Gabriel Edé apresenta o álbum Nada no deserto e reafirma sua trajetória entre a canção, a poesia e a experimentação sonora
O músico, compositor e produtor Gabriel Edé segue ampliando os limites da canção brasileira contemporânea. Com o lançamento de Nada no deserto, seu segundo álbum solo, o artista apresenta um trabalho que combina poesia, rock, folk, psicodelia e experimentalismo em uma sonoridade singular, construída a partir de uma relação profunda entre palavra e música.
Nascido em Santiago do Chile e radicado no Brasil, Gabriel Edé desenvolve há mais de uma década uma trajetória marcada pela circulação entre diferentes linguagens artísticas. Formado em Música Popular pela Unicamp, atua como compositor, instrumentista, produtor cultural e diretor musical, consolidando uma obra que dialoga simultaneamente com a tradição da canção latino-americana e com as vanguardas da música independente.
Um disco construído entre a poesia e o ruído
Lançado em 2026, Nada no deserto reúne composições autorais em português e espanhol, além de poemas musicados de importantes nomes da literatura mundial, como Alejandra Pizarnik, Matsuo Bashō, Herberto Helder e João Mostazo.
Ao longo das faixas, o álbum percorre diferentes estados emocionais e existenciais, transitando entre amor, agressividade, contemplação, melancolia e desejo. A instrumentação, baseada em guitarra, baixo e bateria, serve como estrutura para uma sonoridade crua e pulsante que aproxima elementos do folk, do punk e da psicodelia.
O resultado é um trabalho que valoriza a palavra sem abrir mão da força sonora, construindo paisagens musicais densas e imprevisíveis.
De Terror da terra a uma nova fase artística
Antes de Nada no deserto, Gabriel Edé chamou a atenção da crítica com Terror da terra, lançado em 2020. O disco foi selecionado pela revista britânica Sounds and Colours entre os melhores álbuns do ano e posteriormente originou o espetáculo Terror da terra ao vivo, contemplado por edital do ProAC.
Desde então, o artista tem participado de residências e intercâmbios criativos em diferentes países, incluindo a residência Suralita, em Mallorca, na Espanha, além de projetos ligados à criação musical e à experimentação sonora no Brasil.
Sua produção artística também se estende ao teatro e ao cinema. Desde 2016, atua como diretor musical da Cia Extemporânea, assinando trilhas para espetáculos e produções audiovisuais. Paralelamente, desenvolve o selo independente TUDOS, dedicado à produção de discos, apresentações, oficinas e ações de formação cultural.
O encontro com Negro Leo
A apresentação de Nada no deserto ganha uma dimensão especial ao reunir Gabriel Edé e Negro Leo, um dos artistas mais inventivos da música brasileira contemporânea.
Com uma discografia composta por mais de uma dezena de álbuns, Negro Leo construiu uma trajetória marcada pela experimentação radical, pela invenção poética e pela circulação internacional. Sua obra transita entre canção, improvisação, música contemporânea, performance e artes visuais, consolidando-o como uma referência da cena independente brasileira.
Ao longo dos últimos anos, apresentou seu trabalho em importantes festivais e espaços culturais na Europa, Ásia e Américas, além de desenvolver projetos no teatro, no cinema e na literatura.
O reencontro entre os dois artistas evidencia afinidades que atravessam suas produções: a valorização da palavra, a busca por novas formas de composição e o interesse por linguagens que desafiam fronteiras entre música, poesia e performance.
Mais do que um lançamento, Nada no deserto representa um novo capítulo na trajetória de Gabriel Edé, reafirmando seu lugar entre os criadores que vêm expandindo os caminhos da canção brasileira contemporânea.
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