Resenha
A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares — quando o luto ganha geografia e a palavra aprende a cavar

Há livros que não “contam” uma história: eles constroem um relevo. A dança áspera das raízes, de Bárbara Mançanares, é um desses livros em que a experiência humana não aparece apenas como lembrança ou confissão, mas como matéria física: terra, água, sal, pedra, ossos, maré, geada, mapa. A poeta parece escrever com as mãos sujas […]
Leia mais »As enormes mandíbulas, de Daniela Cassinelli — um romance-prosa que mastiga o tempo até virar memória viva

Há livros que contam uma história. E há livros que constroem um organismo: um corpo feito de vozes, ossos, água, retratos, objetos, silêncios herdados. As enormes mandíbulas, de Daniela Cassinelli, pertence a essa segunda linhagem. A imagem que dá título ao livro — o tempo como boca enorme, roendo nossas vidas — não funciona como […]
Leia mais »Poemas das Multidões: poesia surrealista, de Arthus Mehanna — quando o delírio vira método e a imagem vira mundo

Há livros que não querem ser “entendidos” — querem ser atravessados. Poemas das Multidões: poesia surrealista, de Arthus Mehanna, é um desses. A sensação de leitura é a de entrar numa correnteza: a realidade vai perdendo o contorno “normal” e, no lugar, aparece um território onde sonho e vigília se confundem, onde a lógica cotidiana […]
Leia mais »As Crianças, de Luiz Felipe Leprevost — um ensaio íntimo sobre aquilo que nos atravessa antes de sabermos dizer “eu”

Eu acho que alguns livros não são feitos para “prender” a gente: são feitos para segurar. Como uma mão discreta na nuca, guiando a travessia quando a rua está cheia de risco e distração. As Crianças tem esse tipo de presença. Ele não grita, não faz pose, não tenta ser maior do que é — […]
Leia mais »A louca escrevendo seu nome na linha pontilhada, de Ana Dilah — poesia como assinatura, risco e sobrevivência

Há livros que não “se apresentam”: se inscrevem. A louca escrevendo seu nome na linha pontilhada, de Ana Dilah, é desses. Desde o título, a imagem é clara e incômoda: existe uma linha esperando um nome — e, com ela, tudo o que uma assinatura pode carregar (autorização, contrato, sentença, internação, pertença, culpa). Ana não […]
Leia mais »Tempo que envelhece sem querer, de Cecília Guimarães — poesia em três movimentos para atravessar o mundo e voltar para si

Há livros que não nascem de uma ideia, mas de um período. Tempo que envelhece sem querer, de Cecília Guimarães, carrega essa marca: é poesia escrita como quem atravessa décadas, atravessa uma pandemia, atravessa a própria casa — e, no meio do caminho, percebe que o tempo não é só medida: é personagem. Um personagem […]
Leia mais »Uçá, de Aline Monteiro: poesia salobra, corpo-território e a coragem de transbordar

Há livros que chegam como paisagem. Uçá, de Aline Monteiro, chega como maré: não “entra” na leitura — invade. É um livro que respira no ritmo do vai e vem, e faz do corpo um litoral móvel: ora carapaça, ora carne exposta; ora mangue, ora cidade; ora água que acalanta, ora água que arrasta. Uça […]
Leia mais »Quanto tempo dura o luto?, de C.B.J — um livro pequeno que abre um espaço enorme para o amor que fica

Há histórias que parecem escritas com o cuidado de quem segura um copo cheio até a borda: qualquer movimento brusco derrama. Quanto tempo dura o luto?, de C.B.J, é assim — um livro delicado, íntimo, e ao mesmo tempo muito amplo, porque entende que luto não é só tristeza: é também memória, presença, transformação, e […]
Leia mais »Memórias de uma Mulher Morta, de Sandra Godinho

Capa do romance Memórias de uma mulher morta, de Sandra Godinho. A imagem da capa antecipa em tom onírico o mergulho nas lembranças que o livro oferece: o rosto sereno de uma mulher submersa em tons de azul sugere a profundidade da memória e o limiar tênue entre vida e morte. Assim é a narrativa […]
Leia mais »Rosas de Chumbo: Memória, Vozes e Resistência

Rosas de Chumbo (2025), romance híbrido de Daniela Bonafé, é uma obra literária que floresce na aridez dos “anos de chumbo” da ditadura brasileira. Desde o título paradoxal – unindo a delicadeza das rosas ao peso letal do chumbo – o livro anuncia seu propósito: resgatar do esquecimento vidas soterradas pela violência estatal e transformá-las […]
Leia mais »As oito mulheres de Juliana Montanari: Complexidade Feminina e Saúde Mental em Retrato Sensível

Juliana Montanari, em sua estreia literária As oito mulheres, apresenta um mosaico de vozes femininas singulares. São oito protagonistas, cada qual “com sua história, seu corpo, seu jeito de resistir”. Uma delas “vive entre lembranças que se apagam; outra carrega a dor de ser chamada de louca”, e há também “quem ame demais, quem grite […]
Leia mais »Resenha do Livro Punk de penacho, de J. C. Pacheco

Publicado em 2025 pela Garoupa Editora, Punk de penacho é um livro de poesia que se destaca por sua força crítica, humor ácido e linguagem híbrida entre a crônica urbana e o manifesto existencial. J. C. Pacheco constrói uma obra que é, ao mesmo tempo, uma narrativa de si e uma radiografia do mundo contemporâneo, […]
Leia mais »Resenha do livro :Parabólica, de Juliana Abdon

Publicado em 2021 pela Editora Patuá, o livro :Parabólica, de Juliana Abdon, apresenta-se como um gesto poético que também é visual: além dos versos, o livro é atravessado por fotografias feitas pela própria autora, compondo um diálogo íntimo entre palavra e imagem. Dividido em quatro capítulos — Caminhos pra lugar nenhum, Perto-longe, Memórias objetais e […]
Leia mais »Resenha do Livro Na Estranha Imagem Entre Nós, de Leonardo Menegatto

Publicado em 2025 pela editora Toma Aí Um Poema, Na Estranha Imagem Entre Nós é um livro de contos que se lê como uma travessia psicológica entre o espelho e o abismo. Leonardo Menegatto cria uma narrativa densa, simbólica e inquietante, em que o leitor é levado a acompanhar um narrador em crise — um […]
Leia mais »Resenha do livro Soneto, de Marcos Roberto dos Santos Amaral

Em Soneto, Marcos Roberto dos Santos Amaral revitaliza uma das formas mais antigas da poesia ocidental para produzir algo inteiramente novo. O livro propõe, desde o título, uma tensão entre tradição e ruptura: o soneto clássico, com sua métrica e musicalidade, é reconfigurado, distorcido, reinventado em meio ao ruído do mundo atual. Os poemas transitam […]
Leia mais »Resenha do livro Ovos de Jabuti em Latas de Ferro, de Márlon Manossi

Publicado em 2024 pela Verlidelas Editora, com incentivo da Lei Paulo Gustavo, o livro Ovos de Jabuti em Latas de Ferro, de Márlon Manossi, é um mergulho inventivo na literatura fantástica e experimental, desafiando fronteiras ao transitar entre narrativas, registros burocráticos e até jogos de linguagem — como um boletim de ocorrência e um caça-palavras […]
Leia mais »Resenha do Livro Concreto Imaginário, de Surian dos Santos

Concreto Imaginário é um livro que renova a tradição da poesia visual e concreta brasileira, mas com um olhar contemporâneo, afetuoso e sensorial. Surian dos Santos constrói uma obra que é tanto leitura quanto experiência: o texto se move na página, cria pausas, desdobra sentidos e convida o leitor a ver a palavra como corpo, […]
Leia mais »Resenha crítica — Ai de mim, que sou romântica, de Denis Scaramussa

“Quero suar seus ossos / raspar o vidro / cortar a língua / no seu assento.” (p. 69) 💥 Uma ode romântica aos trapos, aos vícios e ao amor safado Ao contrário do que o título pode sugerir, Ai de mim, que sou romântica não é um livro de poemas apaixonados no sentido tradicional da […]
Leia mais »Resenha crítica — Estudos para um livro de poemas, de Edgard Senaha

“O azul dormindo / O azul acordado / O azul dormindo acordado.” (p. 76) 📖 Um livro como experiência de linguagem A primeira palavra que surge ao terminar a leitura de Estudos para um livro de poemas é: transição. Transição de formas, de tempos, de vozes, de estados. Não há uma linearidade narrativa, tampouco uma […]
Leia mais »Resenha crítica — Igapó: Poemas da Amazônia, de Sandrinha Barbosa

Igapó é uma travessia poética que mistura memória, espiritualidade, denúncia e encantamento. Sandrinha Barbosa escreve com os pés descalços na lama fértil da ancestralidade e com os olhos voltados para o céu das estrelas antigas. Os poemas carregam o peso do tempo e a leveza das águas amazônicas, costurando lenda, dor, reza e resistência. Não […]
Leia mais »Resenha crítica — As Nuvens de Netuno, de Naaman Blanco

“É no exercício da palavra que a poesia difere o nascer do espanto.”(*p. 13) Com um título que evoca imagens distantes, gasosas e azuladas — As Nuvens de Netuno — Naaman Blanco entrega ao leitor uma estreia poética de rara precisão e impacto. Trata-se de um livro dividido em quatro blocos temáticos, onde cada seção […]
Leia mais »Resenha crítica — Fios da Memória, de Zélia Puri

“A guerra do arco e flecha é passado. Hoje somos os guerreiros da pena.”(p. 9) 🌿 Palavra como semente ancestral Fios da Memória é um livro que nasce do corpo, da terra e do tempo. Em tom de ensaio autobiográfico poético, Zélia Puri narra o processo de redescoberta de sua identidade indígena como mulher Puri, […]
Leia mais »Resenha crítica — Quando Era, de Carlos Roque

“Os textos deste volume foram forjados como uma forma de resistência e tomada de consciência”— Marcos Roberto Pereira (prefácio, p. 11) 🌒 Uma poética do entretempo: memória, identidade e tensão Quando Era é um livro atravessado pelo tempo. Mas não se trata de uma nostalgia simples: é uma escavação do tempo interior, da memória coletiva […]
Leia mais »Resenha crítica — Khalas, de Cecília Zugaib

“Khalas, bastaAlguém finde o horrorAmamos a vida”(p. 44) Khalas é um grito. E também um sussurro. Um lamento e um respiro. Cecília Zugaib, em sua escrita condensada e potente, nos oferece um livro de haikais que atravessam as camadas do trauma, do deslocamento, da contemplação e do amor diante da destruição. Escrito após sua viagem […]
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