Vitor Miranda lança ÓDIO AO POEMA e transforma a própria poesia em personagem de uma crítica ao apagamento da vida literária
Poeta, letrista, agitador cultural e articulador do Movimento Neomarginal, Vitor Miranda chega ao seu oitavo livro com uma obra que amplia as experimentações formais que marcam sua trajetória. Em ÓDIO AO POEMA, o autor transforma o próprio Poema em personagem central de uma narrativa que mistura poesia, prosa, ensaio, crítica social e reflexão sobre o lugar da literatura na sociedade contemporânea.
Conhecido por transitar entre diferentes linguagens e por desafiar fronteiras entre gêneros literários, Miranda constrói uma obra em que o poema deixa de ser apenas forma de expressão para assumir corpo, voz e destino. Nesse universo, o Poema pode ser uma criança assassinada pela violência do Estado, um trabalhador invisível ou uma figura que sobrevive às margens do reconhecimento social.
O resultado é um livro que utiliza a ironia, o humor e a indignação para discutir temas como desigualdade, violência, memória e a própria condição do fazer artístico.
Uma trajetória marcada pela experimentação
ÓDIO AO POEMA aprofunda caminhos que Vitor Miranda já vinha explorando em trabalhos anteriores. Desde o romance experimental A moça caminha alada sobre as pedras de Paraty, lançado em 2019, o autor desenvolve uma escrita híbrida que desafia classificações convencionais.
Sua produção transita entre poesia, narrativa, oralidade, canção e performance, buscando novas formas de construção literária. Essa característica levou a poeta Alice Ruiz a comentar, durante uma conversa com o autor, que sua escrita era “diferente de tudo que tem por aí”, observação frequentemente associada à singularidade de sua obra.
Em ÓDIO AO POEMA, essa busca formal aparece de maneira ainda mais radical, aproximando o texto da tradição dos poemas longos, dos manifestos e dos experimentos literários que marcaram diferentes momentos da poesia brasileira.
A literatura diante do abandono
Embora o título sugira confronto, a obra é atravessada por uma profunda defesa da literatura e da sensibilidade humana. O livro chama atenção para situações frequentemente ignoradas, incluindo as dificuldades enfrentadas por escritores e poetas mesmo após alcançarem reconhecimento público.
Ao mencionar nomes como Márcia Denser, Cláudio Willer e Orides Fontela, Vitor Miranda insere sua reflexão em uma discussão mais ampla sobre o valor atribuído à cultura, à criação artística e à sobrevivência material dos autores.
Nesse sentido, o “ódio” presente no título funciona menos como negação da poesia e mais como denúncia das estruturas que silenciam, precarizam ou invisibilizam aqueles que dedicam a vida à arte.
Entre a poesia e a música
Além da atuação literária, Vitor Miranda desenvolve um trabalho contínuo como letrista e compositor. É integrante da Banda da Portaria, projeto musical surgido a partir de seus poemas, e mantém parcerias com artistas como Alice Ruiz, Eduardo Touché, Rubi, João Sobral e Luz Marina.
Sua relação com a palavra também se estende à produção cultural. Em 2019, criou o videocast Prosa com Poeta, dedicado a entrevistas com escritores e artistas de diferentes gerações. Mais recentemente, consolidou sua atuação como organizador do Movimento Neomarginal, coletivo que busca aproximar autores de diferentes trajetórias e ampliar espaços de circulação para a literatura independente.
Uma voz da literatura independente contemporânea
Com oito livros publicados, Vitor Miranda construiu uma trajetória que combina produção artística, articulação cultural e presença constante em festivais, feiras e encontros literários.
Sua obra dialoga com tradições marginais e independentes da literatura brasileira, mas também propõe novas formas de circulação e encontro entre escritores e leitores. Em vez de restringir a literatura aos espaços institucionais, o autor faz da rua, das feiras, dos festivais e das conversas presenciais parte fundamental de seu projeto artístico.
ÓDIO AO POEMA surge como mais um capítulo dessa trajetória: uma obra que questiona o lugar da poesia no mundo contemporâneo ao mesmo tempo em que reafirma sua potência transformadora. Ao transformar o poema em personagem, Vitor Miranda convida o leitor a refletir sobre o que acontece quando a literatura deixa de ser apenas linguagem e passa a disputar espaço na vida real.
Agenda
18/06 – lançamento na Labanca – SP
20/06 – lançamentos Neomarginais na La Libreria – SP
27/06 – Travessia Literária – SP
3, 4 e 5 julho – Festival Neomarginália – SP
22 a 26 julho – FLIP – Casa Tyiwaras Tikunas + Neomarginal + Capitolinas – SP
08 a 16/08 – FLIGMINAS – Guaxupé – MG
29/08 a 06/09 – FIL – Ribeirão Preto – SP
08 a 13/09 – lançamento de ÓDIO AO POEMA no estande da Barraco Editorial na Bienal do Livro SP
15 a 17/09 – Feira do Livro da PUC SP
Setembro – Festival Literário da UFTM – MG
17 e 18/10 – FLIPAULISTA – SP
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