Forbes Under 30: por que Jéssica Iancoski é um nome para ficar de olho

Foto: Jéssica Iancoski
(Divulgação: Jéssica Iancoski)

Uma poeta que acredita no poder das palavras

Quando a Forbes Brasil divulgou a lista Under 30 de 2025, um nome chamou a atenção na categoria Música & Literatura: Jéssica Iancoski, 29 anos, editora, poeta, designer e articuladora cultural curitibana. A revista destacou que ela escreve porque acredita que “as palavras liberam futuros” e defende que a escrita é “uma forma de abrir possibilidades, de deslocar narrativas fixas e de criar existências possíveis”. Não por acaso, sua autora favorita é Conceição Evaristo, que inspira muitos dos diálogos decoloniais presentes em seus livros.

Editora‑ONG pioneira

Jéssica fundou a Toma Aí Um Poema (TAUP), primeira editora no modelo ONG do Brasil. À frente da iniciativa, ela publicou mais de 2 000 autores, muitos deles de grupos historicamente marginalizados, e produziu mais de 1 500 poemas audiovisuais que somam cerca de 1 milhão de acessos. O empreendimento, que começou com campanhas de pré‑venda e financiamento coletivo, já faturou mais de R$ 1 milhão no mercado editorial, provando que é possível unir sustentabilidade financeira e impacto social. Para a Forbes, a TAUP “revolucionou o mercado” ao priorizar inclusão e bibliodiversidade.

A editora‑ONG funciona com modelo colaborativo: autores pagam apenas após recuperarem os custos de produção, e cada lançamento financia o próximo. O catálogo reúne poemas, contos e ensaios de mulheres, pessoas LGBTQIA+, autores negros, indígenas e neurodivergentes. Essa estratégia transformou a TAUP em referência para quem busca alternativas às grandes editoras e busca “abrir futuros” por meio do livro.

Trajetória premiada

Além do reconhecimento da Forbes, Jéssica acumula premiações importantes. Ela recebeu o Prêmio Candango de Literatura, do Governo do Distrito Federal, pelo projeto gráfico de As Laranjas de Alice Mazela, e venceu o Prêmio Sérgio Mamberti, concedido pelo Ministério da Cultura, como agente de cultura viva LGBTQIA+. Em 2022, foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria Poesia com o livro A Pele da Pitanga; a obra, que aborda identidade e memória a partir da metáfora da fruta nativa, ganhou projeto de distribuição gratuita em escolas curitibanas graças a um edital da Fundação Cultural de Curitiba.

Sua atuação vai além dos livros. Formada em Letras pela Universidade Federal do Paraná e em Psicologia pela PUCPR, com especializações em Gestão de Projetos e Negócios, ela coordena projetos literários, ministra oficinas de criação poética e de design editorial e é curadora do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba. Em 2025, a TAUP também se tornou patrocinadora oficial da FLAAM, uma das maiores feiras literárias do interior paulista, ampliando a visibilidade de escritores independentes.

Por que ficar de olho

A indicação ao Under 30 da Forbes é mais do que um selo de prestígio: é um reconhecimento a uma trajetória que une criatividade artística e gestão inovadora. Jéssica mostra que é possível viver de literatura no Brasil quando se aposta em modelos de negócio solidários, na inclusão de vozes diversas e na criação de comunidades de leitores e autores. Seu compromisso com a frase de abertura — “as palavras liberam futuros” — materializa‑se nas oficinas gratuitas que oferece, nos livros que circulam em escolas públicas e nas mídias digitais onde a poesia encontra novos públicos.

Para quem acompanha a cena literária contemporânea, o nome de Jéssica Iancoski deve continuar no radar. Ela está preparando novas antologias — como a erótica Verve Lasciva (2026), organizada com Mabelly Venson, que reúne 102 poetas e propõe que a palavra “não descreve o desejo, ela o pratica” — e novas edições do Prêmio Literário da Cidade de Curitiba. Em tempos de algoritmos e mercados concentrados, sua editora‑ONG prova que a literatura ainda pode ser espaço de partilha, insurgência e transformação social.

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