Capistas de Livros Brasileiros: Quem São e o que Fazem os Designers que Vestem os Livros
Conheça os principais capistas de livros do Brasil: Rafael Nobre, Elaine Ramos, Kiko Farkas, Jéssica Iancoski, Julia Custódio e outros designers que criam as capas que fazem você pegar o livro da prateleira.
Quando você pega um livro pela capa, está sendo influenciado pelo trabalho de um capista — o profissional que criou aquela imagem, escolheu aquela tipografia, decidiu aquela cor, compôs aqueles elementos para criar o objeto que você segurou antes mesmo de ler a primeira linha.
O capista é um dos profissionais mais invisíveis do mercado editorial — e um dos mais essenciais. Sem a capa certa, um livro excelente não chega ao leitor. Com a capa certa, um livro encontra seu público antes mesmo de ser lido.
Este post apresenta os principais capistas do Brasil: quem são, o que fazem, em quais editoras trabalham e o que define cada um no mercado.
O que faz um capista?
Antes dos perfis, vale entender o ofício.
O capista — também chamado de designer de capa ou editor de arte — é o profissional responsável pela criação visual da capa de um livro. Isso inclui:
- A concepção do conceito visual
- A escolha ou criação das imagens (fotografia, ilustração, colagem, tipografia pura)
- O tratamento gráfico de todos os elementos
- A composição da capa, lombada e contracapa
- A preparação do arquivo final para a gráfica
Em editoras grandes, o capista é frequentemente um designer interno ou o diretor de arte da editora. Em editoras independentes e no mercado freelancer, é um profissional contratado por projeto.
O mercado de capistas no Brasil cresceu muito nas últimas décadas — e hoje reúne profissionais em diferentes estágios de carreira, de nomes consagrados como Kiko Farkas e Elaine Ramos a talentos emergentes que chegam pelo design digital.
Os principais capistas do Brasil
Rafael Nobre — o mais prolífico da geração contemporânea
Rio de Janeiro, RJ
Designer gráfico e ilustrador formado em Design Gráfico pela UFRJ. Trabalha com livros há mais de 10 anos e já criou mais de 500 capas. Começou a trabalhar com livros em 2007 no Grupo Editorial Record e depois trabalhou como freelancer para diversas editoras até 2012. A partir de 2018 abriu seu próprio estúdio, trabalhando para clientes no Brasil e no exterior — conforme seu perfil no Domestika.
Seu trabalho já recebeu o Brasil Design Award, foi selecionado para a Bienal de Design Gráfico da ADG, chegou a finalista no prêmio de melhor capa de livro Jabuti, foi premiado e finalista no prêmio Melhor Capa de Livro Getty Images Brasil, e recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
Entre os prêmios específicos, o Brasil Design Award 2021 premiou com prata a capa de Espelho quebrado (Planeta e TAG Livros) e com bronze o Box George Orwell (Nova Fronteira). Em 2019, prata pela Biblioteca Áurea (Nova Fronteira) e bronze por Uma Travessia perigosa (FTD). Foi finalista do Jabuti em 2014 pela capa de Iscas Vivas (Bertrand Brasil) e em 2023 pela capa de Moby Dick (Zahar). O prêmio Melhor Capa de Livro Getty Images Brasil lhe rendeu o 3º lugar em 2011 pela capa de A festa do século (Bertrand Brasil).
Já criou capas para editoras como Record, Zahar, Companhia das Letras, Nova Fronteira, Harper Collins, Bloomsbury e TAG Livros.

Site: rafaelnobre.com
📎 Fontes: domestika.org/en/rafael_nobre | rafaelnobre.com/copia-de-contact (lista completa de prêmios) | botecodesign.org/rafael-nobre/
Elaine Ramos — design editorial como pesquisa e experimentação
São Paulo, SP | nascida em 1974
Elaine Ramos nasceu em 1974 em São Paulo e se graduou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 1999. Desde então trabalha como designer gráfica. A partir de 2001 passou a dedicar-se principalmente ao design editorial, e em 2004 tornou-se diretora de arte da Cosac Naify, a principal editora brasileira dedicada às artes visuais.
Ao longo de onze anos (2004–2015), seu design e direção de arte pela Cosac Naify atraíram amplo reconhecimento, com livros como as traduções de História do design gráfico de Philip Meggs (2012) e Primeiro amor de Samuel Beckett, além de um livro sobre o músico brasileiro João Gilberto.
Seu trabalho recebeu diversos prêmios ao longo da carreira, incluindo o Prêmio Aloísio Magalhães da Fundação Biblioteca Nacional, o prêmio do American Institute of Graphic Arts (AIGA) e o Art Directors Club Award.
Ao lado de Chico Homem de Melo, Ramos projetou e editou o aclamado Linha do tempo do design gráfico no Brasil — resultado de três anos de pesquisa, publicado em 2011 pela Cosac Naify. O que era para ser um anexo a um livro de 720 páginas tornou-se outro livro, de 744 páginas.
Em 2015, cofundou a editora Ubu, que deu continuidade ao que a Cosac Naify havia iniciado. Tornou-se membro da AGI (Alliance Graphique Internationale) em 2012 — uma das apenas dez designers brasileiras a alcançar reconhecimento internacional por meio dessa associação.

Site: elaineramos-estudiografico.com.br
📎 Fontes: eyemagazine.com/feature/article/elaine-ramos-the-book-designer (Eye Magazine — fonte primária mais completa) | dandad.org/profiles/person/84789/elaine-ramos/ | 2013.agi-congress.com/speakers/elaine-ramos | designindaba.com (ago. 2018) | creative.doc.cc/a-escola-livre/elaine-ramos-editando-design | ubueditora.com.br/editora
Kiko Farkas — 300 capas e uma identidade visual para o Brasil
São Paulo, SP | nascido em 1957
Ricardo Farkas — conhecido como Kiko Farkas — nasceu em São Paulo em 1957. É filho de Thomaz Farkas (1924–2011), pioneiro da fotografia moderna no Brasil. Em 1976, ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP).
Designer e ilustrador, Kiko atua principalmente nas áreas editorial, cultural e institucional. Dirige a Máquina Estúdio desde sua fundação em 1987. O estúdio desenvolve projetos para clientes como Embratur, Unicamp, Sesc SP, Cosac Naify, Companhia das Letras, BMW e Pepsico, entre outros.
Farkas criou em 2005 o logotipo da Marca Brasil, a partir de um concurso da Embratur para representar e divulgar o turismo no Brasil. Em 2019 foi substituído por outra identidade, e em 2023 a Marca Brasil criada por Farkas voltou a ser o logotipo oficial do turismo brasileiro.
Entre 2003 e 2007, criou cerca de 300 cartazes, além de todo o material gráfico da Osesp — Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. A Máquina Estúdio também foi responsável pela série de cartazes para o Theatro Municipal de São Paulo.
Quanto aos prêmios: entre os prêmios recebidos estão três Jabutis da Câmara Brasileira do Livro (1995, 1997 e 2007) e o Prêmio Aloísio Magalhães da Biblioteca Nacional (2008). O Jabuti de 2007 foi pela capa do livro Ferdydurke, do escritor polonês Witold Gombrowicz, publicado pela Companhia das Letras — 1º lugar na categoria, em parceria com Elisa Cardoso. O Prêmio Aloísio Magalhães foi pelo projeto gráfico do livro Antigos e Soltos, de Ana Cristina Cesar, publicado pelo Instituto Moreira Salles. Em 2025, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor capa pelo livro Acrobata, de Alice Sant’Anna, e o Jabuti de melhor livro de artes pela obra Thomaz Farkas, todomundo.
Kiko Farkas é um dos fundadores da Associação dos Designers Gráficos do Brasil (ADG) e, desde 2006, membro da Alliance Graphique Internationale (AGI).

Site: kikofarkas.com.br
📎 Fontes: enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/1008-kiko-farkas (Enciclopédia Itaú Cultural — fonte primária biográfica) | pt.wikipedia.org/wiki/Kiko_Farkas | kikofarkas.com.br/sobre/ | premiojabuti.com.br (Jabuti 2007, categoria capa) | jornalcruzeiro.com.br (abr. 2012) | domestika.org/pt/blog/7008 | revistacontinente.com.br/edicoes/131/kiko-farkas
Jéssica Iancoski — a palavra como imagem
Curitiba, PR | nascida em 1996
Para Jéssica Iancoski, a expressão “a palavra como imagem” resume seu trabalho como capista: uma prática que combina textos experimentais e elementos visuais, enxergando a capa como mais do que um “envelope” — é uma peça de comunicação que dialoga com o texto, convoca o leitor e amplifica a mensagem do livro.
Designer gráfica, escritora e fundadora da Toma Aí Um Poema (TAUP), Jéssica a maioria das capas do catálogo da editora. Em cinco anos de atuação, já criou mais de 450 capas — um volume que a coloca entre os capistas mais prolíficos da cena independente brasileira.
Em 2022, recebeu o Prêmio Candango de Literatura pela capa do livro As Laranjas de Alice Mazela — seu segundo trabalho como capista — reconhecimento que consolidou seu nome entre os principais capistas de livro do país. O prêmio, concedido pelo Governo do Distrito Federal.
O tema central que atravessa o trabalho de Jéssica como capista é consistente: capas que funcionam na livraria, no feed, na miniatura do e-commerce e, principalmente, na memória — com soluções visuais que traduzem tema em linguagem e linguagem em impacto, com atenção especial à tipografia, composição e força de conceito. A letra e a palavra são o elemento visual recorrente: na sua poética gráfica, o texto não decora a capa — ele é a capa.
Em 2025, entrou para a lista Forbes Under 30 Brasil na categoria Literatura & Música — conforme a página oficial da Forbes Brasil.

Site: iancoski.art
📎 Fontes: tomaaiumpoema.com.br/design-e-poesia-as-capas-premiadas-de-jessica-iancoski-e-o-projeto-grafico-como-linguagem/ | tomaaiumpoema.com.br/6-melhores-capas-de-2025-ranking-de-design-editorial-capista-jessica-iancoski/ | forbes.com.br/under-30/2025/musica-literatura-u30-2025/jessica-iancoski/
Julia Custódio — design como construção de identidade
Rio de Janeiro, RJ
Julia Custódio é formada em Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com trajetória que também passou por Produção de Moda. Aprendeu Photoshop aos 11 anos e desde a adolescência construiu referências visuais de forma autodidata.
Especialista em branding e design editorial, construiu sua trajetória em empresas como Tátil, Globo e FARM. Colaborou com marcas como Coca-Cola, Danone, Natura, Amazon Prime Video, L’Oréal Brasil, EBANX e Rexona.
Foi reconhecida em premiações como Cannes Lions — com dois leões de ouro no projeto Rio Carnaval —, D&AD, Latin American Design e BDA Prêmio Brasileiro de Design. A identidade visual da plataforma jornalística Sumaúma, que assinou, recebeu o iF Design Award.
É também professora na plataforma Aprender Design e palestrante — esteve no evento Akilomba 2025, em São Paulo, onde compartilhou reflexões sobre trajetória, repertório e identidade no design, com experiências em projetos para marcas como Globo, Natura, Amazon Prime Video e FARM.

Site: behance.net/juliacustodio
📎 Fontes: doc.cc/ref/julia-custodio | linkedin.com/in/julia-custodio-b54111ba | aprender.design/biblioteca/professor/julia-custodio
Por que a capa importa tanto?
A capa não é decoração — é comunicação. É o primeiro ponto de contato entre o livro e o leitor. É o que decide se alguém pega ou não pega o livro da prateleira. É o que aparece em miniatura nas listas de mais vendidos, nos feeds do Instagram e nos vídeos do BookTok.
Para autores independentes, a capa tem peso ainda maior: sem a máquina de marketing das grandes editoras, o design precisa trabalhar mais. Uma capa que parece “feita em casa” dificulta a entrada nas livrarias, prejudica as chances em prêmios literários e reduz as vendas.
| O que uma boa capa faz | O que uma capa fraca faz |
|---|---|
| Comunica o gênero e o tom do livro | Confunde o leitor sobre o que vai encontrar |
| Cria desejo de ter o objeto | Passa despercebida nas prateleiras |
| Posiciona o livro no mercado certo | Atrapalha a entrada em livrarias |
| Funciona em miniatura (BookTok, Instagram) | Fica ilegível em tamanho pequeno |
| Dura anos sem envelhecer | Parece datada logo nos primeiros meses |
✦ Seu livro merece uma capa à altura
A Toma Aí Um Poema inclui design de capa profissional em todos os seus projetos editoriais. Jéssica Iancoski — escritora, Forbes Under 30 e capista — assina pessoalmente o projeto visual dos livros do catálogo.
Faça seu orçamento: gratuito, 2 minutos, sem precisar falar com ninguém.
→ Calcular orçamento do meu livro
Continue lendo
- 👉 Diagramação de livro: o que é, como funciona e quanto custa
- 👉 Como funciona uma editora
- 👉 Quanto custa publicar um livro no Brasil
- 👉 Prêmios literários brasileiros: guia completo
- 👉 Como publicar um livro de poesia
Conclusão: o livro começa pela capa
Um leitor pode nunca saber o nome do capista que fez a capa do livro que mais amou. Mas sentiu o trabalho dele — na forma como o livro chamou atenção na prateleira, na sensação de que aquele objeto precisava ser seu antes mesmo de saber o que estava dentro.
Os capistas brasileiros estão entre os mais inventivos do mundo — e o mercado editorial nacional tem uma tradição de cuidado com o design do livro que poucos países podem igualar. Da Cosac Naify à TAUP, dos grandes selos independentes às editoras de fantasia, a capa continua sendo onde o livro começa.
Loja TAUP
Continue com a TAUP
Livros e publicações da nossa loja para continuar a leitura depois deste post.