Resenha: “Costura”, de Clareanna — a poesia que fecha a trilogia da carne
Autora: Clareanna Santana | Editora: Toma Aí Um Poema (TAUP) | Ano: 2026 | Páginas: 110 | ISBN: 978-65-6196-024-3 | Gênero: poesia brasileira contemporânea
Publicado em junho de 2026 pela editora independente Toma Aí Um Poema, Costura é o terceiro volume de uma trilogia poética assinada pela escritora Clareanna — sucedendo Artéria (2022) e Rebento (2023). Se os dois primeiros livros já haviam apresentado ao leitor uma poesia do corpo em fluxo contínuo, Costura chega com um gesto diferente: o de selecionar, aparar e costurar cada verso como quem fecha uma ferida. É esse movimento — entre a dor e o cuidado, entre abrir e cicatrizar — que dá o tom de toda a obra.
Sobre a autora Clareanna e a trilogia da carne
Clareanna constrói, ao longo de três livros, aquilo que ela mesma nomeia como “a trilogia da carne”: um projeto poético em que o corpo não é apenas assunto, mas território de investigação. Em Costura, essa proposta amadurece. A autora abandona a ideia de encerramento e assume o livro como continuidade — uma sutura que uni dores subjetivas à crueza do tempo presente, misturando memória, desejo e crítica social em uma mesma respiração.
Quem pesquisa por poesia brasileira autoral contemporânea, poetisas brasileiras emergentes ou literatura de editoras independentes encontra em Clareanna um nome que dialoga diretamente com essas buscas: uma voz que une lirismo, corporeidade e engajamento político sem abrir mão da experimentação formal.
Estrutura do livro: quatro movimentos de um mesmo corpo
Costura está organizado em quatro partes, cada uma funcionando como uma camada distinta da mesma anatomia poética.
Poemas de Carne e Sangue
A seção de abertura trabalha com a ideia da escrita como órgão vital. Termos como “cardiograma”, “matéria-prima” e “diagnóstico” já indicam o vocabulário clínico que Clareanna usa como metáfora recorrente: o poema como corpo que pulsa, sangra e, por vezes, entra em crise. Há também um diálogo explícito com a tradição da poesia confessional e da poesia sobre saúde mental e luto, sem nunca resvalar para o didatismo.
Sutura Encarnada
O segundo bloco assume um tom mais sensorial e erótico. Poemas curtos, quase epigramáticos, exploram o desejo, o corpo feminino e a sexualidade com uma linguagem que mistura o popular ao lírico. É a parte do livro que mais dialoga com a tradição da poesia erótica brasileira — teve inclusive uma referência direta a Safo — atualizando esse repertório com humor, oralidade e imagens contemporâneas.
O Tempo das Coisas
Aqui a poesia se volta para o cotidiano: rotina, redes sociais, o tédio dos domingos, o barulho (ou o silêncio) do algoritmo. É a seção mais “urbana” do livro, e onde Clareanna melhor conversa com temas como poesia e redes sociais, poesia sobre rotina e tempo presente e crítica à hiperconectividade — um assunto cada vez mais pesquisado dentro da poesia contemporânea.
Palavra Árdua
O livro se encerra em tom mais político. Os poemas dessa parte tratam de fome, desigualdade, colonialidade do corpo, feminicídio simbólico e o papel da escrita como resistência. É a seção que aproxima Costura de discussões sobre poesia engajada, poesia feminista brasileira e poesia como instrumento político, encerrando o livro com um poema-manifesto que reforça a poesia como ato de posicionamento.
Estilo: economia verbal, jogo sonoro e corpo como linguagem
Um dos pontos mais fortes de Costura é a economia da palavra. Diferente de uma escrita expansiva, Clareanna investe em poemas curtos, muitas vezes de três a seis versos, que funcionam quase como aforismos. Há um trabalho constante com paronomásia, aliteração e neologismos (“nova|mente”, “rev(b)ela”), recursos que aproximam o livro de discussões sobre poesia visual, poesia concreta contemporânea e experimentação com a linguagem na poesia brasileira atual.
A imagem do corpo — como casa, como mapa, como campo de batalha — atravessa o livro inteiro, o que torna Costura um título relevante para quem pesquisa poesia sobre o corpo feminino, poesia e ancestralidade ou literatura de autoria feminina no Brasil.
Para quem este livro é indicado
Costura conversa bem com leitores de:
- Poesia marginal e independente brasileira
- Autoras como Orides Fontela (citada como epígrafe do livro) e outras vozes da poesia lírica-erótica nacional
- Poesia de temática corporal, feminista e política
- Quem acompanha o circuito de saraus e pequenas editoras de poesia no Brasil
Ficha técnica
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título | Costura |
| Autora | Clareanna Santana |
| Editora | Toma Aí Um Poema (TAUP) |
| Edição | 1ª edição, 1ª impressão |
| Publicação | 15 de junho de 2026 |
| ISBN | 978-65-6196-024-3 |
| Páginas | 110 |
| Formato | 15 x 21 cm |
| Trilogia | 3º livro, após Artéria (2022) e Rebento (2023) |
Perguntas frequentes sobre “Costura”, de Clareanna
Sobre o que é o livro Costura? É um livro de poesia que usa o corpo como fio condutor, passando por temas como dor, desejo, cotidiano digital e crítica social, em quatro seções temáticas.
Costura faz parte de uma trilogia? Sim. É o terceiro e mais recente livro da chamada “trilogia da carne”, que começou com Artéria (2022) e seguiu com Rebento (2023).
Quem é Clareanna? Clareanna é uma poeta brasileira contemporânea cuja obra investiga o corpo como território poético, transitando entre lirismo, erotismo e poesia política.
Onde Costura foi publicado? Pela Toma Aí Um Poema (TAUP), editora independente sediada em São Paulo, em junho de 2026.
Considerações finais
Costura confirma Clareanna como uma voz consistente da poesia brasileira contemporânea, capaz de transitar do intimismo confessional à crítica social sem perder unidade de projeto. É um livro que recompensa tanto a leitura corrida quanto a releitura vagarosa — cada seção funciona como uma camada nova da mesma anatomia, até o poema-manifesto final, que fecha o livro (e a trilogia) com a força de quem escreve como quem resiste.
Resenha produzida para fins de divulgação literária. Trechos do livro não são reproduzidos integralmente, respeitando os direitos autorais da obra e da editora.
Loja TAUP
Continue com a TAUP
Livros e publicações da nossa loja para continuar a leitura depois deste post.