Paraná floresce na FLIP entre a Casa Paraná e a Casa Gueto, por Jaine Vergopolem
Com homenagens, lançamentos e saraus, a programação evidenciou o papel das editoras independentes e das políticas culturais na ampliação do acesso à literatura brasileira.
Mesa “Vida, obra e legado da poeta homenageada na casa”, com participação de Gisela Maria Bester, Eduardo Kolody e mediação de Tatjane Garcia.
**Texto e fotografias: Jaine Vergopolem**
Há cidades que recebem visitantes. Paraty acolhe histórias.
Durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) 2026, que aconteceu entre os dias 22 a 26 julho, as ruas de pedra, o casario histórico, o encontro entre mar e montanha e a diversidade de vozes fizeram da cidade um grande território de partilhas. Em uma edição que reuniu mais de 40 mil pessoas, o Paraná encontrou espaço para mostrar a força de sua literatura por meio da Casa Paraná, enquanto a Casa Gueto.
Organizada pelo Coletivo Marianas e viabilizada pelo Edital Paraná Literário, da Secretaria de Estado da Cultura (SEEC), a Casa Paraná levou escritores, editoras e leitores para o centro da programação paralela da FLIP. Com o tema “O Futuro é Coletivo”, o espaço homenageou Helena Kolody, destacando a mesa: Vida, obra e legado da poeta homenageada na casa, com participação de Gisela Maria Bester, Eduardo Kolody e mediação de Tatjane Garcia. Mostrou que a literatura paranaense é diversa, contemporânea e profundamente ligada aos seus territórios.
Entre a diversa programação esteve o lançamento coletivo da Coleção Gralha Azul, da Editora Toma Aí Um Poema, reunindo autores paranaenses como Ana Carla Bellon, Suelen Trevizan e Jessica Vergopolem, além de P. C. Filiputti, J. Tulio, Sandro Sedrez e Mabelly Venson. Mais do que lançar livros, a Casa Paraná reafirmou a importância das políticas públicas e das editoras independentes para que novas vozes possam escrever, publicar e circular por aí.
Se a Casa Paraná revelou a potência da literatura produzida no Estado, a Casa Gueto ampliou esse diálogo ao reunir editoras independentes, coletivos e autores de diferentes regiões do Brasil. Reconhecida por fortalecer a bibliodiversidade, a casa transformou-se em um espaço de encontros, lançamentos, debates e saraus, onde diferentes formas de fazer literatura convivem lado a lado.
Foi na Casa Gueto que aconteceu o lançamento da Antologia Casa Gueto, reunindo cerca de 70 autores e autoras brasileiros, além do sarau aberto ao público, em que escritores compartilharam poemas, narrativas e experiências. Em um cenário editorial cada vez mais desafiador, a casa reafirma que a literatura independente não apenas resiste, mas cria redes, aproxima pessoas e faz nascer novos leitores.

Casa Gueto, sessão de autógrafos de autores independentes.
Para a escritora Jessica Vergopolem, agricultora familiar, ecologista e autora de seu primeiro livro publicado por uma editora independente, a Editora Toma Aí Um Poema, participar das duas casas foi viver uma experiência que ultrapassou a literatura.
“Participar da Casa Gueto e da Casa Paraná foi uma experiência muito especial. Na FLIP, eu pude estar imersa em diferentes culturas, tradições e formas de ver o mundo e, ao mesmo tempo, compartilhar o amor que tenho pela minha terra, pela cultura do meu território e pela Floresta com Araucárias, de onde venho. Com o lançamento do meu primeiro livro por uma editora independente, compreendi ainda mais a importância de políticas públicas que valorizem a arte, a educação e a cultura, para que mais pessoas tenham a oportunidade de escrever e publicar. A FLIP reforçou em mim que cada escritor, cada poeta e cada pensador têm seu lugar e sua importância. As palavras são como sementes: não nasceram para serem guardadas, mas para serem semeadas com sensibilidade, amor, respeito e acolhimento. Porque, quando encontram outro coração, elas germinam e dão origem a novas palavras, novas histórias e novos caminhos.”
Jessica ainda conta que a viagem também foi vivida como um momento de toda a família. Entre um lançamento e outro, houve tempo para apreciar as belezas da biodiversidade local, caminhar pelas ruas históricas, conhecer a arquitetura colonial, observar o encontro das manifestações populares com a literatura e mergulhar na cultura de Paraty.
A cidade mostrou que a FLIP vai muito além dos livros: ela transforma praças, casas, cafés e calçadas em espaços de convivência, onde a cultura acontece de forma espontânea e coletiva.
Ao final da jornada, ficou a certeza de que a literatura cresce quando encontra quem a cultive. A Casa Paraná mostrou a força de um Estado que acredita em seus escritores. A Casa Gueto lembrou que a bibliodiversidade floresce quando editoras independentes, autores e leitores caminham juntos. E Paraty, mais uma vez, provou que algumas cidades têm o dom de transformar palavras em encontros — e encontros em sementes capazes de atravessar o tempo.
Confira como foi a programação da Casa Paraná 2026: https://www.coletivomarianas.com/casa-paraná-2026
Sobre o Coletivo Marianas:
O Coletivo Marianas é um grupo feminista de escritoras e artistas fundado em 2014 na cidade de Curitiba/PR por Andréia Carvalho Gavita. Nossa missão é fortalecer a presença e a identidade das mulheres na literatura e nas artes. Nosso nome homenageia Mariana Coelho (1857-1954), intelectual, educadora e pioneira do feminismo em Curitiba, onde atuou como defensora da emancipação feminina e do acesso das mulheres à educação. Seu legado inspira diretamente nossa luta.
Nossa atuação se baseia em uma agenda regular de eventos, como rodas de poesia (Letra de Mulher), encontros de narrativa (Prosa de Mulher) e oficinas, além da participação ativa em feiras e eventos literários para distribuir os livros de nossas integrantes. Todas essas ações são dedicadas a promover e valorizar a produção literária e artística de mulheres.
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