; (In)significâncias (TAUP); doutora em Letras, Unioeste |
| 89 | Gisela Maria Bester | Poesia, Crônica, Haicai | Pinte-me de Azul! (Troféu Capivara 2024); 38.º Prêmio Yoshio Takemoto 2024 |
| 90 | Nina Rizzi | Poesia | tambores pra n’zinga; Diáspora não é lar (Pallas); professora Unifor |
| 91 | Calila das Mercês | Conto, Poesia, Pesquisa | Planta Oração (Editora Nós, 2022); indicado Jabuti; pós-doc USP |
| 92 | Simone Campos | Romance, Conto | Nada vai acontecer com você (Pushkin Press UK/EUA); Mulher de Pouca Fé (2025) |
| 93 | Eliane Marques | Poesia, Romance | Louças de família; Prêmio SP de Literatura 2024 (Romance de Estreia) |
| 94 | Camila Nobiling | Poesia, Conto | Jipe Amarelo; Um milímetro e meio; radicada em Potsdam |
| 95 | Roberta Estrela D’Alva | Poesia oral, Slam, Teatro | Fundadora ZAP! (primeiro slam do Brasil); Prêmio Shell; doutora PUC-SP |
| 96 | Natasha Félix | Poesia | Use o alicate agora; Inferninho; Forbes Under 30 (2019) |
| 97 | Mariana Salomão Carrara | Romance, Conto | Não fossem as sílabas do sábado; Prêmio SP de Literatura 2023 |
| 98 | Adriane Garcia | Poesia, Dramaturgia | Fábulas para adulto perder o sono; Prêmio Paraná de Literatura — Helena Kolody 2013 |
| 99 | Jeane Imthon | Ficção | Lado B (TAUP); cena curitibana |
| 100 | Milena Martins Moura | Poesia, Conto | o carro de apolo capotou no horizonte; Prêmio LOBA 2025; Semifinalista Jabuti 2024 |
| 101 | Adelaide Ivánova | Poesia, Tradução, Fotografia | O martelo; Prêmio Rio de Literatura 2018; Asma (Editora Nós, 2024); radicada em Berlim |
| 102 | Natércia Pontes | Conto, Romance | Copacabana dreams (finalista Jabuti 2013); Os tais caquinhos (Companhia das Letras, 2021); Vida doçura (2026) |
| 103 | Francine Cruz | Poesia, Literatura Infantil | (Sobre)Viver e morrer num corpo de mulher (TAUP, 2025) |
Os perfis completos
1. Micheliny Verunschk — o Brasil que o colonialismo quis apagar
Gênero: Romance, Poesia | Origem: Recife, PE (1972)
Micheliny Verunschk é escritora e historiadora pernambucana. Doutora pela PUC-SP, estreou na literatura em 2003 com o livro de poemas Geografia íntima do deserto, indicado ao Prêmio Portugal Telecom naquele ano. Venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida (Patuá, 2014), foi duas vezes finalista do Prêmio Rio de Literatura e finalista do antigo Prêmio Portugal Telecom, hoje Prêmio Oceanos. (Wikipedia | Google Books)
Em 2022, venceu o Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário com O som do rugido da onça e, em 2024, o Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa na categoria Prosa com Caminhando com os mortos. (Laikaedicoes)
Obras principais:
- Geografia íntima do deserto (Landy, 2003) — Poesia
- Nossa Teresa (Patuá, 2014) — Prêmio São Paulo de Literatura
- O movimento dos pássaros (Martelo, 2020)
- O som do rugido da onça (Companhia das Letras, 2021) — Prêmio Jabuti 2022
- Desmoronamentos (Martelo, 2022) — Poesia
- Caminhando com os mortos (Companhia das Letras, 2023) — Prêmio Oceanos 2024
Por que ler: Em seu quinto romance, Verunschk joga luz sobre a história de duas crianças indígenas raptadas no Brasil do século XIX — o menino e a menina, batizados na ficção de Juri e Iñe-e, que foram levados para a Europa pelos naturalistas alemães Spix e Martius em 1817 e morreram pouco tempo depois de chegar ao solo europeu. Uma narrativa que une lirismo, rigor histórico e urgência política para contar o que o Brasil insiste em esquecer. (Amazon)
2. Andréa del Fuego — a fabulista da literatura brasileira contemporânea
Gênero: Romance, Conto | Origem: São Paulo, SP (1975)
Andréa del Fuego é escritora e mestre em Filosofia pela USP. O pseudônimo literário é uma homenagem à Luz del Fuego, bailarina, naturalista e feminista brasileira do século XX. Começou sua carreira escrevendo crônicas e respondendo dúvidas de leitores sobre sexualidade para a revista da rádio 89 FM. (PublishNews)
Em 2011, venceu o Prêmio Literário José Saramago — no valor de 25 mil euros — com o romance Os Malaquias, por unanimidade do júri, que incluía a escritora Nélida Piñon e Pilar del Río, presidente da Fundação José Saramago. A obra foi publicada em mais de dez países, entre eles Alemanha, Itália, França, Portugal e Argentina. (RTP | PublishNews)
Seu romance A pediatra (Companhia das Letras, 2021), foi adaptado para o teatro com direção de Inez Viana e está em desenvolvimento para o cinema. Em 2026, lançou Nego tudo (Companhia das Letras), reunião de seus primeiros contos, título que confirmou sua participação na FLIP 2026 — tornando-a a primeira autora brasileira confirmada no programa principal da edição. (Portal O São Gonçalo | PublishNews)
Obras principais:
- Minto Enquanto Posso (2004) — Conto
- Os Malaquias (Língua Geral, 2010) — Prêmio José Saramago 2011
- As Miniaturas (2013) — Romance
- A Pediatra (Companhia das Letras, 2021) — Romance
- Nego Tudo — ficções súbitas (Companhia das Letras, 2026)
Por que ler: Os Malaquias é um dos romances de estreia mais impressionantes da literatura brasileira contemporânea — uma saga familiar em que três irmãos órfãos seguem destinos separados depois que a casa da família é atingida por um raio, e a experiência do abandono e da sobrevivência ganha uma dimensão quase mítica.contemporânea — uma saga familiar que faz a experiência do abandono e da sobrevivência ganhar uma dimensão quase mítica.
3. Jéssica Iancoski — editora, poeta e fundadora da primeira editora-ONG do Brasil
Gênero: Poesia | Origem: Curitiba, PR (1996)
Jéssica Iancoski nasceu em Curitiba em 10 de fevereiro de 1996. Formou-se em Letras pela UFPR e em Psicologia pela PUC-PR, além de possuir especialização em Gestão de Negócios pela PUCPR e MBA em Gestão de Projetos pela Universidade Positivo. Quando tinha 16 anos, em 2012, teve o poema Rotina Decadente reconhecido pela Academia Paranaense de Letras. (Wikipedia)
É presidente da Associação Privada Sem Fins Lucrativos Toma Aí Um Poema — a primeira editora no modelo ONG do Brasil —, que já faturou mais de R$ 1 milhão no mercado editorial. Publicou mais de 2 mil autores e produziu mais de 1.500 poemas audiovisuais, alcançando 1 milhão de acessos. Mais de 60% do catálogo da TAUP é composto por mulheres.
Foi finalista do Prêmio Jabuti em 2022, na categoria poesia, com o livro A Pele da Pitanga, e é curadora do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba. Também recebeu os prêmios Candango de Literatura (GDF) e Sérgio Mamberti (MinC). (Wikipedia)
Obras principais:
- A Pele da Pitanga — Finalista Prêmio Jabuti de Poesia 2022
- TexTosterona
- América Xereca
- Fábulas de Anansi
Por que ler: a poesia de Jéssica Iancoski não pede licença para existir. É escrita do corpo, da identidade e da linguagem em tensão permanente — e representa o que há de mais inventivo na poesia paranaense e brasileira contemporânea.
4. Veronica Stigger — quando os limites entre os gêneros deixam de existir
Gênero: Conto, Romance | Origem: Porto Alegre, RS (1973)
Veronica Stigger nasceu em Porto Alegre em 1973 e desde 2001 mora em São Paulo. Doutora em teoria e crítica da arte, é escritora, crítica de arte e professora universitária. É conhecida por borrar sistematicamente as fronteiras entre os gêneros literários — seus textos são ao mesmo tempo contos, poemas, ensaios, performances e narrativas visuais. (Bazar do Tempo)
Estreou na literatura com O trágico e outras comédias em 2003. Seu primeiro romance, Opisanie świata (Cosac Naify, 2013), venceu os prêmios Machado de Assis (2013), São Paulo de Literatura (2014) e Açorianos (2014). Sul (Editora 34, 2016) conquistou o Prêmio Jabuti, e Sombrio ermo turvo (Todavia, 2019) foi finalista dos prêmios Oceanos e Jabuti. (Bazar do Tempo)
Como curadora, assinou com Eucanaã Ferraz a exposição Constelação Clarice (2021–2022) no Instituto Moreira Salles, e com Eduardo Sterzi e Marta Mestre a exposição Desvairar 22 (2022) no Sesc Pinheiros. (Relicarioedicoes)
Obras principais:
- O trágico e outras comédias (7Letras, 2004)
- Gran cabaret demenzial (Cosac Naify, 2007)
- Os anões (Cosac Naify, 2010)
- Opisanie świata (Cosac Naify, 2013) — Prêmio Machado de Assis, São Paulo de Literatura, Açorianos
- Sul (Editora 34, 2016) — Prêmio Jabuti
- Sombrio ermo turvo (Todavia, 2019)
Por que ler: nenhuma autora brasileira contemporânea confunde e expande as noções de gênero literário com tanta precisão e estranheza produtiva quanto Veronica Stigger. Ler seus livros é aceitar a desorientação como método.o com tanta precisão e estranheza produtiva quanto Veronica Stigger. Ler seus livros é aceitar a desorientação como método.
5. Lilian Sais — a poesia que habita as margens
Gênero: Poesia | Origem: Brasil
Lilian Sais é poeta e romancista, formada em Letras pela USP, onde também concluiu o mestrado e o doutorado em Letras Clássicas. Também atua como produtora e roteirista de podcasts, entre eles o Como o poema, dedicado à poesia brasileira contemporânea escrita por mulheres. (Cultsppro | SKOOB)
Em poesia, publicou a plaquete Passo imóvel (Cozinha Experimental, 2018) e os livros Acúmulo (Patuá, 2018) e Uma baleia nunca dorme profundamente (Hecatombe, 2021). Venceu o Prêmio Cepe Nacional de Literatura na categoria Poesia com Motivos para cavar a terra (Cepe Editora, 2022). (SKOOB| Paraty)
Na prosa, seu romance de estreia, O funeral da baleia (Patuá, 2021), foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, e o romance O livro do figo (Edições Macondo, 2023) foi semifinalista do Prêmio Oceanos em 2024. Suas publicações mais recentes são a plaquete Palavra nenhuma (Círculo de Poemas, 2024) e o romance A cabeça boa (DBA Literatura, 2025), obras em que elabora literariamente temas como o luto, a memória e o tempo.(Paraty)
Sais está desenvolvendo uma “tetralogia da perda” que atravessa sua produção mais recente. (Inspired News)
Obras principais:
- Passo imóvel (Cozinha Experimental, 2018) — Poesia
- Acúmulo (Patuá, 2018) — Poesia
- Uma baleia nunca dorme profundamente (Hecatombe, 2021) — Poesia
- O funeral da baleia (Patuá, 2021) — Romance; Finalista Prêmio São Paulo de Literatura
- Motivos para cavar a terra (Cepe Editora, 2022) — Poesia; Prêmio Cepe Nacional de Literatura
- O livro do figo (Edições Macondo, 2023) — Romance; Semifinalista Prêmio Oceanos 2024
- Palavra nenhuma (Círculo de Poemas, 2024) — Poesia
- A cabeça boa (DBA Literatura, 2025) — Romance
Por que ler: Lilian Sais transita entre a poesia e o romance com uma voz que recusa a suavização do que é difícil — o luto, a perda, o tempo. Uma das escritoras mais ativas e premiadas da cena literária independente brasileira hoje.
6. Cidinha da Silva — a cronista que nomeou o que o Brasil recusava ver
Gênero: Crônica, Conto, Ensaio, Dramaturgia | Origem: Belo Horizonte, MG (1967)
Cidinha da Silva nasceu em Belo Horizonte, em 1967, e é escritora e editora na Kuanza Produções. Ela já presidiu o Instituto da Mulher Negra (Geledés) e foi gestora na Fundação Cultural Palmares. Sua obra é uma das mais importantes da literatura negra brasileira contemporânea, com a identidade racial, a cultura afro-brasileira e a crítica ao racismo estrutural como fios condutores. (FULIA | Câmara dos Deputados)
Um Exu em Nova York recebeu o Prêmio da Biblioteca Nacional na categoria contos em 2019, e o ensaio Explosão Feminista, do qual é coautora, foi finalista do Prêmio Jabuti também em 2019. Outra obra sua, Os nove pentes d’África (Mazza Edições, 2009), foi incluída no Programa Nacional do Livro e do Material Didático, distribuída gratuitamente a instituições de ensino público fundamental em todo o país. Tem publicações em alemão, catalão, espanhol, francês, inglês e italiano. (FULIA | Câmara dos Deputados)
Obras principais:
- Um Exu em Nova York (Pallas, 2018) — Prêmio Biblioteca Nacional 2019
- Exuzilhar: melhores crônicas, vol. 1 (Pallas, 2022)
- Vamos falar de relações raciais? Crônicas para debater o antirracismo (Autêntica, 2024)
- Xirê! O baile do candomblé
- Os nove pentes d’África (Mazza, 2009) — PNLD
Por que ler: Cidinha da Silva criou uma forma de crônica literária que é ao mesmo tempo beleza e denúncia — e provou que a literatura negra pode ser, simultaneamente, popular, acessível e de alta qualidade formal.
7. Mabelly Venson — maternidade, corpo e a matemática que virou poesia
Gênero: Poesia, Prosa Poética | Origem: Curitiba, PR
Mabelly Venson é matemática de formação que trocou o concurso público pela literatura. Editora e “parteira de livros” na Toma Aí Um Poema, é autora de Tudo Que Queima (TAUP, 2022), apenas mãe (Comala, 2023) e GELO (Comala, 2024). (Tomaaiumpoema)
Em apenas mãe, escreve um retrato cru e cruel da maternidade. A personagem “mulher” — com “m” minúsculo, sem nome próprio — é uma colagem de várias mulheres e suas histórias. Nesse processo, emerge a solidão da maternidade: não apenas a ausência de companhia, mas o sentimento de apagamento. A obra é descrita como “inadequada” em relação à forma — poético demais para um conto, curto e aberto demais para um romance, e que constrói uma narrativa sem redenções. (Substack | Editoracomala)
Em suas próprias palavras: “Vendi o carro, larguei o concurso e investi em um sonho todos os recursos que levei 23 anos para juntar. Trabalho em média 12 horas por dia, mais com a escrita dos outros do que com a minha. Vivo de livros? Vivo.” (Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Tudo Que Queima (TAUP, 2022) — Poesia
- apenas mãe (Comala, 2023) — Prosa poética
- GELO (Comala, 2024)
- Ciência Poética
Por que ler: a poesia de Mabelly Venson não decora a dor — a expõe com precisão e sem ornamento. Para quem quer poesia honesta sobre ser mulher e ser mãe no Brasil de hoje.
8. Carola Saavedra — a chileno-brasileira que reinventou a carta de amor
Gênero: Romance, Conto | Origem: Santiago, Chile (1973) / Brasil
Carola Saavedra nasceu em Santiago em 1973. Aos três anos, mudou-se com a família para o Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. Na década de 1990, após se formar em Jornalismo na PUC-Rio, transferiu-se para a Europa, morando na Espanha, França e Alemanha, onde concluiu mestrado em Comunicação Social. Trabalha como tradutora de alemão e espanhol. (Itaú Cultural)
É autora dos romances Toda terça (2007), Flores azuis (2008; eleito melhor romance pela Associação Paulista dos Críticos de Arte e finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti), Paisagem com dromedário (2010, Prêmio Rachel de Queiroz na categoria jovem autor), O inventário das coisas ausentes (2014) e Com armas sonolentas (2018, finalista dos Prêmios São Paulo e Rio de Literatura). Publicou também o livro de ensaios O mundo desdobrável (Relicário, 2021) e a coletânea de poemas Um quarto é muito pouco (Quelônio, 2022). (Uni-koeln | Companhia das Letras)
Está entre os vinte melhores jovens escritores brasileiros escolhidos pela revista Granta, e seus livros estão traduzidos para o inglês, francês, espanhol e alemão. (Barnes & Noble)
Obras principais:
- Flores azuis (Companhia das Letras, 2008) — Prêmio APCA
- Paisagem com dromedário (Companhia das Letras, 2010) — Prêmio Rachel de Queiroz
- O inventário das coisas ausentes (Companhia das Letras, 2014)
- Com armas sonolentas (Companhia das Letras, 2018)
- O mundo desdobrável (Relicário, 2021) — Ensaios
Por que ler: a prosa de Carola Saavedra tem a precisão de quem escolhe cada palavra — cada silêncio calculado, cada ausência narrada. Uma das grandes vozes da ficção brasileira da sua geração.ngua — cada palavra escolhida, cada silêncio calculado. Uma das grandes vozes da ficção brasileira da sua geração.
9. Carla Madeira — o best-seller que a crítica não esperava
Gênero: Romance | Origem: Belo Horizonte, MG (1964)
Carla Madeira nasceu em Belo Horizonte em 1964. Largou um curso de matemática e se formou em jornalismo e publicidade. Foi professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais e é sócia e diretora de criação da agência de comunicação Lápis Raro. (Record)
Tudo é rio, lançado em 2014 pela Editora Quixote e relançado pela Record em 2021, é um dos livros mais vendidos do país. A primeira edição saiu com tiragem modesta de 700 exemplares — depois, a história boca a boca fez o livro crescer. Atualmente, os três romances lançados pela autora venderam cerca de 1 milhão de exemplares no Brasil. Foi a segunda escritora mais lida no Brasil em 2021, atrás apenas de Itamar Vieira Junior. (Estado de Minas)
Obras principais:
- Tudo é rio (Quixote, 2014; Record, 2021) — Best-seller nacional
- A natureza da mordida (2019)
- Véspera (Record, 2021)
Por que ler: Carla Madeira prova que literatura popular e literatura de qualidade não são opostos — e que existe um público enorme para histórias que colocam as experiências femininas no centro da narrativa.ão são opostos — e que existe um público enorme para histórias que colocam as experiências femininas no centro da narrativa.
10. Conceição Evaristo — a escrevivência que fundou uma tradição
Gênero: Poesia, Romance, Conto | Origem: Belo Horizonte, MG (1946)
Conceição Evaristo nasceu em Belo Horizonte, em 1946, cresceu numa favela e traçou uma trajetória literária em que inscreveu o conceito de “escrevivência” — uma escrita moldada pela ancestralidade das mulheres negras. Trabalhou como empregada doméstica antes de se tornar professora e, mais tarde, doutora em Literatura Comparada. (SAPO Mag)
Publicou durante décadas nos Cadernos Negros — a publicação coletiva mais importante da literatura negra brasileira. Seus romances Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da Memória (2006) são considerados clássicos da literatura contemporânea. Olhos d’água venceu o Prêmio Jabuti em 2015. Em 2018, foi distinguida com o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura pelo conjunto da obra; em 2019, recebeu o Prêmio Jabuti como Personalidade Literária; e em 2023, o Prêmio Intelectual do Ano, atribuído pela União Brasileira de Escritores. (SAPO Mag | Observador)
Candidata à Academia Brasileira de Letras em 2018, disputou a vaga deixada pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos. Caso fosse admitida, seria a 9ª mulher e a 1ª mulher negra a integrar a ABL. Sua não eleição gerou amplo debate sobre o racismo nas instituições literárias brasileiras. (Jusbrasil)
Obras principais:
- Ponciá Vicêncio (2003) — Romance
- Becos da Memória (2006) — Romance
- Poemas da recordação e outros movimentos (2008) — Poesia
- Olhos d’água (2014) — Contos; Prêmio Jabuti 2015
- Histórias de Leves Enganos e Parecenças (2016)
Por que ler: Conceição Evaristo é indispensável. Não há como entender a literatura brasileira do século XXI sem entender a escrevivência — e não há como entender a escrevivência sem ler Conceição.
11. Adriana Lisboa — entre o Brasil e o mundo
Gênero: Romance, Poesia | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1970)
Gênero: Romance, Poesia, Conto | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1970)
Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro em 1970 e possui graduação em Música, além de formação em Literatura Brasileira e Literatura Comparada por universidades cariocas. Morou na França, na Nova Zelândia e nos Estados Unidos. Seus livros foram publicados em mais de vinte países. (Grokipedia | Agenciariff)
Seu romance de estreia, Sinfonia em branco (2001), venceu o Prêmio José Saramago e foi também finalista do Prix des Lectrices da edição francesa da revista Elle. Foi selecionada em 2007 como uma das Bogotá 39 — lista das escritoras e escritores latino-americanos mais notáveis com menos de 39 anos. Os romances Azul Corvo (2010) e Rakushisha (2007) foram incluídos na longlist do Prêmio Internacional IMPAC Dublin. Azul Corvo foi eleito livro do ano pelo jornal britânico The Independent. (Companhia das Letras)
Seus poemas e contos foram publicados em revistas como Modern Poetry in Translation, Granta e Asymptote. (Agenciariff)
Obras principais:
- Sinfonia em branco (Rocco, 2001) — Prêmio José Saramago 2003
- Um beijo de colombina (Rocco, 2003) — Poesia
- Rakushisha (Rocco, 2007)
- Azul Corvo (Rocco, 2010) — Livro do ano pelo The Independent
- Hanói (Alfaguara, 2013)
- Todos os santos (2019)
Por que ler: a prosa de Adriana Lisboa tem a qualidade rara de ser ao mesmo tempo literária e acessível — profunda sem ser hermética, lírica sem ser decorativa.
12. Eliane Brum — a jornalista que fez da floresta literatura
Gênero: Jornalismo literário, Ensaio, Documentário | Origem: Ijuí, RS (1966)
Eliane Brum nasceu em Ijuí, Rio Grande do Sul, em 1966. Escritora, jornalista e documentarista, publicou oito livros no Brasil e no exterior. Reconhecida em 2020 como a repórter mais premiada da história do país, em 2021 sua obra jornalística foi contemplada com o Prêmio Maria Moors Cabot, o mais importante das Américas. (Amazon)
Ao longo de sua carreira, ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem, como o Esso, o Vladimir Herzog e o Rei de Espanha. É também vencedora dos prêmios Açorianos e Jabuti de literatura. Colunista do diário espanhol El País, em 2022 cofundou a plataforma Sumaúma — jornalismo do centro do mundo, da qual é diretora. (Agenciariff)
Transformada pela experiência no Xingu, mudou-se em 2017 de São Paulo para Altamira, no Pará — epicentro da destruição e uma das cidades mais violentas do Brasil desde que a hidrelétrica de Belo Monte foi construída. (Amazon)
Obras principais:
- A vida que ninguém vê (Arquipélago Editorial)
- O olho da rua (Globo)
- Meus desacontecimentos (Leya)
- Banzeiro òkòtó: uma viagem à Amazônia Centro do Mundo (Companhia das Letras, 2021) — Prêmio Jabuti (Livro-Reportagem)
Por que ler: Eliane Brum transformou o jornalismo em literatura — e a literatura em ativismo. Banzeiro òkòtó é um livro que precisa ser lido por quem se preocupa com o Brasil, a Amazônia e a democracia.
13. Djamila Ribeiro — o pensamento que chegou a todos
Gênero: Ensaio, Filosofia | Origem: Santos, SP (1980)
Djamila Ribeiro nasceu em Santos, em 1980. É mestre em Filosofia Política pela Unifesp, colunista do jornal Folha de S. Paulo e foi secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo. Foi considerada pela BBC uma das 100 mulheres mais influentes do mundo. (Revista FT | Fundação Calouste Gulbenkian)
É coordenadora dos Feminismos Plurais — iniciativa que engloba o Espaço Feminismos Plurais, instituto dedicado à formação de mulheres em situação de vulnerabilidade social em São Paulo, e a Coleção Feminismos Plurais, voltada para a publicação de autoras e autores negros no Brasil e no exterior. (Djamila Ribeiro)
É autora de O que é lugar de fala? (2017), Quem tem medo do feminismo negro? (2018) e Pequeno manual antirracista (2019), que já venderam mais de 500 mil exemplares. Pequeno manual antirracista recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Ciências Humanas em 2020. (Amazon | Revista FT)
Obras principais:
- O que é lugar de fala? (Pólen, 2017)
- Quem tem medo do feminismo negro? (Companhia das Letras, 2018)
- Pequeno manual antirracista (Companhia das Letras, 2019) — Prêmio Jabuti 2020
- Cartas para minha avó (2020)
Por que ler: Pequeno manual antirracista é o livro de Djamila Ribeiro para começar — acessível, direto e essencial para qualquer pessoa que queira entender o racismo brasileiro e como combatê-lo.
14. Ana Paula Maia — o Brasil que trabalha e morre
Gênero: Romance, Roteiro | Origem: Nova Iguaçu, RJ (1977)
Ana Paula Maia nasceu em Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, em 1977. É escritora e roteirista. Na adolescência, tocou bateria em uma banda de punk rock, e seu processo como leitora iniciou-se aos 18 anos, quando começou a ler livros de filosofia, teatro e romance. A prosa de ficção de Ana Paula Maia se concentra em questões como a violência relacionada a atividades profissionais socialmente desvalorizadas, à dimensão material da morte e ao descaso do poder público — aspectos retratados frequentemente em linguagem enxuta e direta, acentuando o efeito de brutalidade. (Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais | Itaú Cultural)
De gados e homens (2013), em tradução inglesa de Zoë Perry para a Charco Press (2023), venceu o UK Republic of Consciousness Prize 2023 e o inaugural Cercador Prize for Literature in Translation nos Estados Unidos. Maia também venceu o Prêmio São Paulo de Literatura de Melhor Romance do Ano por dois anos consecutivos: em 2018 com Assim na Terra como embaixo da Terra e em 2019 com Enterre seus mortos. (Wasafiri)
O filme Boi Neon (2015), de Gabriel Mascaro, inspirado em De gados e homens, ganhou o Prêmio Especial do Júri na seção Horizontes (Orizzonti) da 72ª edição do Festival de Veneza. Em 2026, foi incluída na shortlist do International Booker Prize. (Terra | The Booker Prizes)
Obras principais:
- Carvão animal (Record, 2011)
- De gados e homens (Record, 2013) — Adaptado para o cinema (Boi Neon, 2015)
- Assim na Terra como embaixo da Terra (2017) — Prêmio São Paulo de Literatura 2018
- Enterre seus mortos (Record, 2018) — Prêmio São Paulo de Literatura 2019
- Búfalos selvagens (2024)
Por que ler: Ana Paula Maia escreve sobre um Brasil que não aparece em nenhum outro romance contemporâneo. Sua literatura é incômoda, essencial e absolutamente única.
15. Tatiana Salem Levy — a busca das origens como identidade
Gênero: Romance | Origem: Lisboa, Portugal (1979) / Brasil
Tatiana Salem Levy nasceu em Lisboa em 1979. Graduada em Letras pela UFRJ, é mestre e doutora em Estudos de Literatura pela PUC-Rio, tendo realizado parte do doutorado na Brown University (EUA) e na Universidade de Paris III (França). Trabalha também como tradutora de língua francesa e inglesa. (Itaú Cultural)
A tese de doutorado, defendida em 2007, deu origem ao romance A chave de casa, lançado primeiramente em Portugal. Com ele, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2008 na categoria Melhor Livro de Autor Estreante, e foi finalista dos prêmios Jabuti e Zaffari & Bourbon. Está publicado no Brasil, Portugal, França, Espanha, Itália e Turquia. (Itaú Cultural | Sapo)
Em A chave de casa, a protagonista — neta de judeus turcos — recebe do avô a chave da antiga casa da família deixada para trás em Esmirna, Turquia, e parte em busca das raízes e da herança familiar, numa narrativa composta por diversas vozes que se complementam. (Itaú Cultural)
Obras principais:
- A chave de casa (Record, 2007) — Prêmio São Paulo de Literatura 2008
- Dois rios (2011)
- Paraíso (2014)
- O mundo não vai acabar (2017)
Por que ler: A chave de casa é um dos romances de estreia mais premiados da literatura brasileira dos anos 2000 — uma narrativa sobre diáspora, corpo e identidade que não abandona você depois que você fecha o livro.
16. Beatriz Bracher — a memória que silencia e sobrevive
Gênero: Romance, Conto | Origem: São Paulo, SP (1961)
Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi uma das editoras da revista de literatura e filosofia 34 Letras, entre 1988 e 1991, e uma das fundadoras da Editora 34, onde trabalhou de 1992 a 2000. Escreveu com Sérgio Bianchi o argumento do filme Cronicamente inviável (2000) e o roteiro de Os inquilinos (2009), que levou o prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio 2009. (Google Books | Agenciariff)
Não falei (2004) foi lançado em 2017 nos Estados Unidos, com excelente recepção da crítica norte-americana. O romance Antônio (2007) obteve o Prêmio Jabuti (3º lugar), o Prêmio Portugal Telecom (2º lugar) e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Anatomia do paraíso (2015) venceu o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Rio de Literatura. Em 2015, recebeu também o Prêmio Casa de las Américas. (Agenciariff | Wikipédia)
Obras principais:
- Azul e dura (7Letras, 2002) — primeiro romance
- Não falei (Editora 34, 2004) — traduzido nos EUA pela New Directions (2017)
- Antônio (Editora 34, 2007) — Prêmio Jabuti, Prêmio Portugal Telecom
- Anatomia do paraíso (Editora 34, 2015) — Prêmio São Paulo de Literatura
Por que ler: Não falei é um dos romances sobre a ditadura militar mais formalmente interessantes da literatura brasileira — não é um romance de denúncia, mas de silêncio, e isso o torna ainda mais perturbador.
17. Maria Valéria Rezende — a fé como ato político
Gênero: Romance, Conto | Origem: Santos, SP (1942)
Maria Valéria Rezende é freira da Congregação de Nossa Senhora — Cônegas de Santo Agostinho, formada em Língua e Literatura Francesa, Pedagogia e mestre em Sociologia. Dedicou-se, desde os anos 1960, à Educação Popular, em diferentes regiões do Brasil e no exterior, tendo trabalhado em todos os continentes. Sua estreia na literatura ocorreu pouco antes de completar 60 anos de idade, com o livro de contos Vasto Mundo (Beca, 2001). (FLIMA)
Venceu o Prêmio Jabuti em 2015 nas categorias Romance e Livro do Ano de Ficção com Quarenta dias. Em janeiro de 2017, recebeu o Prêmio Casa de las Américas com Outros Cantos, pelo qual também venceu o Prêmio São Paulo de Literatura. Também recebeu o Prêmio Oceanos com Carta à Rainha Louca. (Wikipedia | EBC Rádios)
Obras principais:
- O voo da guará vermelha (Record, 2005)
- Quarenta dias (Alfaguara, 2014) — Prêmio Jabuti 2015
- Outros cantos (Alfaguara, 2016) — Prêmio São Paulo de Literatura, Casa de las Américas
- Carta à Rainha Louca (2019) — Prêmio Oceanos
Por que ler: Maria Valéria Rezende é uma escritora que não escreve sobre os excluídos — escreve com eles, a partir de décadas de convivência. Sua obra tem uma autenticidade que poucas literaturas conseguem alcançar.
18. Angélica Freitas — a ironia que é também ternura
Gênero: Poesia | Origem: Pelotas, RS (1973)
Angélica Freitas (1973) é poeta e tradutora brasileira. Seu primeiro livro, Rilke Shake (Cosac Naify, 2007), foi traduzido para o inglês e o alemão. Em 2007, tornou-se coeditora da revista de poesia Modo de usar & Co., ao lado dos poetas Marília Garcia, Fabiano Calixto e Ricardo Domeneck, publicação dedicada à poesia escrita e a outros suportes de mídia. (Pensador | Itaú Cultural | MPT)
Seu segundo livro de poemas, Um útero é do tamanho de um punho (Cosac Naify, 2012), venceu o prêmio de Melhor Livro de Poesia de 2012 da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e foi finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom de 2013. O livro foi posteriormente traduzido para o inglês e publicado pela New Directions em 2019. Blogger
Obras principais:
- Rilke Shake (Cosac Naify, 2007) — traduzido para inglês e alemão
- Um útero é do tamanho de um punho (Cosac Naify, 2012) — Prêmio APCA 2012
Por que ler: Um útero é do tamanho de um punho é poesia que ri de tudo enquanto faz você pensar sobre tudo. Um dos livros de poesia mais originais e bem-humorados do Brasil contemporâneo.
19. Martha Batalha — a invisibilidade que virou cinema
Gênero: Romance | Origem: Recife, PE
Martha Batalha é escritora, jornalista e editora brasileira, mais conhecida pelo romance de estreia A vida invisível de Eurídice Gusmão. O livro foi inicialmente rejeitado por diversas editoras brasileiras antes de ter seus direitos vendidos para a editora alemã Suhrkamp. Foi posteriormente publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2016. (Wikipedia)
A adaptação cinematográfica, dirigida por Karim Aïnouz, teve sua estreia mundial em 20 de maio de 2019 no Festival de Cannes, onde ganhou o prêmio da Mostra Um Certo Olhar — a segunda seção mais importante do festival. O filme foi lançado no Brasil em novembro de 2019 pela Vitrine Filmes. (Wikipedia)
Obras principais:
- A vida invisível de Eurídice Gusmão (Companhia das Letras, 2016) — traduzido para mais de 20 países; adaptado para o cinema (2019)
Por que ler: A vida invisível de Eurídice Gusmão é um romance que, sob a aparência de um melodrama doméstico, faz uma crítica precisa e emocionante das formas como a sociedade brasileira desperdiçou o talento de gerações de mulheres.
20. Luiza Romão — o slam que conquistou o mundo
Gênero: Poesia, Slam | Origem: Ribeirão Preto, SP (1992)
Luiza Romão (Ribeirão Preto, 1992) é poeta, atriz e slammer brasileira. Bacharel em Artes Cênicas e mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada pela Universidade de São Paulo. (Wikipedia)
Em 2014, foi vice-campeã do Slam BR, o campeonato nacional de slam. É autora dos livros Coquetel Motolove (2014), Sangria (2017), Também guardamos pedras aqui (Editora Nós, 2021) e Nadine (Editora Quelônio, 2022). Também guardamos pedras aqui venceu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano e Melhor Livro de Poesia, e foi semifinalista do Prêmio Oceanos.(O POVO | Centro Cultural SP)
Obras principais:
- Coquetel Motolove (2014)
- Sangria (2017)
- Também guardamos pedras aqui (Editora Nós, 2021) — Prêmio Jabuti Livro do Ano e Melhor Poesia
- Nadine (Editora Quelônio, 2022)
Por que ler: Luiza Romão prova que o slam não é um gênero menor — é poesia com urgência, corpo e público vivo. Uma das vozes mais premiadas da poesia brasileira contemporânea.
21. Cida Pedrosa — a grande voz da poesia pernambucana
Gênero: Poesia | Origem: Bodocó, PE (1963)
Maria Aparecida Pedrosa Bezerra nasceu em Bodocó, no Sertão pernambucano, em 18 de outubro de 1963. Em 1978 deixou a terra natal e rumou para o Recife, onde lançou seu primeiro livro, Restos do fim, em 1982, quando tinha 19 anos. Em 2020, foi eleita vereadora do Recife pelo Partido Comunista do Brasil. (Wikipedia)
Em 2020, venceu o Prêmio Jabuti nas categorias Poesia e Livro do Ano com Solo para Vialejo, tornando-se a primeira escritora pernambucana a fazer jus a essa honraria. O livro foi também o primeiro título pernambucano eleito Livro do Ano pelo Jabuti desde a criação da categoria, em 1991. Em 2023, venceu o Prêmio APCA na categoria Literatura com Araras Vermelhas (Companhia das Letras, 2022), tornando-se a primeira pernambucana a receber esse prêmio. Em 2024, recebeu o Prêmio Literário Guerra Junqueiro — Lusofonia, atribuído por Portugal em reconhecimento à sua carreira literária. (Wikipedia | Portal Cultura PE | GOV | FOLHA PE)
Obras principais:
- Solo para Vialejo (Cepe Editora, 2019) — Prêmio Jabuti Poesia e Livro do Ano 2020
- Araras Vermelhas (Companhia das Letras, 2022) — Prêmio APCA 2023
Por que ler: Cida Pedrosa representa uma poesia que nasce do Nordeste sem precisar explicar o Nordeste — que assume sua origem como ponto de vista e não como tema.
22. Ana Martins Marques — o amor como problema filosófico
Gênero: Poesia | Origem: Belo Horizonte, MG (1977)
Ana Martins Marques nasceu em 1977, em Belo Horizonte. Graduada em Letras, tem doutorado em Literatura Comparada pela UFMG. Estreou em 2009 com A vida submarina, seguido por Da arte das armadilhas (2011), O livro das semelhanças (2015), O livro dos jardins (2019), Risque esta palavra (2021) e De uma a outra ilha. (Amazon | Estado de Minas)
Da arte das armadilhas (2011) venceu o Prêmio da Biblioteca Nacional. O livro das semelhanças foi um dos vencedores do Prêmio Oceanos em 2016. A vida submarina recebeu o Prêmio Cidade de Belo Horizonte. (Amazon | Pernambuco Revista)
Obras principais:
- A vida submarina (Scriptum, 2009) — Prêmio Cidade de Belo Horizonte
- Da arte das armadilhas (Companhia das Letras, 2011) — Prêmio Biblioteca Nacional
- O livro das semelhanças (Companhia das Letras, 2015) — Prêmio Oceanos 2016
- O livro dos jardins (Quelônio, 2019)
- Risque esta palavra (Companhia das Letras, 2021)
Por que ler: a poesia de Ana Martins Marques faz perguntas filosóficas com a leveza de quem observa uma borboleta. É uma das experiências mais elegantes da poesia brasileira contemporânea.
23. Prisca Agustoni — entre dois idiomas, uma poesia
Gênero: Poesia, Tradução | Origem: Lugano, Suíça (1975)
Prisca Agustoni nasceu em Lugano, Suíça, em 20 de maio de 1975. É formada em Literatura Hispânica e Filosofia e mestra em Estudos de Gênero pela Universidade de Genebra. Em 2002, mudou-se para o Brasil, onde obteve o doutorado em Literatura Comparada pela PUC Minas Gerais. Sua atividade literária é caracterizada pelo multilinguismo — escreve em italiano, português, francês e espanhol — e por um importante trabalho de tradução de poesia brasileira contemporânea e de autores suíços de língua italiana. (Wikipedia)
Desde 2008, é professora de língua e literatura italiana na Universidade Federal de Juiz de Fora. Entre seus livros destacam-se Animal extremo (Patuá, 2017), O mundo mutilado (Quelônio, 2020), O gosto amargo dos metais (7Letras, 2022), vencedor dos prêmios Cidade de Belo Horizonte e Oceanos 2023, e Arqueologias (Peirópolis, 2024). Em 2023, recebeu também o Prêmio Suíço de Literatura por Verso la ruggine. (Circulodepoemas)
Obras principais:
- Animal extremo (Patuá, 2017)
- O mundo mutilado (Quelônio, 2020) — Finalista Prêmio Jabuti
- O gosto amargo dos metais (7Letras, 2022) — Prêmio Oceanos 2023 e Cidade de Belo Horizonte
- Arqueologias (Peirópolis, 2024)
Por que ler: a poesia de Prisca Agustoni demonstra que escrever entre línguas não é limitação — é ampliação do repertório imagético e rítmico.
24. Natalia Borges Polesso — o amor que não pede licença
Gênero: Conto, Romance | Origem: Bento Gonçalves, RS (1981)
Nascida em Bento Gonçalves, no interior do Rio Grande do Sul, Natalia Borges Polesso ficou conhecida nacionalmente após a publicação de seu terceiro livro, a coletânea de contos Amora. A autora é referenciada na lista Bogotá 39, que reúne os escritores com menos de 40 anos mais influentes da América Latina. (Rascunho | Itaú Cultural)
Amora foi vencedor do Prêmio Jabuti 2016 de Contos, publicado originalmente pela Não Editora em 2015 e reeditado pela Companhia das Letras em 2018. Em menos de uma década de publicações, recebeu seu segundo Jabuti com o romance coletivo Corpos Secos (2020). (Escotilha | Casa 1)
Obras principais:
- Amora (Não Editora, 2015; Companhia das Letras, 2018) — Prêmio Jabuti 2016
- Controle (Companhia das Letras, 2019) — Romance
- Corpos Secos (2020) — Prêmio Jabuti
- A extinção das abelhas (Companhia das Letras, 2021) — Romance
Por que ler: Amora é um dos livros de contos mais bonitos da literatura brasileira contemporânea — e o Jabuti que ganhou é o reconhecimento de que a literatura lésbica sempre esteve aqui, esperando para ser lida.
25. Eliana Alves Cruz — a história que o Brasil esconde
Gênero: Romance, Conto | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1966)
Jornalista por formação, Eliana Alves Cruz nasceu em 1966, no Rio de Janeiro. Seu primeiro romance, Água de barrela (Malê, 2016), foi o resultado de cinco anos de pesquisa sobre a história de sua família desde os tempos da escravidão — a saga começa em meados do século XIX na Nigéria, passa por um engenho na Bahia e atravessa todo o século XX. Em 2015, o livro foi contemplado em primeiro lugar no Prêmio Oliveira Silveira, da Fundação Cultural Palmares. A obra recebeu também menção honrosa do Prêmio Thomas Skidmore 2018, do Arquivo Nacional e da Brown University, e chegou à semifinal do Prêmio Oceanos 2019. (FULIA | Brazilian Authors | Ponte)
Venceu a categoria Conto do 64º Prêmio Jabuti com A vestida: contos (Malê, 2022). (Mídia NINJA)
Obras principais:
- Água de barrela (Malê, 2016) — Prêmio Oliveira Silveira 2015
- O crime do cais do Valongo (Malê, 2018)
- Nada digo de ti, que em ti não veja (Pallas, 2020)
- Solitária (Companhia das Letras, 2022)
- A vestida: contos (Malê, 2022) — Prêmio Jabuti Conto 2022
- Meridiana (Companhia das Letras, 2025)
Por que ler: Água de barrela é a história do Brasil que não está nos livros didáticos — a história das famílias negras que sobreviveram à escravidão e construíram o país que existe hoje.
26. Giovana Madalosso — a vida que acontece apesar de tudo
Gênero: Romance | Origem: Curitiba, PR (1983)
Gênero: Romance, Conto | Origem: Curitiba, PR (1975)
Giovana Madalosso nasceu em Curitiba em 1975. É autora do livro de contos A teta racional (Grua, 2016) e dos romances Tudo pode ser roubado (Todavia, 2018), eleito melhor romance pelo Prêmio Manuel de Boaventura em Portugal, e Suíte Tóquio (Todavia, 2020), finalista do Prêmio Jabuti e recomendado pelo The New York Times. É colunista da Folha de S.Paulo e uma das idealizadoras do movimento Um Grande Dia para as Escritoras, que registrou, em fotos, mais de 2.300 escritoras em mais de 50 cidades do Brasil e do mundo. (Flip)
Formada em jornalismo pela UFPR, a escritora curitibana também tem longa carreira como roteirista de séries. (Gazeta do Povo)
Obras principais:
- A teta racional (Grua, 2016) — Contos
- Tudo pode ser roubado (Todavia, 2018) — Prêmio Manuel de Boaventura (Portugal)
- Suíte Tóquio (Todavia, 2020) — Finalista Jabuti; recomendado pelo NYT
- Batida só (Todavia, 2025)
Por que ler: a ficção de Giovana Madalosso tem a qualidade rara de ser ao mesmo tempo divertida e perturbadora — você ri e depois percebe o que estava sendo dito.
27. Socorro Acioli — o nordeste que encanta e sangra
Gênero: Romance, Literatura Infantojuvenil | Origem: Fortaleza, CE
A escritora natural de Fortaleza, Socorro Acioli é muito conhecida por sua literatura infantojuvenil — venceu o Prêmio Jabuti de 2013 na categoria infantil com Ela tem olhos do céu. (Favo do Mellone)
Em 2006, foi a única brasileira selecionada para a oficina de roteiros “Como Contar um Conto”, ministrada pelo Nobel de Literatura Gabriel García Márquez na Escuela de Cine y TV de San Antonio de los Baños, em Cuba. Essa proposta resultou no livro A cabeça do Santo, publicado em 2014 pela Companhia das Letras. (Novabrasil)
A tradução em inglês, The Head of the Saint, foi indicada ao Los Angeles Times Book Prizes e eleita um dos melhores livros de 2016 pela Biblioteca Pública de Nova York. (Tomodachi Nerd’s)
Obras principais:
- Ela tem olhos do céu — Prêmio Jabuti 2013 (infantil)
- A cabeça do Santo (Companhia das Letras, 2014) — Romance
- Oração para desaparecer (2023) — Romance
Por que ler: A cabeça do Santo é um dos romances mais originais da literatura nordestina contemporânea — com uma mistura de realismo e magia que parece nascida da própria terra sertaneja.
28. Marilene Felinto — a voz que vem da periferia
Gênero: Romance, Crônica | Origem: Recife, PE (1957)
Marilene Felinto nasceu em Recife, em 1957, e foi criada em São Paulo, para onde sua família se mudou em 1968. Formou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo em 1981. (Amazon)
As mulheres de Tijucopapo, seu romance de estreia, editado pela primeira vez em 1982, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Literatura Adulta (Autor Revelação) e também foi premiado pela União Brasileira de Escritores, tendo sido traduzido para o inglês, francês, holandês e catalão. Escrito em 1982, quando a autora tinha 22 anos, o livro narra a viagem de retorno da narradora Rísia a Tijucopapo, localidade fictícia onde sua mãe nasceu, que evoca a história real de Tejucupapo, no Pernambuco — palco, no século XVII, de uma batalha entre mulheres da região e holandeses. (Amazon | Ufsc)
Foi colunista no jornal Folha de S.Paulo e na revista Caros Amigos. (Goodreads)
Obras principais:
- As mulheres de Tijucopapo (1982) — Prêmio Jabuti; traduzido para inglês, francês, holandês e catalão
Por que ler: As mulheres de Tijucopapo é um clássico que deveria estar em todos os currículos de literatura brasileira — uma voz feminina nordestina que antecipou décadas de discussão sobre identidade, classe e gênero.
29. Noemi Jaffe — a herança que não se diz
Gênero: Romance, Ensaio, Poesia | Origem: São Paulo, SP (1962)
Noemi Jaffe Cartum nasceu em São Paulo em 1962. Escritora, poeta, crítica e professora, é doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, com tese sobre a poesia de Antônio Cícero. Desde 2009, é professora do programa de pós-graduação em crítica e teoria literária da PUC-SP. (Itaú Cultural)
Em abril de 1945, após ser presa pelos nazistas e enviada como prisioneira para Auschwitz, Lili Jaffe foi salva pela Cruz Vermelha e levada à Suécia, onde anotou num diário os principais acontecimentos por que havia passado. Esse diário foi o ponto de partida para O que os cegos estão sonhando? O livro, publicado pela Editora 34 em 2012, é uma narrativa sobre o diário de Lili Jaffe, sua mãe, escrito durante seu confinamento em Auschwitz entre 1944 e 1945, e foi finalista do Prêmio Jabuti de 2013 na categoria biografia. (Livraria Martins Fontes Paulista | Itaú Cultural)
Seus livros foram traduzidos do português para mais de uma dezena de idiomas. (Wikipedia)
Obras principais:
- O que os cegos estão sonhando? (Editora 34, 2012) — Finalista Prêmio Jabuti 2013
- Írisz: as orquídeas (Companhia das Letras, 2015)
- Não está mais aqui quem falou (Companhia das Letras, 2017)
- Lili — Novela de um luto (Companhia das Letras, 2021)
Por que ler: O que os cegos estão sonhando? é um livro sobre o que não se pode dizer — e sobre como dizê-lo mesmo assim. Uma obra que expande os limites da literatura de testemunho.
30. Aline Bei — a violência que a forma revela
Gênero: Ficção | Origem: São Paulo, SP (1987)
Nascida em 1987, Aline Bei é formada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e em Artes Cênicas pelo Teatro Escola Célia Helen. Seu romance de estreia, O peso do pássaro morto (2017), publicado pela editora Nós, foi vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2018. (Revista de Letras Norte@mentos)
É autora dos romances O peso do pássaro morto, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, e Pequena coreografia do adeus, finalista do Prêmio Jabuti (2022), e Uma delicada coleção de ausências (2025). (Amazon)
Obras principais:
- O peso do pássaro morto (Editora Nós, 2017) — Prêmio São Paulo de Literatura 2018
- Pequena coreografia do adeus (Companhia das Letras, 2021) — Finalista Jabuti 2022
- Uma delicada coleção de ausências (2025)
Por que ler: Aline Bei prova que a forma de um romance pode ser tão expressiva quanto seu conteúdo — e que a literatura pode criar experiências para as quais a linguagem convencional não tem nome.
31. Mateus Baldi — afetos desviantes na cidade em ruínas
Gênero: Conto | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1994)
Mateus Baldi nasceu em 1994, no Rio de Janeiro. Mestra em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, é autora de Formigas no paraíso (Faria e Silva, 2022) e organizadora da antologia Vivo muito vivo: 15 contos inspirados nas canções de Caetano Veloso (José Olympio, 2022). (EBC Rádios)
Seu segundo livro de contos, Os anos de vidro (Editora Nós, 2025), reúne 11 histórias atravessadas por personagens inquietos e narrativas marcadas pela fissura afetiva, temporal e identitária. O livro venceu o Prêmio APCA 2025 na categoria Contos. (Revista O Grito | Miguel Arcanjo)
Obras principais:
- Formigas no paraíso (Faria e Silva, 2022) — Contos
- Os anos de vidro (Editora Nós, 2025) — Prêmio APCA 2025
Por que ler: a ficção de Mateus Baldi investiga o desejo, o gênero e a violência cotidiana com uma prosa de apuro poético — personagens que revelam mais pelo que silenciam do que pelo que explicitam.
32. Jota Mombaça — teoria como poesia, poesia como resistência
Gênero: Ensaio, Performance, Ficção | Origem: Natal, RN (1991)
Jota Mombaça nasceu em Natal, em 1991, e vive e trabalha entre Fortaleza, Lisboa e Berlim. Através da performance, da ficção visionária e de estratégias situacionais de produção, pretende ensaiar o fim do mundo, tal como o conhecemos, e a figuração do que virá depois que destituirmos a pauta do colonialismo moderno de seu pódio. (Amazon)
Seus trabalhos foram expostos em diversos lugares, incluindo a 32ª e 34ª Bienais de São Paulo (2016 e 2020/2021), a 22ª Bienal de Sydney (2020) e a 10ª Bienal de Berlim (2018). Em 2020, concluiu uma residência artística na Pernod Ricard Fellowship, em Paris, e realizou o filme O que não tem espaço está em todo lugar, a convite do Instituto Moreira Salles. (Ayalaboratorio | Amazon)
Em 2021, publicou seu primeiro livro, Não vão nos matar agora, uma coletânea de textos sobre suas inquietações, propondo novas maneiras de pensar o mundo e o tempo linear. O livro é publicado no Brasil pela Editora Cobogó. (Itaú Cultural)
Obras principais:
- Não vão nos matar agora (Cobogó, 2021)
Por que ler: Jota Mombaça escreve no limite entre a teoria crítica, a poesia e a performance — criando textos que não se encaixam em nenhuma prateleira e por isso ocupam todas.
33. Lívia Natália — poesia negra baiana de alta voltagem
Gênero: Poesia | Origem: Salvador, BA (1979)
Lívia Natália é baiana de Salvador, Iyalorixá da matriz Ketu, poeta e professora associada de Teoria da Literatura na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde desenvolve pesquisas sobre Literaturas Negras. É mestre e doutora em Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura pela UFBA. (Flipelo | Ver-O-Poema)
Seu primeiro livro, Água negra (2011), recebeu o Prêmio Banco Capital Cultura e Arte-Poesia. Em 2015, publicou o volume de poemas Correntezas e outros estudos marinhos. Também é autora de Água negra e outras águas (Caramurê, 2016) e Dia bonito pra chover (Malê), que recebeu o Prêmio APCA de Melhor Livro de Poesia do ano de 2017. (Academia.edu | Flipelo)
Obras principais:
- Água negra (EPP, 2011) — Prêmio Banco Capital Poesia
- Correntezas e outros estudos marinhos (Ogum’s Toques Negros, 2015)
- Água negra e outras águas (Caramurê, 2016)
- Dia bonito pra chover (Malê) — Prêmio APCA 2017
Por que ler: a poesia de Lívia Natália tem a força das águas que o título evoca — inevitável, transformadora e profundamente enraizada na cultura negra brasileira.
34. Luci Collin — a linguagem levada ao limite
Gênero: Poesia, Ficção, Tradução | Origem: Curitiba, PR
A curitibana Luci Collin é escritora, tradutora e professora. Formou-se em Piano/Performance, Letras (Português/Inglês) e Percussão Clássica, além de ser doutora em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela USP e pós-doutora em Tradução de Literatura Irlandesa. Lecionou na UFPR entre 1999 e 2019. Estreou na literatura em 1984 com Estarrecer e construiu uma carreira reconhecida na poesia e na prosa. (Bem Paraná)
Foi finalista do Prêmio Oceanos com Querer falar (2014), venceu o Prêmio Jabuti com A palavra algo (2016) e recebeu o Prêmio Clarice Lispector e o Prêmio Literário Biblioteca Nacional com Dedos impermitidos (2021). Já traduziu grandes autores como Henry James, Virginia Woolf, Gertrude Stein, E.E. Cummings, Gary Snyder e Seamus Heaney, entre muitos outros. Integra a Academia Paranaense de Letras, ocupando a Cadeira n.º 32. (Bem Paraná | Wikipédia)
Obras principais:
- Estarrecer (1984) — estreia
- A palavra algo (2016) — Prêmio Jabuti de Poesia
- Dedos impermitidos (Iluminuras, 2021) — Prêmio Clarice Lispector / Biblioteca Nacional
- Incombinados: poemas escolhidos (Maralto, 2025)
Por que ler: Luci Collin é uma das poucas poetas brasileiras que faz da linguagem o verdadeiro sujeito do poema — não a ferramenta, mas o território.
35. Eliane Potiguara — a voz fundadora da literatura indígena brasileira
35. Eliane Potiguara — a voz fundadora da literatura indígena brasileira
Gênero: Poesia, Ensaio, Memória | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1950) / Povo Potiguara
Eliane Lima dos Santos, conhecida por Eliane Potiguara, nasceu no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1950. Professora, escritora, ativista e empreendedora indígena, é formada em Letras (Português e Literatura) e Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com especialização em Educação Ambiental pela UFOP. Em dezembro de 2021, recebeu o título de doutora honoris causa da UFRJ. (Wikipedia)
Em 1988, fundou a Rede GRUMIN (Grupo Mulher Educação Indígena), primeira organização voltada à educação e ao fortalecimento de mulheres indígenas no Brasil. Por seis anos, participou das sessões da ONU em Genebra e contribuiu com a elaboração da Declaração Universal dos Povos Indígenas. (Novabrasil | Revista Acrobata)
Seu livro A Terra é a Mãe do Índio (1989) foi premiado pelo PEN Club da Inglaterra. Metade cara, metade máscara, publicado pela primeira vez em 2004, mistura poemas, ensaios e relatos autobiográficos sobre ancestralidade, migração forçada, o papel da mulher indígena e a destruição cultural pelo colonialismo. (Cartasindigenasaobrasil | Machadiana Blog)
Obras principais:
- A Terra é a Mãe do Índio (1989) — Prêmio PEN Club da Inglaterra
- Metade cara, metade máscara (Global Editora, 2004; 3ª ed. Grumin Edições)
- O coco que guardava a noite (2012) — Literatura infantil
Por que ler: Eliane Potiguara abriu caminhos que uma geração de escritoras indígenas segue hoje. Ler Metade cara, metade máscara é entrar em contato com uma voz que o Brasil demorou demais para ouvir.
36. Dia Bárbara Nobre — a escrita que vem do corpo e da história
Gênero: Poesia | Origem: Brasil
Gênero: Ficção, Poesia, Não-ficção | Origem: Juazeiro do Norte, CE
Dia Bárbara Nobre é doutora em História e escritora. Natural do Cariri cearense, atualmente trabalha em Petrolina (Pernambuco) como professora universitária, desenvolvendo projetos ligados à literatura, história, lesbianidades e feminismo. Publicou dois livros de não-ficção, O Teatro de Deus (2011) e Incêndios da Alma (2016), tendo recebido três prêmios por este, incluindo o Prêmio Capes de Teses (2015). Seu primeiro livro de poemas, Todos os meus Humores, foi publicado em junho de 2020. Em 2021, lançou pela Penalux o livro de contos No útero não existe gravidade, finalista do 3º Prêmio Mix Literário de 2021. RevistaursulaSenado
Obras principais:
- O Teatro de Deus (2011) — Não-ficção
- Incêndios da Alma (2016) — Não-ficção; Prêmio Capes de Teses 2015
- Todos os meus Humores (2020) — Poesia
- No útero não existe gravidade (Penalux, 2021) — Contos; Finalista Prêmio Mix Literário
- A boca do mundo (Companhia das Letras, 2025)
Por que ler: Dia Nobre constrói uma escrita que transita entre a história e a ficção, o ensaio e o poema — uma voz que parte da experiência das mulheres para investigar o que a academia e a literatura raramente colocam lado a lado.
37. Giovanna Lima — a pichadora poética de Curitiba
Gênero: Poesia, Arte Urbana | Origem: Curitiba, PR
Com a assinatura de G.L., a artista Giovanna Lima transforma muros e paredes em papel para desenhar sua poesia. Escritora, jornalista e dona do Bek’s Bar em Curitiba, a artista diz que “a arte é o lugar de explodir nossas pulsões existenciais”. (ebp)
Em 2013, foi selecionada pelo concurso literário Litercultura e participou da Antologia Novos Autores Curitibanos. Em 2014, publicou um conto na coletânea Instruções à Cortázar, intitulado Instruções para esquecer um grande amor. No ano seguinte, fez parte de outra coletânea homenageando Franz Kafka, com o conto Âncora. (plural)
Desde 2014, a rua passou a ser seu principal suporte de publicação, assinando como G.L. Já realizou intervenções poéticas em Curitiba, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, Montevidéu, Buenos Aires, Santiago e no Deserto do Atacama. Em 2026, realizou Reinventário, sua primeira exposição individual, reunindo poemas criados ao longo de mais de dez anos de trajetória, exibidos em diferentes suportes como quadros, bandeiras, relógios, espelhos e balões. (plural)
Por que ler: G.L. prova que a poesia não precisa esperar uma editora — ela pode estar no muro da esquina, na porta de um bar, no Deserto do Atacama. Uma das vozes mais singulares da cena literária curitibana.
38. Sandra Godinho — a ficção que vem da Amazônia
Gênero: Romance, Conto | Origem: São Paulo, SP (radicada em Manaus, AM)
Sandra Godinho é mestre em Letras e publicou doze livros. É autora de obras como Tocaia do Norte (finalista do Prêmio São Paulo de Literatura), Nós, Cegos (vencedor do 1º Prêmio Carolina de Jesus e do PNAB 2024) e A Secura dos Ossos (finalista do Prêmio Leya 2022). É militante do movimento Mulherio das Letras. (Mirada | Wikipedia)
É considerada uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira contemporânea de autoria feminina surgidas na Amazônia nas duas primeiras décadas do século XXI. (Academia.edu)
Obras principais:
- Tocaia do Norte — Finalista Prêmio São Paulo de Literatura
- Nós, Cegos — Prêmio Carolina de Jesus; PNAB 2024
- A Secura dos Ossos — Finalista Prêmio Leya 2022
- Memórias de uma Mulher Morta (PRAGA/TAUP, 2025) — Finalista Prêmio Leya 2021
Por que ler: Sandra Godinho escreve uma ficção amazônica que não cabe em prateleiras — romances que atravessam êxodo rural, violência, fé e resistência com uma linguagem própria e cada vez mais reconhecida nacionalmente.
39. Ryane Leão — a poesia que chegou a todos
Gênero: Poesia | Origem: Cuiabá, MT
Nascida em Cuiabá (MT) e radicada em São Paulo, Ryane Leão construiu uma carreira sólida com uma poesia que dialoga diretamente com questões contemporâneas. Em seus textos, ela aborda empoderamento feminino e negro, ancestralidade, cura, afeto, coragem e amor próprio. É mulher negra, poeta e professora, criadora do projeto Onde jazz meu coração, nas redes sociais. (Unicamp | Goodreads)
Seus dois primeiros livros, Tudo nela brilha e queima (2017) e Jamais peço desculpas por me derramar (2019), já venderam juntos mais de 250 mil exemplares. (Unicamp)
Obras principais:
- Tudo nela brilha e queima (Planeta, 2017)
- Jamais peço desculpas por me derramar (Planeta, 2019)
Por que ler: Ryane Leão prova que poesia acessível pode ser boa poesia — e que democratizar a literatura não significa empobrecê-la.
40. Barbara Mançanares — a poesia que se borda e se escreve
Gênero: Poesia | Origem: Sul de Minas Gerais (atualmente no sul da Bahia)
Bárbara Mançanares é poeta e bordadeira. Nasceu no sul de Minas Gerais e vive atualmente no sul da Bahia. Possui graduação em História pela UFOP e mestrado em Museologia e Patrimônio pela UNIRIO. (Cenariominas)
É autora de Maio (Quintal Edições, 2018), Cartografias do corpo que canta (Editora Patuá, 2021) e A voz incauta das feras (Editora Patuá, 2024). Seu segundo livro foi vencedor do Prêmio Nacional Mozart Pereira Soares de Literatura na categoria Poesia em 2023. (Cenariominas)
Em 2025, lançou A dança áspera das raízes (TAUP/Selo Praga, 136 páginas) — livro em que a experiência humana aparece como matéria física: terra, água, sal, pedra, ossos, maré, geada, mapa. No centro do livro está o luto — especialmente o luto de uma figura paterna — tratado com uma delicadeza que não suaviza a dor, mostrando como ele se infiltra no cotidiano e muda o corpo de quem fica. (tomaaiumpoema)
Seu projeto de romance Depois de mim não haverá nada foi selecionado pelo Edital Público Rumos Itaú Cultural 2023-2024, na área de Literatura (PublishNews)
Obras principais:
- Maio (Quintal Edições, 2018) — Poesia
- Cartografias do corpo que canta (Editora Patuá, 2021) — Prêmio Nacional Mozart Pereira Soares 2023
- A voz incauta das feras (Editora Patuá, 2024) — Poesia
- A dança áspera das raízes (TAUP/Selo Praga, 2025) — Poesia
- Depois de mim não haverá nada (Patuá, 2026) — Romance; Rumos Itaú Cultural 2023-2024
Por que ler: a poesia de Bárbara Mançanares trata a linguagem como um tecido a ser bordado — perfura, colore, desfaz e recomeça. A dança áspera das raízes é arqueologia afetiva: cava para compreender, honrar e não se perder — e encontra, no fundo, raízes em movimento.
41. Sabrina Dalbelo — a poesia que nasce do cotidiano
Gênero: Poesia | Origem: Brasil
Gaúcha, formada em Direito, servidora pública federal, mãe e poeta. Escreve sobre o cotidiano, o simples, a partir do seu lugar de mulher. Publicou, em 2017, seu primeiro livro de poesia, Baseado em Pessoas Reais (Poesias Escolhidas, 2017). Em 2018, publicou Lente de Aumento para Coisas Grandes (Penalux) e, em 2020, Rasga-ossos (Penalux), finalista do Prêmio Açorianos de Literatura e do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores – AGES. Em 2023, seu livro AB Cena foi selecionado, entre 487 originais, para ser publicado pela Editora Urutau. Com ele, venceu o Prêmio AGES na categoria poesia em 2024. Seu livro mais recente, Voltei para buscar meus olhos, é considerado por ela seu trabalho de poesia mais maduro. (Olaserragaucha | Jornal Semanário)
Obras principais:
- Baseado em Pessoas Reais (Poesias Escolhidas, 2017)
- Lente de Aumento para Coisas Grandes (Penalux, 2018)
- Rasga-ossos (Penalux, 2020) — Finalista Prêmio Açorianos e AGES
- AB Cena (Urutau, 2023) — Prêmio AGES 2024
- O nome dela não importa (TAUP, 2024)
- Voltei para buscar meus olhos (2025)
Por que ler: a poesia de Sabrina Dalbelo nasce do olhar atento ao cotidiano — a maternidade, o corpo, o simples — com uma precisão que revela o extraordinário onde ninguém esperava encontrá-lo.
42. Stephanie Borges — poesia, tradução e teoria feminista negra
Gênero: Poesia, Tradução | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1984)
Stephanie Borges nasceu no Rio de Janeiro em 29 de outubro de 1984. Jornalista, poeta e tradutora, graduou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense. Trabalhou para agências de comunicação e para as editoras Cosac Naify e Globo Livros. (Wikipedia)
Sua pesquisa como poeta — marcada pela leitura de teoria feminista negra e de poetas estadunidenses ligadas ao feminismo e a lutas antirracistas — a estimulou a fazer traduções independentes, tornando-se responsável pela tradução de autoras como Audre Lorde, bell hooks, Alice Walker e Claudia Rankine para o português brasileiro. (Ufsc)
Seu primeiro livro, Talvez precisemos de um nome para isto — uma reflexão sobre a subjetividade das mulheres negras a partir da relação com o cabelo —, venceu o Prêmio Cepe Nacional de Literatura de 2018 na categoria Poesia e foi publicado em 2019. Seus poemas foram publicados na antologia As 29 poetas hoje (2021), organizada por Heloisa Buarque de Holanda, e em revistas como Escamandro, Ruído Manifesto e Pessoa. (Wikipedia | Ufsc)
Obras principais:
- Talvez precisemos de um nome para isto (Cepe, 2019) — Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2018
Por que ler: Stephanie Borges constrói uma poesia que é também investigação — sobre identidade negra, cabelo, corpo e linguagem — com uma voz que cresce igualmente nas páginas e nas traduções que traz para o Brasil.
43. Katiuce Lopes Justino —poesia e formação de leitores
Gênero: Poesia, Crítica literária | Origem: São José do Rio Preto, SP
Katiuce Lopes Justino possui doutorado em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” e mestrado em Literaturas em Língua Portuguesa. Atua na formação de professores, sobretudo na área de Literatura, e mora em São José do Rio Preto, SP. É autora do livro Ver como criança: a poesia como exercício do olhar (Toma Aí Um Poema, 2022), obra que mistura crítica literária e formação de professores. Com ilustrações de Jéssica Iancoski, publicou o livro Mancha Gráfica (Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Ver como criança: a poesia como exercício do olhar (TAUP, 2022)
- Mancha Gráfica (TAUP, 2023)
Por que ler: Katiuce Lopes Justino trabalha na interseção entre a criação poética e a formação de leitores — acreditando que a poesia é, antes de tudo, um exercício de olhar.
44. Letícia Negreti — voz emergente
Gênero: Poesia, Teatro, Audiovisual | Origem: São Paulo
Letícia Negretti é atriz, produtora de elenco, dramaturga e poeta. Formada pela Teatro Escola Célia Helena e em Audiovisual pelo Senac, atua no teatro e no cinema, com passagem pela equipe de pesquisa e elenco do filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles. Autora de Ossos (TAUP, 2024), esteve na FLIP 2025, na roda de conversa “Poéticas do Corpo e da Voz”.( Substack)
Sua pesquisa articula corpo, voz e literatura — explorando a performance poética como escrita expandida, integrando práticas de voz, ritmo, respiração e corporalidade. (Substack)
Obras principais:
- Ossos (TAUP, 2024) — Poesia
Por que ler: Letícia Negretti é uma das vozes que prova que a poesia não existe apenas na página — ela existe no corpo, na voz, na presença. Ossos é o ponto de chegada de uma artista que transita entre o teatro, o cinema e a palavra escrita.
45. Amara Moira — a existência não pede desculpas
Gênero: Romance, Memória, Crônica | Origem: São Paulo, SP
Amara Moira é travesti, feminista, doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp — com tese sobre as indeterminações de sentido no Ulysses de James Joyce — e professora de literatura. Foi a primeira pessoa transgênero a defender um doutorado na Unicamp usando o nome social. (Bot Verification | João Pessoa)
Seu livro E se eu fosse puta (N-1 Edições, 2016) e Neca: romance em bajubá (Companhia das Letras, 2024) são referências para pensar a produção literária atual e a intelectualidade trans no Brasil. E se eu fosse puta traz textos retrabalhados de um blog de mesmo nome, criado para tentar entender o processo pelo qual estava passando — assumir a identidade de travesti e se tornar prostituta e escritora. (O Odisseu | Metrópoles)
Obras principais:
- E se eu fosse puta (N-1 Edições, 2016)
- Neca + 20 poemetos travessos (Editora O Sexo da Palavra, 2021)
- Neca: romance em bajubá (Companhia das Letras, 2024)
Por que ler: Amara Moira escreve sobre a experiência trans no Brasil com uma honestidade e uma inteligência que nenhum texto exterior consegue reproduzir — e prova que literatura de testemunho pode ser, ao mesmo tempo, teoria, humor e urgência.
46. Mar Becker — poesia do sul do Brasil
Gênero: Poesia | Origem: Passo Fundo, RS
Mar Becker nasceu em Passo Fundo (RS) e vive em São Paulo. Graduou-se em Filosofia pela Universidade de Passo Fundo e se especializou em Epistemologia e Metafísica pela Universidade Federal da Fronteira Sul. (Circulodepoemas | Wikipedia)
Com seu livro de estreia, A mulher submersa (Urutau, 2020), foi finalista do Prêmio Jabuti de 2021 na categoria Poesia e conquistou o Prêmio Minuano de Literatura. Em tradução para o inglês feita por Johnny Lorenz, foi publicada no Columbia Journal, da Escola de Artes da Universidade de Columbia, e foi também traduzida para o francês e publicada na Europe, revista literária francesa fundada por Romain Rolland. (Wikipedia)
Publicou Sal pela Assírio & Alvim Brasil, com o qual venceu o Prêmio Ages Livro do Ano (Associação Gaúcha de Escritores). Com seu terceiro livro, Canção derruída, entrou para o catálogo da Assírio & Alvim em Portugal. Em 2026, venceu o Prêmio APCA na categoria Poesia com Noite devorada (Círculo de Poemas). (Wikipedia | PublishNews)
Obras principais:
- A mulher submersa (Urutau, 2020) — Finalista Prêmio Jabuti 2021
- Sal (Assírio & Alvim Brasil, 2022) — Prêmio Ages Livro do Ano
- Canção derruída (Assírio & Alvim Portugal, 2023)
- Noite devorada (Círculo de Poemas, 2025) — Prêmio APCA 2026
Por que ler: Mar Becker é uma das vozes mais premiadas da nova geração da poesia brasileira — com uma obra que já circula em inglês, francês e Portugal, e que se afirma a cada livro como uma das mais importantes do sul do país.
47. Monique Malcher — a ficção que vem da Amazônia
Gênero: Conto, Romance | Origem: Santarém, PA (1988)
Monique Malcher nasceu em 1988 em Santarém, no interior do Pará, e hoje reside em São Paulo. É escritora, artista plástica e jornalista, mestra em Antropologia e doutora com enfoque em Antropologia e Estudos de Gênero. (Flip)
Venceu por sua obra de estreia, Flor de gume (Jandaíra), o Prêmio Jabuti de 2021 na categoria de contos, tornando-se a segunda mulher nortista a ganhar essa premiação literária entre livros de ficção. Em 2023, o livro foi homenageado em eventos nas bibliotecas Cambridge Public Library e Boston Public Library, nos Estados Unidos, além de integrar o programa de estudos de gênero em Harvard. A obra foi publicada em espanhol pela Fondo de Cultura Económica. Seu primeiro romance, Degola, foi lançado em 2025 pela Companhia das Letras. (Flip | Agora na Região)
Obras principais:
- Flor de gume (Jandaíra, 2020) — Prêmio Jabuti 2021 (Contos)
- Degola (Companhia das Letras, 2025) — Romance
Por que ler: Monique Malcher escreve com uma prosa poética intensa que passeia pelas ruas e pelas águas do Pará, trazendo à tona dores de meninas, mães e avós — três gerações de mulheres fortes em histórias que o Brasil precisa ouvir.
48. Ieda Magri — a prosa que pensa o que sente
Ieda Magri nasceu em Águas Frias, uma pequena cidade de Santa Catarina, e vive no Rio de Janeiro. É doutora em Literatura Brasileira pela UFRJ e professora associada do departamento de Literatura Brasileira e Teoria da Literatura da UERJ. É autora dos romances Um crime bárbaro (Autêntica Contemporânea, 2022), Uma exposição (Relicário, 2021), Ninguém (7Letras, 2016), Olhos de bicho (Rocco, 2013) e Tinha uma coisa aqui (7Letras, 2007). (Escavador)
Obras principais:
- Tinha uma coisa aqui (7Letras, 2007) — Romance
- Olhos de bicho (Rocco, 2013) — Romance
- Ninguém (7Letras, 2016) — Romance
- Uma exposição (Relicário, 2021) — Romance
- Um crime bárbaro (Autêntica Contemporânea, 2022) — Romance
Por que ler: a prosa de Ieda Magri tem a qualidade rara de ser ao mesmo tempo rigorosa e sensível — romances que investigam o amor, o tempo e a identidade com uma precisão que une o intelectual e o cotidiano.
49. Laura Cohen Rabelo — a escrita que se constrói
Gênero: Romance, Poesia | Origem: Belo Horizonte, MG
Laura Cohen Rabelo nasceu e vive em Belo Horizonte. É escritora, professora e editora. Formada em Letras e mestre em Estudos Literários pela FALE/UFMG. É idealizadora e coordenadora do projeto Estratégias Narrativas, onde ministra oficinas de criação literária e edição desde 2013, e leciona no curso de Escrita Criativa no IEC-PUC Minas desde 2020. (Bsp)
Publicou os romances Canção sem palavras (Scriptum, 2017) e Caruncho (Impressões de Minas, 2022), que venceu o Prêmio Academia Mineira de Letras de 2023, e os livretos de poesia Ferro (Leme, 2016), Escrever é uma maneira de se pensar para fora (Leme, 2018) e O Ano do Boi (2021). (Bsp)
Obras principais:
- Ferro (Leme, 2016) — Poesia
- Canção sem palavras (Scriptum, 2017) — Romance
- Caruncho (Impressões de Minas, 2022) — Romance; Prêmio Academia Mineira de Letras 2023
Por que ler: Laura Cohen Rabelo é uma escritora que acredita que a literatura se constrói — e prova isso tanto na ficção quanto no trabalho que faz formando outros escritores há mais de uma década.
50. Elisa Lucinda — poesia, voz e presença
Gênero: Poesia, Teatro | Origem: Vitória, ES (1958)
Elisa Lucinda nasceu em Vitória (ES), em 1958, onde se formou em Jornalismo. Em 1986, mudou-se para o Rio de Janeiro, com o objetivo de seguir a carreira de atriz. É poetisa, atriz, jornalista, professora e cantora, além de idealizadora e fundadora da Casa Poema, com foco na arte-educação. Possui quase 20 livros publicados e é uma das escritoras que mais popularizam a poesia no Brasil. (Senado | MIX PALESTRAS)
Entre suas publicações infantojuvenis, A Menina Transparente recebeu, em 2002, o prêmio Altamente Recomendável da FNLIJ. O espetáculo O Semelhante — em que declamava versos e conversava com a plateia — estreou no Rio e teve temporadas de sucesso em várias capitais do Brasil. (MIX PALESTRAS)
Obras principais:
- Salvo engano, é primavera (1996)
- A Linguagem dos Afetos (2010)
- A Menina Transparente — Prêmio FNLIJ 2002 (infantojuvenil)
Por que ler: Elisa Lucinda é poesia que precisa ser ouvida — mas que também existe na página com força própria. Uma das vozes que mais fez a poesia chegar a quem nunca havia lido um poema.
51. Aline Monteiro — poesia do corpo e da palavra
Gênero: Poesia, Performance | Origem: Norte/Nordeste do Brasil (radicada na Paraíba)
Aline Monteiro é artista do corpo e da palavra. É graduada em Letras-Inglês e mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal de Rondônia. Faz parte da equipe de poetas da revista Fazia Poesia e atua como professora de inglês no IFPB. (Tomaaiumpoema)
Tem poemas publicados na antologia intercontinental O Mundo é Poesia e na coletânea Primeira Fagulha, organizada pelo Clube das Escritoras de Rondônia. Considera-se norte-nordestina, mas questiona a invenção das fronteiras — as quatro regiões do país onde residiu convivem dissolvidas umas nas outras dentro de si. Anseia por confluências entre linguagens artísticas como poesia, performance, dança e fotografia. Seu livro Fatias de Fome (TAUP) é descrito como um grito político que, através da palavra e da performance corp-oral, dá voz à indignação pela desigualdade e pela banalidade do mal normalizado. (Ruído | Manifesto | Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Fatias de Fome (TAUP) — Poesia/performance
- Uçá (2025, TAUP)
Por que ler: Aline Monteiro escreve de um lugar que a literatura brasileira raramente habita — a fronteira entre o norte e o nordeste, entre o corpo e a palavra, entre o poema e a performance.
52. Gabriela Guimarães Gazzinelli — a diplomata que escreve
Gabriela Guimarães Gazzinelli é ex-aluna da UFMG, graduada em Grego pela Faculdade de Letras e mestre em Filosofia Grega pela FAFICH. Também publicou a obra filosófica A vida cética de Pirro (2009). (UFMG | AbeBooks)
Venceu o Concurso Sesc de Literatura 2009 na categoria Romance com Prosa de papagaio, narrativa protagonizada por um papagaio tagarela com inclinações filosóficas e literárias, que observa e revela a vida de uma família humana. Diplomata de carreira e classicista de formação, em seu livro Sob a leveza das asas da noite promove uma transfiguração narrativa ao tratar de temas perenes — o amor, a morte e a poesia — por meio de antigas histórias, estruturadas a partir de textos do orfismo. (UFMG | Academia)
Obras principais:
- Fragmentos órficos (tradução, 2007)
- A vida cética de Pirro (2009) — Filosofia
- Prosa de papagaio (2009) — Prêmio Sesc de Literatura 2009
- Sob a leveza das asas da noite — Romance
Por que ler: Gabriela Guimarães Gazzinelli é uma escritora-diplomata formada nos clássicos gregos que usa esse repertório para criar romances de uma inteligência e elegância raras na literatura brasileira.
53. Monique Lima — poesia, romance e rádio
Gênero: Poesia, Romance | Origem: Rio de Janeiro, RJ
Monique Lima de Oliveira é pós-doutoranda em Ciências Sociais, doutora em sociologia (Unicamp) e mestra em educação, com formação também em comunicação social/jornalismo. Pesquisa teatro, cultura e sociedade e educação popular. Publicou dois romances, um livro de poemas, um de contos e escreve letras de música. Entre 2020 e 2022, criou e apresentou o programa mensal de poesia Aguaceiro, nas rádios Graviola, Cafundó e Literária Carrapato. (Escavador)
Obras principais:
- TROAR (2023, TAUP) — Poesia
- Mar Intimo (2025, TAUP) — Poesia
Por que ler: Monique Lima transita com naturalidade entre a pesquisa acadêmica, a poesia, o romance e o rádio — uma das vozes mais multifacetadas da cena literária carioca contemporânea.
54. Carol Bensimon — o amor que não cabe nas categorias
Gênero: Romance, Conto | Origem: Porto Alegre, RS (1982)
Carol Bensimon é jornalista e escritora gaúcha — e uma das vozes mais importantes da literatura LGBTQIA+ brasileira Carol Bensimon nasceu em Porto Alegre, em 1982. Seu primeiro romance, Sinuca embaixo d’água (2009), foi finalista do Jabuti e do Prêmio São Paulo de Literatura. É autora de Todos nós adorávamos caubóis (2013) e O clube dos jardineiros de fumaça (2017), este último vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Os livros de Bensimon foram traduzidos nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Espanha e na Argentina. É mestre em escrita criativa pela PUCRS. (Companhia das Letras)
Em 2012, foi incluída na edição Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros da revista britânica Granta. (Goodreads)
Obras principais:
- Pó de parede (Não Editora, 2008) — Novelas; Finalista Açorianos
- Sinuca embaixo d’água (Companhia das Letras, 2009) — Finalista Jabuti e SP de Literatura
- Todos nós adorávamos caubóis (Companhia das Letras, 2013) — Traduzido em 5 países
- Uma estranha na cidade (Dublinense, 2016) — Crônicas
- O clube dos jardineiros de fumaça (Companhia das Letras, 2017) — Prêmio Jabuti 2017
Por que ler: Carol Bensimon escreve sobre amor, perda e identidade com uma clareza e uma leveza que tornam a leitura tanto prazerosa quanto emocionalmente honesta. Uma das vozes mais premiadas e traduzidas da literatura gaúcha contemporânea.
55. Luciana Andradito — poesia do norte que beira o Bico do Papagaio
Gênero: Poesia, Performance, Teatro | Origem: Fortaleza, CE (1989, radicada no Tocantins)
Luciana Andradito nasceu em 1989 em Fortaleza, no Ceará, e vive no Tocantins desde 1999, em Araguatins. Escritora, poeta, artista, fotógrafa e mediadora cultural, é formada em Teatro pela Universidade Federal do Tocantins. Publicou o livro de poemas Primeira Aparição da Manhã (TAUP, 2022). Integra os coletivos Escreviventes, grupo Lizete e a equipe de poetas do Fazia Poesia. Secretaria da Cultura do Ceará
Primeira Aparição da Manhã é uma seleção de poemas produzidos entre 2008 e 2022 que refletem a passagem do dia e os movimentos oscilantes, interiores e exteriores. Os textos iluminam as angústias, dores, vazios e mistérios que envolvem a existência, com temáticas que incluem o feminino, os relacionamentos, o escatológico e a metapoesia — alguns partindo da simplicidade do cotidiano, outros flertando com regionalismos do norte e nordeste brasileiro. Conexão Tocantins
Obras principais:
- Primeira Aparição da Manhã (TAUP, 2022) — Poesia
- Corpilhas (TAUP, 2025) — Poesia
Por que ler: Luciana Andradito é uma das poucas vozes literárias que nomeia o Tocantins no mapa da poesia brasileira — com uma escrita que transita entre a arte, o teatro, a fotografia e a palavra, a partir de um lugar raramente representado.
56. Ana Agnolo — identidade, mulher negra e interseccionalidade
Gênero: Poesia | Origem: São José dos Pinhais, PR (radicada em Curitiba)
Ana Agnolo é natural de São José dos Pinhais e residente em Curitiba, no Paraná. É licenciada em Artes Visuais pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (UNESPAR/EMBAP). Artista em essência e autora estreante, dedica-se à escrita desde a adolescência, utilizando-a principalmente como ferramenta de autoconhecimento. Pautada pela filosofia, espiritualidade e psicanálise, sua produção trata da relação metafísica entre o corpo e a essência imaterial do ser. (Tomaaiumpoema)
Seu livro Na Carne Absoluta (TAUP) propõe uma investigação sensível e crítica sobre a identidade, explorando as tensões entre herança e construção de si. A estrutura da obra reflete essa trajetória de enfrentamento e reconstrução: a primeira parte, Fêmea, evidencia a marca indelével da história e seu impacto na subjetividade; em Mulher, a narrativa se desloca para um campo de reflexão e resistência, no qual o autoconhecimento se revela como caminho para a emancipação. (Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Na Carne Absoluta (TAUP) — Poesia
Por que ler: Na Carne Absoluta coloca a identidade da mulher negra não como tema a ser explorado de fora, mas como sujeito que se constrói e se narra — uma distinção fundamental.
57. Jussara Salazar — poesia entre Pernambuco e Paraná
Gênero: Poesia | Origem: Pernambuco (radicada em Curitiba, PR, desde 1985)
Nascida em Pernambuco, em 1959, Jussara Farias de Mattos Salazar vive em Curitiba desde 1985. Descendente de indígenas, negros e brancos, é artista plástica com várias exposições realizadas pelo país. Mestre em Letras pela UFPR (2010) e doutora em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade de São Paulo (2016). (Nordestinadosaler | Substack)
Publicou Inscritos da casa de Alice (1999), Natália (2004), Coraurissonoros (Buenos Aires, 2008), Carpideiras (7Letras, 2011), finalista do Prêmio Portugal Telecom. Seu livro O Dia em que Fui Santa Joana dos Matadouros (Cepe, 2020) — vencedor do Prêmio Hermeliano Borba Filho e finalista do Jabuti — traz poemas inspirados em três histórias de mulheres marcadas pela violência: uma tia-avó da própria autora, Maria Bueno (degolada no século XIX e cultuada como santa popular no Paraná) e uma cantora atingida por bala perdida no Rio de Janeiro. (Ruído Manifesto | Biblioteca Pública do Paraná)
Obras principais:
- Carpideiras (7Letras, 2011) — Finalista Prêmio Portugal Telecom
- Fia (Selo Demônio Negro, 2016)
- Bugra (2021)
- O dia em que fui Santa Joana dos Matadouros (Cepe, 2020) — Prêmio Hermeliano Borba Filho; Finalista Jabuti
Por que ler: Jussara Salazar é uma das vozes mais rigorosas e singulares da poesia brasileira contemporânea — uma poeta-pesquisadora que trabalha com oralidade popular, violência de gênero e ancestralidade com uma precisão que raramente encontramos na poesia de qualquer geração.
58. Flavia Ferrari — poesia do cotidiano e da passagem
Gênero: Poesia | Origem: Santana de Parnaíba, SP
Flavia Ferrari (Santana de Parnaíba/SP) é mãe, professora, escritora e poeta. Escreve contos infantis desde 2014. Estreou na poesia em 2020, no início da pandemia. Teve poemas publicados pela Escrita Cafeína, pela Revista Pixé e pela Toma Aí Um Poema. É autora do livro Meio-Fio: Poemas de Passagem. Tomaaiumpoema
Obras principais:
- Meio-Fio: Poemas de Passagem (TAUP) — Poesia
- É Tudo ficção (TAUP) — Poesia
- Espólio (TAUP) — Poesia
Por que ler: Flavia Ferrari prova que a poesia nasce do olhar — e que o cotidiano de uma mãe e professora, visto com atenção, é matéria suficiente para uma linguagem intensa e verdadeira.
59. Mariana Brecht — literatura, jogos e clima
Gênero: Romance, Livro-jogo, Literatura infantojuvenil | Origem: São Roque, SP (1990)
Mariana Brecht é escritora, roteirista, designer de narrativas de jogos. Assinou o roteiro de A Linha, primeira obra brasileira contemplada com um Primetime Emmy, e de O Chamado da Semente, obra em realidade virtual. Estreou na literatura com Brazza (Editora Moinhos, 2020), romance de autoficção finalista do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Romance de Estreia, e publicou também Labirinto (Editora Jandaíra, 2021), livro-jogo de poesias contemplado pelo ProAC. Seu infantojuvenil A menina com os pés no chão (Florear, 2023) foi finalista do Prêmio Jabuti em 2024. Em Foi acabar bem na nossa vez (Editora Rocco, 2025), romance para adultos, acompanha a trajetória de Maria Clara, designer de jogos que retorna à cidade natal após perder o emprego em meio ao colapso tecnológico, explorando disputas por território e soluções ambientais superficiais. (Festivalpath | Jornal do Brás | Mirada)
Obras principais:
- Brazza (Editora Moinhos, 2020) — Romance; Finalista Prêmio SP de Literatura
- Labirinto (Editora Jandaíra, 2021) — Livro-jogo de poesias; ProAC
- A menina com os pés no chão (Florear, 2023) — Infantojuvenil; Finalista Jabuti 2024
- Foi acabar bem na nossa vez (Rocco, 2025) — Romance
Por que ler: Mariana Brecht é uma das escritoras brasileiras que mais cruza fronteiras — entre a ficção e os jogos, entre a literatura adulta e a infantojuvenil, entre o presente e o futuro que nos espera se não mudarmos de rota.
60. Ellen Lima Wassu — a canoa voltando para a enseada
Gênero: Poesia | Origem: Rio de Janeiro, RJ (povo Wassu Cocal, Alagoas)
Ellen Lima é poeta, escritora e pesquisadora indígena de origem Wassu-Cocal. É mestre em artes e investigadora no Programa Doutoral em Modernidades Comparadas: Literaturas, Artes e Culturas, na Universidade do Minho, em Portugal, onde reside desde 2020. (Itaú Cultural)
Publicou em 2021 Ixé ygara voltando pra ‘y’kûá (Urutau) — livro de poemas, em português e tupi antigo, que exploram a diáspora e o retorno de uma mulher indígena à sua ancestralidade. O fio condutor é a volta a si, uma reocupação do território íntimo e cultural após ser atravessado pela ocidentalização. Em 2023, publicou yby kûatiara um livro de terra (Urutau). Pesquisa as relações entre expropriações de território e identidade no discurso visual e literário dominante — um estudo que ela denomina “poéticas da expropriação”. (EBC Rádios | ALKANTARA)
Obras principais:
- Ixé ygara voltando pra ‘y’kûá (Urutau, 2021) — Poesia em português e tupi antigo
- yby kûatiara um livro de terra (Urutau, 2023) — Poesia
Por que ler: Ellen Lima Wassu escreve em duas línguas e dois tempos — o presente da diáspora e o passado ancestral — construindo uma poesia que é ao mesmo tempo retorno, resistência e reocupação de território.
61. Jovina Renhga — a palavra kaingang em Curitiba
Gênero: Literatura indígena | Origem: Curitiba, PR (povo Kaingang)
Jovina Renhga é Kaingang, da Aldeia Kakané Porã, de Curitiba, e é escritora da literatura indígena. Ela e seu companheiro, o escritor Olívio Jekupé, estão entre as referências da nova geração da literatura indígena brasileira. O casal produziu obras em conjunto sobre a casa de passagem indígena de Curitiba e sobre a pandemia de COVID-19, documentando lutas recentes do movimento indígena no país. (Brasil de Fato | Nonada Jornalismo)
Em parceria com Olívio Jekupé, deu vida à obra Coronavírus nas Aldeias, publicada pela UEPG dentro da Coleção Retomadas. (Uvpr)
Obras principais:
- Coronavírus nas Aldeias (UEPG) — coautoria com Olívio Jekupé
- Uma mulher Kaingang (Donizela) — Poesia
Por que ler: Jovina Renhga escreve de dentro da comunidade kaingang urbana de Curitiba — um lugar que a literatura brasileira raramente olhou — com uma urgência que é, ao mesmo tempo, política e literária.
62. Valeska Brinkmann — poesia, tradução e Berlim
Gênero: Poesia, Literatura infantil, Tradução | Origem: Rio Grande do Sul (radicada em Berlim, Alemanha)
Valeska Brinkmann estudou Rádio e TV na FAAP em São Paulo e trabalha na emissora de rádio e TV pública de Berlim, onde vive há mais de 14 anos. Escreve contos e histórias para crianças e publicou em 2016 Pedrina – A perua que queria ser Pavão / Die Pute die ein Pfaul sein wollte (Bübül Verlag, Berlim), livro bilíngue português-alemão. Como tradutora, realizou a tradução de poemas da poetisa alemã Hilde Domin para o português. escamandro
Obras principais:
- Pedrina – A perua que queria ser Pavão (Bübül Verlag, Berlim, 2016) — Literatura infantil bilíngue português-alemão
- Tudo que fala canta (TAUP) — Poesia
Por que ler: Valeska Brinkmann é uma escritora gaúcha que faz a ponte entre o Brasil e a Alemanha — construindo, em dois idiomas e dois países, uma obra que une a infância e a poesia.
63. Bruna Mitrano — a periferia que a poesia precisa ver
Gênero: Poesia | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1985)
Bruna Mitrano nasceu em 1985 no Rio de Janeiro. Filha de camelô e neta de lavadeira, é mestre em Literatura pela UERJ, professora, escritora, desenhista e articuladora cultural. (Recanto do Poeta)
Nascida e criada em uma periferia do Rio de Janeiro, que só ganha destaque na imprensa por casos de violência, ela traz essa brutalidade de um cotidiano duro e cruel para seus escritos — com a mesma naturalidade com que fala sobre o que ninguém quis ver. (Agência Brasil)
Participa da antologia As 29 poetas hoje (Companhia das Letras, 2021), organizada por Heloisa Buarque de Hollanda. Publicou dois livros de poemas: Não (Patuá, 2016) e Ninguém quis ver (Companhia das Letras, 2023). (ERMIRA)
Obras principais:
- Não (Editora Patuá, 2016) — Poesia
- Ninguém quis ver (Companhia das Letras, 2023) — Poesia
Por que ler: Bruna Mitrano é uma das vozes mais necessárias da poesia brasileira contemporânea — escrevendo da periferia carioca com uma precisão que força o leitor a ver o que o Brasil prefere não enxergar.
64. Thaís Campolina — cosmos e cotidiano de Divinópolis
Gênero: Poesia | Origem: Divinópolis, MG (1989)
Thaís Campolina nasceu em Divinópolis (MG), na mesma cidade que Adélia Prado, em 1989, e quase sem querer encarou essa coincidência territorial como um destino. Vencedora do Prêmio Poesia InCrível de 2021 com eu investigo qualquer coisa sem registro, seu primeiro livro de poesia (Crivo Editorial, 2021). Apaixonada por plaquetes, também publicou noticiosas (artesanal, 2023), línguas soltas (Primata, 2024) e frigideira (Tato Literário, 2024). Pós-graduada em Escrita e Criação, é mediadora de leitura nos clubes Cidade Solitária, Leia Mulheres Divinópolis e Casa das Poetas, além de curadora da página Bafo de Poesia. (Reino News Br)
Seu livro mais recente, estado febril (Macabéa Edições, 2024), usa metáforas espaciais para refletir sobre o amadurecimento feminino, explorando memórias, ciência e histórias de mulheres silenciadas pela sociedade. (Portal G37)
Obras principais:
- eu investigo qualquer coisa sem registro (Crivo Editorial, 2021) — Prêmio Poesia InCrível 2021
- noticiosas (artesanal, 2023) — Plaquete
- línguas soltas (Primata, 2024) — Plaquete
- frigideira (Tato Literário, 2024) — Plaquete
- estado febril (Macabéa Edições, 2024) — Poesia
Por que ler: Thaís Campolina aproxima a poeira das estrelas das miudezas cotidianas — uma poesia mineira que carrega o peso de uma cidade que também formou Adélia Prado, mas encontra seu próprio caminho.
65. Luciany Aparecida — a Bahia que atravessa a literatura
Gênero: Romance, Conto, Poesia, Dramaturgia | Origem: Vale do Rio Jiquiriçá, BA (1982)
Luciany Aparecida nasceu em 1982 no Vale do Rio Jiquiriçá, Bahia, e atualmente reside em Salvador. É professora, pesquisadora, escritora de romances, contos, dramaturgias e poemas, além de doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Sua tese de doutorado recebeu parecer “aprovada com distinção”. (FULIA)
É professora do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária da PUC-SP. Autora de Macala (2022), plaquete do Círculo de Poemas; Joanna Mina (2021), dramaturgia resultante do edital Dramaturgias em Processo do Teatro da USP. Com a assinatura Ruth Ducaso publicou Florim (2020) e Contos ordinários de melancolia (2017). Em 2023, lançou o romance Mata Doce (Editora Alfaguara), vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2024 e finalista do Prêmio Jabuti 2024. (Escavador | FULIA)
Obras principais:
- Contos ordinários de melancolia (Paralelo 13S, 2017) — como Ruth Ducaso
- Florim (Paralelo 13S, 2020) — como Ruth Ducaso; Romance
- Joanna Mina (2021) — Dramaturgia; Teatro da USP
- Macala (Círculo de Poemas, 2022) — Plaquete de poesia
- Mata Doce (Alfaguara, 2023) — Romance; Prêmio SP de Literatura 2024; Finalista Jabuti 2024
Por que ler: Luciany Aparecida é uma das vozes mais complexas e bem construídas da literatura brasileira contemporânea — com uma obra que transita entre a poesia, o conto, a dramaturgia e o romance, e que tem na ancestralidade e na memória seus fios condutores.
66. Ana Dilah — a poesia concreta e a vida reinventada
Gênero: Poesia | Origem: Rio de Janeiro, RJ
Aos 53 anos, Ana Dilah carrega uma vida dedicada à palavra. Mesmo diante da precariedade do ensino público, alfabetizou-se, tornou-se professora e ingressou no magistério público. Sindicalizou-se, formou-se pedagoga e se especializou em Alfabetização, Administração Escolar e Gestão Pública. Atuou por 28 anos na alfabetização e na direção de escolas. Aposentada a contragosto, passou a se dedicar às artes plásticas, com foco em esculturas, pinturas e cerâmicas. (Jornal Repórter Diário)
Seu livro A Louca Escrevendo seu Nome Na Linha Pontilhada (TAUP) reúne poemas escritos principalmente durante a pandemia, explorando a experimentação visual e sonora da poesia concreta — marca da autora. Em seus versos, brinca com as palavras, utiliza sombras e gradações de intensidade para construir sentidos, abordando questões ligadas à identidade, liberdade, bipolaridade e relações pessoais. (Jornal Repórter Diário)
Obras principais:
- A Louca Escrevendo seu Nome Na Linha Pontilhada (TAUP, 2025) — Poesia concreta
Por que ler: Ana Dilah prova que a literatura começa em qualquer hora da vida — e que a poesia concreta, quando brota de uma experiência real, pode ser ao mesmo tempo visual, política e visceral.
67. Marta Cortezão — Amazônia, feminismo e poesia
Gênero: Poesia | Origem: Tefé, AM (radicada na Espanha desde 2012)
Marta Cortezão nasceu em Tefé, no Amazonas, e vive na Espanha desde 2012. Escritora feminista e antirracista, sua poesia articula a experiência amazônica com a memória, a floresta e a resistência das mulheres. Publicou Banzeiro Manso (Porto de Lenha Editora, 2017), Meu silêncio lambe tua orelha e Amazonidades: gesta das águas (TAUP, 2ª ed. 2024). É organizadora das coletâneas Enluaradas. (Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Banzeiro Manso (Porto de Lenha Editora, 2017) — Poesia
- Meu silêncio lambe tua orelha (TAUP) — Poesia
- Amazonidades: gesta das águas (TAUP, 2ª ed. 2024) — Poesia
Por que ler: a poesia de Marta Cortezão faz da Amazônia não uma paisagem, mas uma visão de mundo — e do feminismo não uma pauta, mas uma poética.
68. Yara Fers — doze livros e uma editora artesanal
Gênero: Poesia, Romance, Literatura infantil | Origem: Ribeirão Preto, SP (radicada na Bahia)
Yara Fers nasceu Yara Fernandes Souza, em Ribeirão Preto (SP) e mora na Bahia. Vive de escrita e literatura, atuando como editora, professora e mentora de escrita. Criou a Editora Arpillera, de livros artesanais. É editora de comunicação do Portal Fazia Poesia e da Revista Aorta. Possui graduação em Comunicação Social e Especialização em Teoria da Literatura e Produção Textual. (Yara Fers)
Publicou 12 livros: Sádica sílaba (Ed. Patuá, 2021), Desmecanismos (independente, 2021), Haicactos e mandacarus (independente, 2022), Meio magma, meio magnólia (Ed. Penalux, 2022), Anatomia de um quase corpo (Ed. Arpillera, 2022), O som do pólen derramado (Ed. Arpillera, 2023), O peito perfurado da terra (Ed. Arpillera, 2024) e Destinas (independente, 2024), além de infantis. Destinas foi finalista do 9º Prêmio Kindle de Literatura. (Yara Fers | Geek Pop News)
Obras principais (seleção):
- Sádica sílaba (Ed. Patuá, 2021) — Poesia
- Meio magma, meio magnólia (Ed. Penalux, 2022) — Poesia
- O som do pólen derramado (Ed. Arpillera, 2023) — Poesia
- Destinas (2024) — Prosa poética; Finalista Prêmio Kindle
Por que ler: Yara Fers é uma das escritoras mais produtivas e artesanais da cena literária independente brasileira — publicou doze livros, fundou uma editora e construiu uma rede de escrita coletiva sem esperar pela chancela do mercado.
69. Marcela Dantés — a ficção mineira que transita na beira da insanidade
Gênero: Romance, Conto | Origem: Belo Horizonte, MG (1986)
Marcela Dantés nasceu em Belo Horizonte, em 1986. É formada em Comunicação Social pela UFMG, pós-graduada em Processos Criativos em Palavra e Imagem pela PUC-MG. Publicou em 2016 a coletânea de contos Sobre pessoas normais pela editora Patuá, livro semifinalista do Prêmio Oceanos, que despertou a atenção de escritores como Maria Valéria Rezende, Daniel Galera e José Eduardo Agualusa. (Escavador)
Em 2020, lançou seu primeiro romance, Nem sinal de asas (Editora Patuá), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Jabuti. Em 2022, lançou João Maria Matilde (Editora Autêntica), também indicado para os Prêmios São Paulo e Jabuti de Literatura. Em 2024, foi para a Companhia das Letras com o romance Vento vazio, que se passa na Serra do Espinhaço, em local fictício próximo à Diamantina, e explora quatro personagens à beira da insanidade. (Tribuna de Minas)
Obras principais:
- Sobre pessoas normais (Patuá, 2016) — Contos; Semifinalista Prêmio Oceanos
- Nem sinal de asas (Patuá, 2020) — Romance; Finalista Jabuti e SP de Literatura
- João Maria Matilde (Autêntica, 2022) — Romance; Finalista Jabuti e SP de Literatura
- Vento vazio (Companhia das Letras, 2024) — Romance
Por que ler: Marcela Dantés escreve sobre a beira da insanidade com uma precisão que só quem foi lá consegue — uma das romancistas mineiras mais consistentes da sua geração.
70. Julia Raiz — tradução, feminismo e poesia
Gênero: Poesia, Tradução | Origem: São Paulo (radicada em Curitiba, PR, desde 2013)
Julia Raiz nasceu em São Paulo e foi morar em Maringá em 2009, para fazer o curso de Letras na UEM. Em 2013, mudou-se para Curitiba, onde fez especialização em Literatura e História Nacional (UTFPR), mestrado e doutorado em Estudos Literários (UFPR). Sua tese é a tradução comentada de ensaios da escritora Anne Carson, com base nos estudos feministas da tradução e o ensaio literário como estratégia pedagógica. (Meusite)
É escritora, tradutora e pesquisadora dos estudos feministas e decoloniais da tradução. Edita em coparceria os blogs literários Totem & Pagu e Pontes Outras, dedicado à tradução de literatura escrita por mulheres. Em Curitiba faz parte do coletivo de escrita Membrana. Publicou diário: a mulher e o cavalo (ContraVento Editorial, 2017) e megamini p/ vc (7Letras, 2019), além de cidade menor (Poesia Primata, 2021). Tem dois livros de tradução no prelo: Bash back! Ultraviolência Queer (Crocodilo Edições) e Mundo Barbie de Denise Duhamel. (TOTEM & PAGU)
Obras principais:
- diário: a mulher e o cavalo (ContraVento Editorial, 2017) — Poesia
- megamini p/ vc (7Letras, 2019) — Poesia
- cidade menor (Poesia Primata, 2021) — Poesia
Por que ler: Julia Raiz é um dos nomes mais consistentes da poesia paranaense — com uma obra que une a pesquisa teórica à criação com integridade rara, e que está construindo, simultaneamente, uma ponte para a poesia escrita por mulheres de outras línguas.
71. Paloma Vidal — entre o Brasil e a Argentina
Gênero: Romance, Conto, Poesia, Ensaio | Origem: Buenos Aires, Argentina (1975, radicada no Brasil desde os 2 anos)
Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires, em 1975, e aos dois anos de idade mudou-se com os pais para o Rio de Janeiro, onde passou a infância e a juventude. A autora, porém, jamais se naturalizou brasileira, e a condição de estar entre duas línguas e duas culturas tem implicações em sua obra. Os temas abordados — tanto nas obras ficcionais quanto acadêmicas — relacionam-se fortemente à sua biografia: desde o primeiro livro de contos, ela se debruça sobre viagens, deslocamentos e o exílio. Itaú Cultural
É escritora, tradutora e professora de Teoria Literária na Universidade Federal de São Paulo desde 2009. Publicou romances, peças, livros de contos, de ensaios e de poesia, entre os quais Algum lugar (2009), Mar azul (2012), Três peças (2014), Dupla exposição (2016), Wyoming e Menini (2018), Estar entre: ensaios de literaturas em trânsito (2019) e Pré-história (2020). Traduziu Clarice Lispector para o espanhol, além de Adolfo Bioy Casares, Silviano Santiago e César Aira. Escavador
Obras principais:
- A duas mãos (7Letras, 2003) — Contos
- Algum lugar (7Letras, 2009) — Romance; Finalista Prêmio SP de Literatura
- Mar azul (Rocco, 2012) — Romance
- Pré-história (7Letras, 2020) — Romance
- Não escrever [com Roland Barthes] (Tinta-da-China Brasil, 2023) — Ensaio
Por que ler: Paloma Vidal escreve a partir de uma experiência de mundo que cruza fronteiras nacionais e linguísticas — e isso amplia radicalmente o repertório da ficção brasileira.
72. Silvana Tavano — de escritora infantil a Prêmio Oceanos
Escritora e jornalista paulistana, formada pela ECA-USP, com pós-graduação em Formação de Escritores pelo Instituto Vera Cruz, Silvana Tavano dedicou-se inicialmente à literatura infantil, tendo ganho o Prêmio Jabuti em 2022 por Sonhozzzz (Salamandra, 2021). Estreou no romance adulto com O último sábado de julho amanhece quieto (Autêntica Contemporânea, 2022), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Revista Pernambuco
Em 2025, seu segundo romance, Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea, 2024) — no qual a narradora reinventa passado e futuro da mãe já falecida —, venceu o Prêmio Oceanos, além de ter concorrido ao Prêmio São Paulo de Literatura e ao Jabuti. Quatro cinco um
Obras principais:
- O último sábado de julho amanhece quieto (Autêntica Contemporânea, 2022) — Romance; Finalista SP de Literatura
- Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea, 2024) — Romance; Prêmio Oceanos 2025
Por que ler: Silvana Tavano chegou ao romance adulto após décadas dedicadas à infância — e trouxe para a ficção adulta a mesma atenção ao que é miúdo e essencial que a faz grande escritora infantil.a.
73. Natalia Timerman — psicanálise, corpo e linguagem
Gênero: Romance, Não-ficção | Origem: São Paulo, SP (1981)
Natalia Timerman nasceu em 1981 em São Paulo. É psiquiatra, mestre em psicologia e doutoranda em literatura. Publicou Desterros: Histórias de Um Hospital-Prisão (Elefante, 2017) e a coletânea de contos Rachaduras (Quelônio, 2019), finalista do Prêmio Jabuti. Pela Todavia, publicou Copo Vazio (2021) e As pequenas chances (2023). (Spotify for Creators)
As pequenas chances parte do encontro fortuito da narradora com o médico de cuidados paliativos que atendeu seu pai nos últimos dias de vida — narrativa sobre o luto, as origens judaicas da família e a busca por pertencimento. (Substack)
Obras principais:
- Desterros: Histórias de Um Hospital-Prisão (Elefante, 2017) — Não-ficção
- Rachaduras (Quelônio, 2019) — Contos; Finalista Jabuti
- Copo Vazio (Todavia, 2021) — Romance
- As pequenas chances (Todavia, 2023) — Romance
Por que ler: Natalia Timerman escreve sobre o corpo, a morte e o desejo com a precisão de quem passou anos escutando o que as pessoas não conseguem dizer diretamente.
74. Mel Duarte — slam, corpo e resistência
Gênero: Poesia, Slam | Origem: São Paulo, SP (1988)
Mel Duarte nasceu em São Paulo em 1988, é escritora, poeta, slammer e produtora cultural. Começou a escrever aos oito anos de idade e iniciou sua atuação no mundo literário participando de saraus em sua cidade em 2006. (FULIA)
Em 2016, foi destaque no sarau de abertura da FLIP — Festa Literária Internacional de Paraty — e foi a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam (campeonato internacional de poesia). Em 2017, foi convidada a representar a literatura brasileira no Festilab Taag, em Luanda, Angola. (FULIA)
Publicou os livros Fragmentos Dispersos (2013), Negra Nua Crua (Ijumaa, 2016) — traduzido para o espanhol —, As bonecas da vó Maria (2018), Querem nos calar: Poemas para serem lidos em voz alta (Planeta, 2019, organizado por Mel Duarte) e Colmeia: Poemas reunidos (Ed. Philos, 2021). (Planetadelivros)
Obras principais:
- Negra Nua Crua (Ijumaa, 2016) — Poesia
- Querem nos calar (Planeta, 2019) — Antologia organizada por Mel Duarte, prefácio de Conceição Evaristo
- Colmeia: Poemas reunidos (Ed. Philos, 2021) — Poesia
Por que ler: a poesia de Mel Duarte é feita para soar — e soa mesmo na página.
75. Bruna Beber — poesia da cidade e do cotidiano
Gênero: Poesia | Origem: Duque de Caxias, RJ (1984)
Bruna Beber nasceu em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Seu livro de estreia foi A fila sem fim dos demônios descontentes (2006). Depois vieram Balés (2009), Rapapés & apupos (2012), Rua da Padaria (2013) e Ladainha (2017). Na infância, passava muito tempo na casa das avós, convivendo com pessoas que gostam de contar histórias e afinando os ouvidos. Bruna é autora de uma poesia que, frequentemente, extrai expressões da vida cotidiana e as desloca para um novo significado. Seus poemas foram traduzidos e publicados na Alemanha, Argentina, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. (SP Leituras)
Obras principais:
- A fila sem fim dos demônios descontentes (7Letras, 2006) — Poesia
- Balés (Língua Geral, 2009) — Poesia
- Rua da Padaria (Record, 2013) — Poesia
- Ladainha (Record, 2017) — Poesia
Por que ler: Bruna Beber transforma o cotidiano urbano — a rua, o barulho, o corpo na cidade — em poesia que tem a estranheza e a precisão de quem olha o banal de um ângulo completamente inesperado.
76. Daniela Rosa — poesia, zine e o corpo no mundo
Gênero: Poesia, Dramaturgia | Origem: São Bento do Sul, SC (radicada em Curitiba, PR)
Daniele Rosa é poeta, performer e mediadora de leitura. Graduada em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná, faz da escrita um modo de vivência investigativa através das relações corpo-mundo. Edita fanzines e publicações artesanais na Conserva Edições. É integrante e cofundadora da Membrana, grupa crítica-afetiva de escritoras e escritores, ouvintes, leitoras e leitores. (Editoraurutau)
Publicou Perpétuo (Urutau, 2021) e café da manhã com arranha-céus (independente, 2023). (Guia)
Obras principais:
- Perpétuo (Urutau, 2021) — Dramaturgia
- café da manhã com arranha-céus (edição da autora, 2023) — Poesia
Por que ler: Daniele Rosa representa o que há de mais vivo na poesia curitibana contemporânea — uma escrita que parte do corpo, da rua e do zine para construir uma linguagem que recusa os lugares-comuns e inventa os seus próprios.
77. Daniela Bonafé — memória, ditadura e direitos humanos
Gênero: Romance híbrido, Poesia, Literatura infantojuvenil | Origem: São Paulo, SP
Daniela Bonafé é escritora, artista e professora de Arte, atuando também como formadora de docentes. Autora de 9 livros, dois deles traduzidos para espanhol e inglês. Paulistana, mãe e feminista, é militante da Educação e dos Direitos Humanos, vencedora do Prêmio Municipal de Educação em Direitos Humanos pela SMDHC em 2017. Membra do Coletivo Escreviventes, articuladora do Mulherio das Letras SP capital e colunista de Literatura para as Infâncias na Revista Voo Livre. (Tomaaiumpoema)
Seu livro Rosas de Chumbo (TAUP) é um romance híbrido que resgata as histórias de 50 mulheres assassinadas pela ditadura militar brasileira, mesclando poesia, diário, crônica, teatro e música para dar voz às mulheres silenciadas pela repressão. Com QR codes que levam a playlists e arquivos históricos, a obra convida o leitor a reconstruir o passado por meio de afeto, sensibilidade e arte. (Senado)
Obras principais:
- Útero — Poesia
- Rosas de Chumbo (TAUP, 2025) — Romance híbrido sobre mulheres assassinadas pela ditadura
Por que ler: Daniela Bonafé escreve como quem sente que a literatura tem uma obrigação com a memória — e Rosas de Chumbo cumpre essa obrigação com inventividade formal e honestidade política.
78. Paula Fábrio — a ficção que radiografa o Brasil
Gênero: Romance | Origem: São Paulo, SP (1970)
Paula Fábrio nasceu em São Paulo, em 1970. É doutora em Letras pela USP e pesquisadora de literatura. Estreou como escritora com o romance Desnorteio, que lhe rendeu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2013. Em seguida, publicou Um dia toparei comigo (2015), No corredor dos cobogós (2020) e Estudo sobre o fim: bangue-bangue à paulista (2022). O original de Casa de família (Companhia das Letras, 2024), seu mais recente livro, recebeu o Prêmio Carolina Maria de Jesus. meusite + 2
Obras principais:
- Desnorteio (Patuá, 2012) — Romance; Prêmio São Paulo de Literatura 2013
- No corredor dos cobogós (SM Edições, 2019) — Infantojuvenil; Prêmio FNLIJ
- Estudo sobre o fim (2022) — Romance
- Casa de família (Companhia das Letras, 2024) — Romance; Prêmio Carolina Maria de Jesus
Por que ler: Paula Fábrio radiografa a sociedade brasileira através do microcosmo familiar — com uma precisão narrativa que faz da pequena escala doméstica um espelho do país.
79. Isa Corgosinho — poesia, pesquisa e o feminino literário
Gênero: Poesia, Ensaio | Origem: Brasília, DF (radicada em João Pessoa, PB)
Isabel Cristina Corgosinho é natural de Brasília/DF, e atualmente reside em João Pessoa/PB. É graduada em Letras Português e Literatura, mestre em Teoria da Literatura, e doutora em Teoria da Literatura pela Universidade de Brasília e Università di Roma, Sapienza. Professora universitária aposentada, poeta, autora de artigos e ensaios sobre literatura nacional e italiana. (Sermulherarte)
Publicou Memórias da pele (livro individual, integrante da Coleção III Mulherio das Letras, Venas Abiertas Editora Popular, 2021) e participou de diversas antologias e coletâneas, entre elas as Enluaradas. Pela TAUP, publicou Eros e Thanatos em Plenos Pecados — obra que cria um universo em que corpo e desejo dialogam com a tradição da literatura erótica. (Sermulherarte | Tomaaiumpoema)
Obras principais:
- Memórias da pele (Venas Abiertas Editora Popular, 2021) — Poesia
- Eros e Thanatos em Plenos Pecados (TAUP) — Poesia
Por que ler: Isa Corgosinho traz para a poesia a bagagem de quem passou décadas lendo e pesquisando literatura de mulheres — e isso se sente em cada escolha formal e temática de sua obra.
80. Paula Valéria Andrade — poesia visual, trilíngue e transmídia
Gênero: Poesia | Origem: Rio de Janeiro, RJ (radicada em São Paulo, SP)
Paula Valéria de Andrade é poeta, escritora, professora, artista audiovisual, diretora de arte e criação. Publicou mais de 25 livros de poesia, arte-educação, didáticos, antologias, prosas e livros infantis. Conquistou os prêmios literários Jabuti, UBE NY, UBE SP e APCA, entre outros, em Portugal, Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha e EUA. (AQUI TEM LITERATURA)
Seu terceiro livro da Trilogia POP Poesia, AWARE, da sensibilidade às coisas efêmeras (SPVI Books, 2025), homenageia os 130 anos de amizade entre Brasil e Japão, estabelecendo um diálogo entre culturas por meio da poesia trilíngue: português, inglês e japonês. Antes, publicou Amores Líquidos & Cenas (2017) e O Novo no Ovo (2021), em parceria com o artista Guto Lacaz. (Jornal Tribuna)
Obras principais (seleção):
- Amores Líquidos & Cenas (2017) — Poesia
- O Novo no Ovo (2021) — Poesia; ProAC-SP 2020
- AWARE (SPVI Books, 2025) — Poesia trilíngue: português/inglês/japonês
- Ravinas! (TAUP, 2026)
Por que ler: Paula Valéria Andrade faz uma poesia que se recusa a caber apenas na página — ela se expande para o visual, o sonoro, o audiovisual, dialogando com culturas de vários continentes.
81. Zélia Puri — a literatura que a floresta escreve
Gênero: Poesia, Literatura indígena | Origem: Povo Puri / Brasil
Zélia Puri é produtora cultural, multiartista, escritora e embaixadora da Paz pelo Cercle Universel des Ambassadeurs de la Paix. É cofundadora do Movimento de Ressurgência Puri e membro do Mulherio das Letras Indígenas. Participou da Antologia Guerreiras da Ancestralidade, que integra as obras que reuniram escritoras indígenas brasileiras em publicações coletivas sobre ancestralidade e resistência, e que venceu o Prêmio Jabuti na categoria Fomento à Leitura em 2023. (ALKANTARA)
Obra principal:
- Fios da Memória (TAUP, 2024)
Por que ler: Zélia Puri escreve desde uma cosmologia que o colonialismo tentou apagar — e que a literatura contemporânea está finalmente aprendendo a escutar.
82. Priscila Branco — poesia, pesquisa e a memória das mulheres
Gênero: Poesia| Origem: Rio de Janeiro, RJ
Priscila Branco é poeta, editora da Macabéa Edições e da revista Toró, mestre em Literatura Brasileira e pesquisadora de poesia contemporânea produzida por mulheres brasileiras por fora do cânone. Doutoranda na UFRJ, faz parte do NIELM — Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Mulher na Literatura. (Ruído Manifesto)
Estreou com açúcar (Macabéa Edições, 2021) e retornou com Desenterrar os ossos, livro dividido em três partes — Comer minhocas da terra, Traumas e mantras e Pés de galinha — que atravessa infância, adultez e velhice com uma escrita que costura memórias, cenas do cotidiano, abusos, lutos, medos e neuroses. A poesia de Priscila Branco transita entre um humor dramático e a melancolia, sempre com um toque de assombro ao final de cada poema. (Macabeaedicoes)
Obras principais:
- açúcar (Macabéa Edições, 2021) — Poesia
- Desenterrar os ossos (Macabéa Edições) — Poesia
Por que ler: Priscila Branco é uma das vozes que mais inteligentemente une a criação poética com a pesquisa sobre o cânone feminino — escrevendo ao mesmo tempo em que recupera o que foi silenciado.
83. Bianca Monteiro Garcia — o luto que virou Jabuti
Bianca Monteiro Garcia é editora da Macabéa Edições e da Taioba Publicações, formada em Letras e especialista em Literatura Brasileira pela UERJ. É também revisora e professora. Pesquisadora independente de poesia contemporânea escrita por mulheres. (Editora 7Letras)
Seu livro de estreia, breve ato de descascar laranjas (2023), rendeu o Prêmio Jabuti em 2024 na categoria Escritor Estreante — Poesia. O livro fala do luto, da loucura e da clausura, dividido em quatro partes — descontinuidade de mohorovičić, crosta, manto e núcleo. É frio, gelado e nostálgico como o azul dos cianótipos que permeiam as páginas, intercalando poemas com fotografias dos anos 90 e rasuras de textos históricos. (Pensador | Le Monde Diplomatique)
Obras principais:
- breve ato de descascar laranjas (Macabéa Edições / 7Letras, 2023) — Prêmio Jabuti 2024 (Escritor Estreante — Poesia)
Por que ler: Bianca Monteiro Garcia prova que estreia pode ser obra-prima — e que o luto, trabalhado com rigor formal e imagens precisas, não precisa de consolação para virar literatura.
84. Giselle Ribeiro — a Amazônia que escreve poesia desbocada e livre
Gênero: Poesia, Literatura infantojuvenil | Origem: Capanema, PA (radicada em Belém, PA)
Giselle Maria Pantoja Ribeiro é natural de Capanema/PA e reside em Belém. É graduada em Letras pela UFPA, especialista em Tecnologia para a Educação Ambiental (UFPA), mestre em Letras, Linguística e Teoria Literária (UFPA) e doutoranda em Estudos da Tradução pela UFSC. Fez formação para Contadora de Histórias em Curitiba/PR e Belém/PA. É professora de Teoria Literária na UFPA, com ênfase em Teoria do Texto Poético, Língua e Literaturas Francesa e Francófonas. Danielabonafe
Com uma produção constante na poesia, por meio de sua personagem-alter-ego Dina, Giselle faz a gestação de uma trilogia iniciada pelo livro Escola para mulheres Safo. Defende a escrita automática e afirma escrever para lubrificar as cordas vocais de todas as mulheres — porque a sociedade lima essas cordas até que nenhum som de prazer ou revolta saia dali. (Danielabonafe)
O Livro invisível ou livro ilustrado de poemas desbocados nasceu de uma experiência de descaso institucional: Giselle venceu um concurso literário em Belém na categoria poesia, assinou contrato de publicação que nunca foi cumprido, e em resposta lançou o livro de forma independente, com um selo próprio de “livro não premiado” e um manifesto de repúdio contra o desrespeito ao trabalho das poetas. (Danielabonafe)
A trilogia da Dina se organiza assim: o primeiro livro, Escola para mulheres Safo, é composto de lutas e amor vividos pelas mulheres; o segundo, Mulheres que suspendem o recreio, é feito só de lutas; e o terceiro, ABCdário das mulheres iniciadas na revolução amorosa, será inteiramente de amor — com poemas cujos títulos correspondem à primeira letra de cada poema. (Danielabonafe)
Obras principais:
- Objeto perdido (Copyright, 2004) — Poesia
- 69 (Copyright, 2009) — Poesia
- Pequeno livro de poemas para vestir bem (Copyright, 2011) — Poesia
- Isso não é um livro. Isso é um caracol (Ponto Press, 2013) — Poesia
- A princesa sem dons para tamanha felicidade (Paka-tatu, 2019) — Infantojuvenil
- A menina com sementes de Líria no pulmão (Folheando, 2020) — Infantojuvenil
- Um gato chamado cachorro (Folheando, 2020) — Infantojuvenil
- Escola para mulheres safo (Folheando, 2020) — Poesia
- Livro invisível ou livro ilustrado de poemas desbocados (Folheando, 2021) — Poesia
- Mulheres que suspendem o recreio (Folheando, 2022) — Poesia
Por que ler: Giselle Ribeiro escreve como quem acredita que a poesia é um ato político de sobrevivência feminina — e sua voz amazônica, erótica e desbocada chega onde a maioria das literaturas recusa entrar.
85. Nara Vidal — a literatura que ganhou o mundo
Gênero: Romance | Origem: Guarani, MG (1974, radicada em Londres)
Nara Vidal nasceu em Guarani, em 1974. Escritora que aborda feminismo, silenciamento das mulheres e racismo. Formada em Letras pela UFRJ, com mestrado em Artes e Herança Cultural pela London Metropolitan University. Reside em Inglaterra desde 2001 — para onde se mudou para estudar Shakespeare. É escritora, professora de escrita criativa, especialista em literatura inglesa, tradutora e editora. (Wikipedia)
Puro (Todavia), vencedor do prêmio de melhor romance da APCA em 2024, é ambientado na fictícia cidade mineira de Santa Graça nos anos 1930 e explora o movimento eugenista no Brasil na época do governo Vargas. O romance foi lançado em francês pela editora La Place em 2025. (Terra)
Obras principais:
- Sorte (Editora Moinhos, 2018) — 3º lugar Prêmio Oceanos 2019
- Mapas para desaparecer — Finalista de prêmios literários
- Eva — Finalista de prêmios literários
- Puro (Todavia) — APCA 2024, Melhor Romance; traduzido para o francês
Por que ler: Nara Vidal é uma das romancistas brasileiras mais premiadas da sua geração — escrevendo da diáspora londrina sobre o Brasil com um olhar que a distância aguça.
86. Bruna Kalil Othero — poesia, performance e os modernistas revisitados
Gênero: Poesia, Ficção, Ensaio | Origem: Belo Horizonte, MG (1995)
Bruna Kalil Othero nasceu em Belo Horizonte, em 1995. Escritora, performer, professora e pesquisadora, é mestre em literatura brasileira pela UFMG. Publicou os livros de poemas Poétiquase (2015), Anticorpo (2017) e Oswald pede a Tarsila que lave suas cuecas (2019, premiado pelo Ministério da Cultura), e a coletânea de ficções Carne (2019). Atualmente é doutoranda na Universidade de Indiana, onde dá aulas de português e espanhol. (Companhia das Letras)
Organizou as coletâneas A Porca Revolucionária: ensaios literários sobre a obra de Hilda Hilst (2018) e Poéticas do devir-mulher: ensaios sobre escritoras brasileiras (com Constância Lima Duarte e André Magri, 2019). (Escavador)
Obras principais:
- Anticorpo (2017) — Poesia
- Oswald pede a Tarsila que lave suas cuecas (2019) — Poesia; Prêmio Ministério da Cultura (100 Anos da Semana de Arte Moderna)
- Carne (2019) — Ficção
Por que ler: Bruna Kalil Othero não respeita os panteões — e é exatamente por isso que sua poesia funciona, confrontando os modernistas com olhar feminista sem perder o afeto pelo que os fez grandes.
87. Marcela Hallack — a beleza incômoda da feiura
Gênero: Poesia | Origem: Minas Gerais
Monólogo miúdo da feiura (TAUP, 136 páginas) é o mais recente livro de Marcela Hallack — uma obra que investiga a Feiura como entidade, explorando suas infinitas possibilidades através de epígrafes que vão de Mary Shelley a Clarice Lispector, do Apocalipse a Dante. As ilustrações de Pedro Loures instalam zonas de desconforto, enquanto o design de Jéssica Iancoski recusa o acabamento convencional com tipografias ásperas e desalinhos na diagramação — o livro, como objeto físico, encarna a própria feiura que discute. (Tribuna de Minas)
Obras principais:
- Monólogo miúdo da feiura (TAUP, 2026) — Poesia
Por que ler: Marcela Hallack faz da feiura não um tema, mas um método — e o resultado é uma poesia que desafia o leitor a olhar para o que normalmente desvia os olhos.
88. Amanda Kristensen — doutora em Letras que cruza poesia e memória
Gênero: Poesia | Origem: Cascavel, PR
Amanda Kristensen é doutora em Letras e atua como docente da área de Estudos Literários na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). É autora das obras Entre-Terras (2020) e Pelas Frestas (2022), bem como do livro de contos infantojuvenis Os segredos de vó Trudes (2022). Assina diversos textos em antologias e faz parte do coletivo literário As Contistas. (meusite)
Doutora em Letras pela Unioeste e autora de obras para a infância e para a adulteza — como gosta de chamar —, Amanda Kristensen mergulha na superfície dos espaços modernos com palavras saturadas da profundidade do peso existencial, propondo reflexões acerca do papel da mulher na contemporaneidade, especialmente diante do absurdo cotidiano da perda e da violência. Algumas de suas produções recentes hasteiam a temática da ancestralidade feminina e a reverberam pelo olhar holístico. (UERJ)
Obras principais:
- Entre-Terras (Patuá, 2020) — Poesia
- Pelas Frestas (Patuá, 2022) — Poesia
- Os segredos de vó Trudes (2022) — Contos infantojuvenis
- (In)significâncias (TAUP, 2024) — Poesia
Por que ler: Amanda Kristensen é a prova de que academia e literatura não são opostos — e que o rigor intelectual pode gerar uma poesia de alta sensibilidade.
89. Gisela Maria Bester — direito, poesia e criatividade
Gênero: Poesia, Haicai, Crônica | Origem: Rio Grande do Sul (radicada no Paraná e no Tocantins)
Gisela Maria Bester é escritora gaúcha radicada no Paraná e no Tocantins, mestra e doutora com estágio pós-doutoral em Direito. Vencedora do 38.º Prêmio Yoshio Takemoto de Literatura 2024 na categoria Haicai. Autora dos livros Pinte-me de Azul (Mondru, 2023 — Troféu Capivara Reconhecimento Literário no Prêmio Literário da Cidade de Curitiba 2024) e Sorrir, esse sacrifício (TAUP, 2024). (Sermulherarte)
Publicou poemas livres, haibuns, haicais, resenhas, prefácios, crônicas, contos e microcontos em revistas literárias brasileiras e internacionais (Portugal, Argentina, Japão). Integra os coletivos literários Escreviventes, RuídoRosa e Marianas, além da Confraria da Poesia Informal e grêmios de haicai. (Literalmente, Uai)
Pinte-me de Azul traz olhares e sentidos humanistas, mostrando uma poesia crítico-social que se volta à defesa de tudo o quanto seja vulnerável. Ao importar-se com a dor alheia, Gisela também chora a dor da Terra — e as palavras são puxadas por um metafórico fio azul catártico que alcança a representatividade de seres diferentes em suas essências. (LiteraturaBr)
Obras principais:
- Pinte-me de Azul (Mondru, 2023) — Poesia; Troféu Capivara Reconhecimento Literário, Prêmio Literário da Cidade de Curitiba 2024
- Sorrir, esse sacrifício (TAUP, 2024) — Poesia/Haicai; 38.º Prêmio Yoshio Takemoto de Literatura 2024
Por que ler: Gisela Maria Bester demonstra que vozes que transitam entre diferentes campos do saber — o direito, a poesia, o haicai — produzem uma literatura de perspectiva única, que une rigor intelectual e defesa radical da vulnerabilidade humana.
90. Nina Rizzi — poesia, diáspora e resistência
Gênero: Poesia, Tradução | Origem: Campinas, SP (1983, radicada em Fortaleza, CE)
Nina Rizzi nasceu em Campinas, em 1983, e atualmente reside em Fortaleza. Formada em História pela UNESP, desenvolveu pesquisas junto ao MST nas áreas de História, Cultura e Educação. É professora de Poesia na Universidade de Fortaleza. (FULIA)
Escritora, tradutora, pesquisadora, professora, editora e curadora, tem poemas, ensaios e traduções publicados em diversas revistas, jornais, suplementos e antologias. Traduziu obras de Alejandra Pizarnik, Susana Thénon, bell hooks, Alice Walker, Toni Cade Bambara, Ijeoma Oluo e Abi Daré. (EBC Rádios)
É autora de tambores pra n’zinga (Multifoco, 2012), a duração do deserto (Patuá, 2014), geografia dos ossos (douda correria, Portugal, 2016), quando vieres ver um banzo cor de fogo (Patuá, 2017) e Sereia no copo d’água (2019). Seu livro mais recente é Diáspora não é lar (Pallas). (Tomodachi Nerd’s)
Obras principais:
- tambores pra n’zinga (Multifoco, 2012)
- a duração do deserto (Patuá, 2014)
- quando vieres ver um banzo cor de fogo (Patuá, 2017)
- Diáspora não é lar (Pallas) — Poesia
Por que ler: Nina Rizzi escreve de dentro de uma diáspora dupla — geográfica e racial — com uma voz que não romantiza nem explora a dor, mas a transforma em linguagem de alta precisão.
91. Calila das Mercês — literatura negra, pesquisa e cartografia afetiva
Gênero: Conto, Poesia, Pesquisa | Origem: Conceição do Jacuípe, BA (1989, radicada em Brasília, DF)
Calila das Mercês nasceu em Berimbau/Conceição do Jacuípe (BA) e mora em Brasília (DF). É poeta, escritora, jornalista e pesquisadora. Doutora em Literatura pela Universidade de Brasília, com pós-doutorado em programa coordenado pela escritora Conceição Evaristo no Instituto de Estudos Avançados da USP (Fonte: Editora Nós). Seu primeiro livro de contos, Planta Oração (Editora Nós, 2022), foi indicado ao Prêmio Jabuti (Fonte: Editora Nós / Quatro Cinco Um). A obra é um livro-poema-conto que une oralidade e ancestralidade — cada texto forma um galho de um tronco-texto carregado de memórias da autora, com aberturas ritmadas que lembram mantras ou ladainhas (Fonte: Editora Nós).
Recebeu o Prêmio Pesquisa Literária da Fundação Biblioteca Nacional (2015) pelo projeto de dissertação e o Prêmio Antonieta de Barros — Jovens Comunicadores Negros e Negras (2016) pelo projeto Escritoras Negras da Bahia (Fonte: Escavador). Em 2024, estreou como curadora da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Fonte: Quatro Cinco Um).
Obras principais:
- Planta Oração (Editora Nós, 2022) — Contos; indicado ao Prêmio Jabuti
Por que ler: Calila das Mercês escreve e pesquisa ao mesmo tempo — e sua ficção carrega a mesma urgência do mapeamento que ela faz das escritoras negras invisibilizadas, como se literatura e militância fossem a mesma coisa.
92. Simone Campos — ficção feminista e uma carreira de duas décadas
Gênero: Romance, Conto | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1983)
Simone Campos nasceu no Rio de Janeiro em 1983. É escritora e tradutora, doutora em literatura pela UERJ. Estreou na literatura aos 17 anos com o romance No shopping (7Letras, 2000). Depois vieram A feia noite (7Letras, 2006), Amostragem complexa (contos, 2009) e OWNED — Um novo jogador (2011). Em 2014 saiu A vez de morrer (Companhia das Letras) e em 2021 Nada vai acontecer com você (Companhia das Letras), lançado no Reino Unido e nos EUA em 2023 pela Pushkin Press (Fonte: site da autora / Amazon Brasil). Seu livro mais recente, Mulher de Pouca Fé (Companhia das Letras, 2025), é uma autoficção sobre sua juventude em uma renomada igreja evangélica neopentecostal no Rio de Janeiro dos anos 1990, desde os rituais de exorcismo até o processo de saída da comunidade aos 17 anos, além de abordar o diagnóstico de autismo recebido já na vida adulta (Fonte: Amazon Brasil / site da autora).
Obras principais:
- No shopping (7Letras, 2000) — Romance
- Amostragem complexa (2009) — Contos; Bolsa Petrobras de Criação Literária
- A vez de morrer (Companhia das Letras, 2014) — Romance; semifinalista Prêmio Oceanos
- Nada vai acontecer com você (Companhia das Letras, 2021) — Romance; publicado no Reino Unido e EUA (Pushkin Press, 2023)
- Mulher de Pouca Fé (Companhia das Letras, 2025) — Autoficção
Por que ler: Simone Campos é uma das romancistas brasileiras com trajetória mais longa e consistente da sua geração — e cada livro representa um salto formal e temático em relação ao anterior.
93. Eliane Marques — poesia, prosa e o Prêmio SP de Literatura
Gênero: Poesia, Romance | Origem: fronteira entre Brasil e Uruguai (1970)
Eliane Marques nasceu em 1970 na fronteira entre Brasil e Uruguai. Publicou Relicário (2009), e se alguém o pano (vencedor do Prêmio Açorianos) e o poço das marianas (vencedor do Prêmio Minuano 2022). Também assina as traduções de obras das poetas cubanas Georgina Herrera e Virginia Brindis de Salas para o português. Coordena a editora Escola de Poesia Amefricana e o selo Orisun Oro, voltado à tradução e publicação de poetas amefricanas no Brasil (Fonte: Amazon Brasil). Na categoria Melhor Romance de Estreia do Prêmio São Paulo de Literatura 2024, foi reconhecida por Louças de família (Autêntica Contemporânea, 2023), história ambientada na fronteira entre Brasil e Uruguai que tem a vida, a morte e a ancestralidade como ponto de partida (Fonte: Folha PE / Biblioteca Parque Villa-Lobos).
Obras principais:
- Relicário (2009) — Poesia
- e se alguém o pano (2015) — Poesia; Prêmio Açorianos
- o poço das marianas (2021) — Poesia; Prêmio Minuano 2022
- Louças de família (Autêntica Contemporânea, 2023) — Romance; Prêmio São Paulo de Literatura 2024, Melhor Romance de Estreia
Por que ler: Eliane Marques construiu durante décadas uma voz poética rigorosa e silenciosa — e quando chegou ao romance, chegou vencendo o maior prêmio individual da literatura brasileira.
94. Camila Nobiling — a diáspora que escreve em Potsdam
Gênero: Poesia, Conto | Origem: Jundiaí, SP (radicada em Potsdam, Alemanha)
Camila Nobiling é natural de Jundiaí, São Paulo. Depois de alguns anos trabalhando como advogada em uma fundação pública em São Paulo, mudou de país. Formou-se em linguística germânica pela Universidade Humboldt em Berlim. Escreve histórias infantis, poesias e contos. Integra o coletivo literário GLENSE e publicou contos e poemas em antologias e em revistas literárias na Alemanha, Portugal e no Brasil. Seu primeiro livro de poemas, Jipe Amarelo, saiu em 2023 pela Editora Folheando (Fonte: Toma Aí Um Poema). Ainda em 2023, lançou Um milímetro e meio pela Editora Toma Aí Um Poema — livro de poemas sobre os caminhos percorridos após um diagnóstico que, por um lado causa choque e dor, e por outro se revela libertador (Fonte: Intransitiva / Toma Aí Um Poema). Vive em Potsdam, Alemanha.
Obras principais:
- Jipe Amarelo (Folheando, 2023) — Poesia
- Um milímetro e meio (TAUP, 2023) — Poesia
Por que ler: Camila Nobiling escreve da diáspora brasileira na Europa — e sua poesia carrega a tensão produtiva de quem pertence a vários lugares ao mesmo tempo, sem se fixar em nenhum.
95. Vanessa Barbara — crônica, romance e o olhar de quem vê tudo torto
Gênero: Romance, Crônica, Reportagem | Origem: São Paulo, SP (1982)
Vanessa Barbara nasceu em São Paulo em 1982. É jornalista e escritora com onze livros publicados. Em 2012, foi escolhida pela revista Granta na edição dos vinte melhores jovens escritores brasileiros. Venceu o Prêmio Jabuti de reportagem por O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008), o Prix du Premier Roman Étranger (França, 2015) por Noites de alface (Alfaguara, 2013) — traduzido para seis idiomas e adaptado para o cinema — e o Prêmio Paraná de Literatura 2014, na categoria romance, por Operação Impensável (Intrínseca, 2015). Colabora com a New York Review of Books e o The New York Times e escreve o almanaque A Hortaliça no Substack (Fonte: site da autora / Penguin Livros). Seu romance mais recente, Três Camadas de Noite (Fósforo, 2024), intercala passagens autobiográficas com pesquisas sobre escritores que sofreram de depressão — Sylvia Plath, Clarice Lispector, Henry James e Franz Kafka — para abordar escrita, saúde mental, maternidade e mitologia grega (Fonte: Google Books / Penguin Livros).
Obras principais:
- O livro amarelo do terminal (Cosac Naify, 2008) — Reportagem; Prêmio Jabuti
- Noites de alface (Alfaguara, 2013) — Romance; Prix du Premier Roman Étranger (França, 2015); traduzido para seis idiomas
- O louco de palestra (Companhia das Letras, 2014) — Crônicas
- Operação Impensável (Intrínseca, 2015) — Romance; Prêmio Paraná de Literatura 2014
- Três Camadas de Noite (Fósforo, 2024) — Romance
Por que ler: Vanessa Barbara é uma das escritoras brasileiras com obra mais traduzida da sua geração — e seu humor torto, preciso e urbano faz da crônica e do romance a mesma coisa: um modo de ver o Brasil com desconfiança afetuosa.
96. Natasha Félix — corpo, erotismo e a palavra como performance
Gênero: Poesia | Origem: Santos, SP (1996, radicada em São Paulo, SP)
Natasha Félix nasceu em Santos em 1996 e é poeta, performer e assistente curatorial no MAM Rio (Fonte: Revista Amarello). Seu livro de estreia, Use o alicate agora (Edições Macondo, 2018), reúne poemas que trabalham violência, erotismo e o corpo feminino e já foi traduzido para o espanhol (Fonte: Edições Macondo). A artista foi destaque na lista Forbes Under 30 de 2019 na categoria Literatura e Artes Plásticas, e publicou nas coletâneas As 29 poetas hoje (Companhia das Letras, 2021) e Nossos poemas conjuram e gritam (Quelônio, 2019), ao lado de Conceição Evaristo, Lívia Natália e Miriam Alves, entre outras (Fonte: Sesc São Paulo). Em 2024 lançou Inferninho, seu segundo livro (Fonte: Sesc São Paulo). Desenvolve performances em parceria com artistas da música, da dança, do teatro e do audiovisual como parte de sua pesquisa artística (Fonte: Edições Macondo).
Obras principais:
- Use o alicate agora (Edições Macondo, 2018) — Poesia; traduzido para o espanhol
- Inferninho (2024) — Poesia
Por que ler: Natasha Félix borra os limites entre poesia, performance e imagem — e sua obra chega com a força de quem sabe exatamente o que a palavra pode fazer quando sai da página.
97. Mariana Salomão Carrara — romancista da morte, do luto e da vida miúda
Gênero: Romance, Conto | Origem: São Paulo, SP (1986)
Paulistana, Defensora Pública do Estado de São Paulo, nascida em 1986, Mariana Salomão Carrara publicou um livro de contos (Delicada uma de nós, Off-Flip, 2015) e os romances Idílico (2007), Fadas e copos no canto da casa (Quintal Edições, 2017), Se deus me chamar não vou (Editora Nós, 2019, entre os 10 indicados ao Prêmio Jabuti 2020), É sempre a hora da nossa morte amém (Editora Nós, 2021, finalista do Prêmio São Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022), Não fossem as sílabas do sábado (Todavia, 2022, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2023, Melhor Romance do Ano) e A árvore mais sozinha do mundo (Todavia, 2024) (Fonte: FLIP / Portal da Câmara dos Deputados / Goodreads). Nas obras de Carrara, a morte funciona como força motriz de ficções narradas em primeira pessoa por personagens femininas — com uma abordagem realista e sem romantização da experiência humana (Fonte: Praça Clóvis).
Obras principais:
- Se deus me chamar não vou (Editora Nós, 2019) — Romance; indicado Jabuti 2020
- É sempre a hora da nossa morte amém (Editora Nós, 2021) — Romance; finalista SP de Literatura 2022
- Não fossem as sílabas do sábado (Todavia, 2022) — Romance; Prêmio São Paulo de Literatura 2023, Melhor Romance do Ano
- A árvore mais sozinha do mundo (Todavia, 2024) — Romance
Por que ler: Mariana Salomão Carrara é uma das romancistas mais premiadas da sua geração — e consegue escrever sobre a morte com a mesma precisão implacável de quem passa os dias defendendo os vivos.
98. Adriane Garcia — fábulas, história e a poesia que perturba
Gênero: Poesia, Dramaturgia, Literatura infantojuvenil | Origem: Belo Horizonte, MG (1973)
Adriane Garcia nasceu em Belo Horizonte em 1973 e é poeta, teatroeducadora e atriz. Graduou-se em História pela UFMG e se especializou em Arte-Educação na UEMG (Fonte: Wikipedia). Seu primeiro livro, Fábulas para adulto perder o sono, venceu o Prêmio Paraná de Literatura — Helena Kolody em 2013 e recria, em tom de paródia, contos de fadas da literatura mundial, problematizando questões como sexo, loucura, abandono, morte e melancolia (Fonte: Paraná Cultura). Em 2017, foi curadora do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (Fonte: FLI-BH). Publicou ainda O nome do mundo (Armazém da Cultura, 2014), Só, com peixes (Confraria do Vento, 2015), Garrafas ao mar (Penalux, 2018) e Arraial do Curral del Rei — a desmemória dos bois (Conceito Editorial, 2019) (Fonte: Jornal Rascunho / Ruído Manifesto).
Obras principais:
- Fábulas para adulto perder o sono (Biblioteca Paraná, 2013) — Poesia; Prêmio Paraná de Literatura — Helena Kolody
- O nome do mundo (Armazém da Cultura, 2014) — Poesia
- Só, com peixes (Confraria do Vento, 2015) — Poesia
- Garrafas ao mar (Penalux, 2018) — Poesia
- Arraial do Curral del Rei (Conceito Editorial, 2019) — Poesia
Por que ler: Adriane Garcia escreve fábulas que não consolam — e sua poesia, construída entre a história, o teatro e o cotidiano feminino, tem a qualidade de quem olha para o mundo sem a armadura do óbvio.
99. Jeane Imthon — ficção, palcos e a Curitiba que ainda não foi contada
Gênero: Ficção | Origem: Curitiba, PR
Jeane Imthon é escritora curitibana. Seu romance Lado B (TAUP) é uma narrativa ambientada nos palcos e no contexto sociocultural de Curitiba, colando figuras reais da história vivida em personagens de ficção. O livro trata de falsas narrativas e meias verdades que permanecem imperativas na capital paranaense (Fonte: Toma Aí Um Poema). Lado B foi finalista do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba 2024 na categoria Escritor Estreante Poesia (Fonte: premioliterariodecuritiba.com.br).
Obras principais:
- Lado B (TAUP, 2024) — Ficção; finalista Prêmio Literário da Cidade de Curitiba 2024
Por que ler: Jeane Imthon escreve sobre Curitiba de dentro — e Lado B tem a qualidade de quem conhece tão bem um lugar que consegue mostrar o que ele esconde.
100. Milena Martins Moura — poesia, neurodivergência e o processo como obra
Gênero: Poesia, Conto | Origem: Rio de Janeiro, RJ (1986)
Milena Martins Moura nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro em 2 de outubro de 1986. É poeta, editora, tradutora e pesquisadora, mestre em Literatura Brasileira pela UERJ e doutoranda em Literatura Comparada pela UFF (Fonte: Wikipedia / site da autora). Publicou Promessa Vazia (Multifoco, 2011), Os Oráculos dos meus Óculos (Multifoco, 2014), A Orquestra dos Inocentes Condenados (Primata, 2021), O Cordeiro e os Pecados Dividindo o Pão (Aboio, 2023) — semifinalista do Prêmio Jabuti 2024 na categoria poesia — e o carro de apolo capotou no horizonte (Macabéa Edições, 2025), vencedor do Prêmio LOBA 2025 na categoria livro de poesia publicado (Fonte: Wikipedia / Toma Aí Um Poema). O livro mais recente articula dor, trauma e o desconforto de crescer como mulher autista em um mundo que não a acolhe, usando repetição e rasura de versos para expor o próprio processo criativo (Fonte: Tribuna do Sertão). É também editora da revista Cassandra e da Macabéa Edições, editora voltada exclusivamente à publicação de obras de autoria feminina (Fonte: Wikipedia).
Obras principais:
- A Orquestra dos Inocentes Condenados (Primata, 2021) — Poesia
- O Cordeiro e os Pecados Dividindo o Pão (Aboio, 2023) — Poesia; Semifinalista Prêmio Jabuti 2024
- o carro de apolo capotou no horizonte (Macabéa Edições, 2025) — Poesia; Prêmio LOBA 2025
Por que ler: Milena Martins Moura não apenas escreve — ela constrói o ecossistema em que outras escritoras publicam, enquanto sua própria poesia investiga os limites entre memória, autoria e neurodivergência com rigor e humor raros.
101. Adelaide Ivánova — poesia política, raiva e a diáspora de Berlim
Gênero: Poesia, Tradução, Fotografia | Origem: Recife, PE (1982, radicada em Berlim, Alemanha)
Adelaide Ivánova nasceu em 1982 em Recife. É jornalista, poeta, fotógrafa, tradutora e ativista por justiça habitacional. Estudou Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco e Fotografia na Ostkreuzschule, em Berlim, onde vive desde 2011 (Fonte: Ruído Manifesto / site da autora). Traduziu, entre outros, Ingeborg Bachmann, Hans Magnus Enzensberger e Paul Celan (Fonte: Ruído Manifesto). Em 2018, ganhou o Prêmio Rio de Literatura por O martelo (Edições Garupa, 2017) — livro que circulou também em edições em Portugal e na Grécia (Fonte: Wikipedia / Quatro Cinco Um). Participa de antologias, performances e exposições no Brasil e no exterior, e fez parte da programação oficial da FLIP e do festival Latinale (Berlim) em 2017 (Fonte: Ruído Manifesto).
Seu livro mais recente é Asma (Editora Nós, 2024), que narra em forma de poema a trajetória de uma mulher insubordinada (Fonte: Quatro Cinco Um / site da autora). Chifre (Edições Macondo, 2021), seu quinto livro, tem poemas que transitam entre o amor e a política de maneira ambivalente, com as fronteiras entre esses dois registros constantemente borradas (Fonte: Revista Continente).
Obras principais:
- autotomy (…) (Pingado-Prés, 2014) — Poesia
- O martelo (Douda Correria / Edições Garupa, 2016/2017) — Poesia; Prêmio Rio de Literatura 2018
- 13 nudes (Edições Macondo, 2019) — Poesia
- Chifre (Edições Macondo, 2021) — Poesia
- Asma (Editora Nós, 2024) — Poesia
Por que ler: Adelaide Ivánova escreve de dentro de uma diáspora que ela transforma em posição política — e sua poesia, que une erotismo, raiva e precisão formal, é uma das mais originais da cena brasileira contemporânea.
102. Natércia Pontes — o caos familiar com humor e precisão
Gênero: Conto, Romance | Origem: Fortaleza, CE (1980, radicada em São Paulo, SP)
Natércia Pontes nasceu em 1980 em Fortaleza. É filha do jornalista e produtor cultural Augusto Pontes, ex-secretário da Cultura do Ceará, e da atriz Cristina Fernandes. Estudou Radialismo no Rio de Janeiro e em 2007 mudou-se para São Paulo, onde reside atualmente (Fonte: Wikipedia). Seu primeiro livro, Copacabana dreams (Cosac Naify, 2012, reeditado pela Companhia das Letras em 2024), reúne contos ambientados no Rio de Janeiro e foi finalista do Prêmio Jabuti de 2013 na categoria Contos e Crônicas (Fonte: Wikipedia / Companhia das Letras). Tem contos publicados em antologias como a Granta (2023) (Fonte: Quatro Cinco Um).
Em 2021 publicou seu primeiro romance, Os tais caquinhos (Companhia das Letras) — narrado por Abigail, uma adolescente que divide um apartamento entulhado de caixas e baratas com a irmã Berta e o pai Lúcio, um homem amoroso, acumulador compulsivo e pouco afeito à vida prática, que dá conselhos incomuns às filhas como “É muito bom sentir fome”. Romance de formação trágico e comovente, capaz de arrancar risos nervosos (Fonte: Amazon Brasil / Culturadoria). Em 2026 lança Vida doçura (Companhia das Letras), romance sobre uma escritora solitária às voltas com o luto da infância e a compulsão pelos vídeos de uma youtuber (Fonte: Quatro Cinco Um).
Obras principais:
- Copacabana dreams (Cosac Naify, 2012; Companhia das Letras, 2024) — Contos; finalista Prêmio Jabuti 2013
- Os tais caquinhos (Companhia das Letras, 2021) — Romance
- Vida doçura (Companhia das Letras, 2026) — Romance
Por que ler: Natércia Pontes escreve sobre o caos doméstico e familiar com uma precisão que faz rir e doer ao mesmo tempo — e sua prosa, econômica e intensa, tem a qualidade de quem sabe que o drama maior está nas coisas pequenas.
103. Francine Cruz — o corpo feminino como a voz mais urgente
Gênero: Poesia, Romance, Ensaio | Origem: Curitiba, PR (nascida em 18 de julho de 1984)
Francine Cruz nasceu em Curitiba em 1984. É formada em Educação Física pela UFPR e em Letras Português/Inglês pela UTFPR. Mestre em Educação pela UFPR (2020) e doutora em Educação pela UFPR. Técnica Pedagógica na Secretaria de Estado da Educação do Paraná.
Autora de 9 livros, vencedora de diversos prêmios literários — em 2012 recebeu o Prêmio Agente Jovem de Cultura do Ministério da Cultura. Integrante de coletivos literários, acadêmica da AVIPAF e membro efetivo do Centro de Letras do Paraná. Criadora e apresentadora do Canal Senhora Literatura no YouTube. Tem textos publicados em revistas do Brasil, Estados Unidos, Portugal, Argentina e Espanha.
Em 2023, seu ensaio acadêmico A Obra Poética de Ana Cristina Cesar: Ressignificação do Biografismo foi traduzido para o espanhol e lançado na Argentina como La Obra Poética de Ana Cristina Cesar: Resignificación del Biografismo (Caravana, 2023).
Em 2025, publicou seu 10º livro, (Sobre)Viver e morrer num corpo de mulher (TAUP, 2025) — poemas e prosas poéticas sobre o ser mulher na contemporaneidade.
Obras principais:
- Amor, Maybe (Ícone, 2011) — Romance
- A Casa dos Dois Amores (Audiolivro, 2014; Donizela, 2022) — Romance
- A Obra Poética de Ana Cristina Cesar: Ressignificação do Biografismo (Donizela, 2022) — Ensaio
- La Obra Poética de Ana Cristina Cesar: Resignificación del Biografismo (Caravana, 2023) — tradução para o espanhol, Argentina
- Poemas para brincar nas quatro estações (Arpillera, 2023; Donizela, 2024) — Poesia/Haicais/Infantil
- (Sobre)Viver e morrer num corpo de mulher (TAUP, 2025) — Poesia
Por que ler: Francine Cruz é um dos casos mais singulares da literatura paranaense — uma escritora que atravessou a Educação Física, o mestrado, a maternidade e o doutorado sem parar de escrever, e que encontrou na poesia sobre o corpo feminino sua voz mais urgente. (Sobre)Viver e morrer num corpo de mulher é o livro que reúne essa trajetória inteira numa única pulsação.
📎 Fontes: escritorafrancinecruz.com/biografia | escritorafrancinecruz.com/sobre-a-autora-1 | linkedin.com/in/francine-cruz-grison | olhovivoca.com.br (set. 2023) | sermulherarte.com (mai. 2025) | skoob.com.br/autor/4392-francine-cruz
Por onde começar — guia de leitura por perfil
Não sabe por onde entrar? Aqui vai um mapa rápido:
| Se você busca… | Comece por… |
|---|---|
| Literatura negra brasileira | Conceição Evaristo (Olhos d’água), Cidinha da Silva (Um Exu em Nova York), Eliana Alves Cruz (Água de barrela) |
| Poesia contemporânea | Angélica Freitas (Um útero é do tamanho de um punho), Ana Martins Marques (O livro das semelhanças), Luci Collin (A palavra algo) |
| Ficção experimental | Aline Bei (O peso do pássaro morto), Veronica Stigger (Opisanie Swiata), Micheliny Verunschk (O tempo e o vento dos meninos), Mabelly Venson (Apenas mãe) |
| Best-sellers literários | Carla Madeira (Tudo é rio), Martha Batalha (A vida invisível de Eurídice Gusmão) |
| Literatura LGBTQIA+ | Natalia Borges Polesso (Amora), Carol Bensimon (Todos nós adorávamos caubóis), Amara Moira (E se eu fosse puta), Jéssica Iancoski (América Xereca) |
| Literatura indígena | Eliane Potiguara (Metade cara, metade máscara), Zélia Puri (Fios da Memória) |
| Slam e poesia oral | Luiza Romão (Sangue Monstro), Mel Duarte (Negra Nua Crua) |
| Ensaio e pensamento | Djamila Ribeiro (Lugar de fala), Jota Mombaça (Não vão nos matar agora) |
| Jornalismo literário | Eliane Brum (Banzeiro òkòtó) |
| Ficção nordestina | Socorro Acioli (A cabeça do Santo), Maria Valéria Rezende (Quarenta dias) |
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Conclusão: a literatura brasileira é, cada vez mais, feita por mulheres
Estas 103 escritoras não são uma lista completa — são uma janela. E o que essa janela mostra é uma literatura brasileira que está, finalmente, começando a se reconhecer em toda a sua complexidade e diversidade.
São vozes que partem de lugares muito diferentes — da Amazônia ao subúrbio carioca, de Berlim a Fortaleza, da aldeia à academia — e chegam ao mesmo lugar: a certeza de que a palavra importa. De Conceição Evaristo, que nomeou a escrevivência e abriu um caminho inteiro para a literatura negra brasileira, a Milena Martins Moura, que em 2025 venceu o Prêmio LOBA com uma poesia que investiga o que é ser mulher autista num mundo que não foi feito para ela — o que une essas vozes não é o gênero, nem a geração, nem a estética. É a recusa do silêncio.
Durante séculos, essa recusa custou muito. Hoje, ela vende livros, ganha prêmios, funda editoras, ocupa festivais e forma leitores. Não porque o mercado resolveu ser generoso — mas porque as escritoras brasileiras construíram, juntas e às vezes sozinhas, as condições para que isso acontecesse.
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