Antologia Feminina de Poesia: Na Força e No Grito, Na Palavra Persistimos

Na Fe no Grito, Na Palavra Persistimos é uma antologia de poesia composta por 33 mulheres, organizada por Toma Aí Um Poema.

Número de páginas: 140

Idioma: português

ISBN: 978-65-81362-06-5

Autoras

Flavia Ferrari

Raquel Machado

Adriana Teixeira Simoni

Géssica Menino

Neusa Doretto

Ema Melo

Lilly Magaflor

Agnes Izumi Nagashima

Brisa Araújo de Souza

Jeniffer Pereira

Letícia Moreira

Giulia Rink Pires

Nicole Micaldi

Solange Soares

Mariana Xavier

Flavia Redman

Nirlei Maria Oliveira

Maria Magdala

Perpétua Amorim

Belise Campos

Rafaela Souza Leão

Vanessa Slupko

L.NÊS

Mariana Godoy

Maria de Fátima Fonseca

Roberta F.S. Gonçalves

Laura Lam

Soraia Torres

Sonia Regina Rocha Rodrigues

Rosa Acassia Luizari

Susan G.

Marta Cortezão

Jéssica Iancoski

Sobre

O que querem as mulheres?

 

Quantas vezes ouvimos esta pergunta. Em forma de piada, pergunta sem resposta, filme de comédia. Quanto não saber caberia em qualquer consideração. 

 

O que nós, mulheres, temos em comum? Temos coletivos, adjetivos, desejos e ódios que podemos expressar. Mas há um tanto que não é dito, silenciado, adormecido, experiências muitas que não encontram imagens ou palavras. E eis que a arte nos atravessa e nos torna autoras, vivas e sobreviventes, para além do tempo e de qualquer espaço que insistimos em não caber.

 

Como humanidade, convivemos com as faltas, as lacunas, as frestas estruturais que nos machucam, mas não conseguem nos fazer parar de insistir em nossos caminhos. Muitos desses ainda fechados e restritos a nós, mulheres que somos. Sentimos fortemente os vetos, embora velados. 

 

Mas seja na força, no grito ou na palavra, persistimos. Há muitos mundos possíveis, referenciados em cada palavra poética, em cada manifestação artística. Quanto mais pudermos viver e celebrar os nossos nós através da arte, mais enraizadas estaremos. E assim, entre nós, formamos nossa teia.

 

Mulheres trans, cis, mulheres com ou sem útero, mulheres que menstruam ou não, mulheres com ou sem vulva. Quanta arte faz uma mulher! Somos muitas, múltiplas, uma imensidão. E aqui, nesta antologia, apresentamos algumas de nossas vozes.

Flavia Ferrarri

 

 

5 Poemas da Antologia


Flavia Ferrari – Interrogações

O que diria

A cena ainda não vista

De improviso

No ato da estreia

 

O que nos caberia

Espectadores que somos

Sem as expectativas que perdemos

Apenas plateia silenciosa

 

O que nos resta

No espetáculo de horror

Figurantes na dor alheia

Atingidos em cheio

Todos alvos

No momento oportuno


Marta Cortezão – Santuário

 

Há ratos em meu porão

Eu sei

Não nego

Mas são eles 

Que, do barco,

Aprumam o timão 

 

Há pulcros conventos

em meu porão

guardado por cães infernais

mas sagradamente devassos

eu sei 

Meu barco

singra fios líquidos e abissais

na imensidão

 

Há desertos 

córregos de doces águas

plenos de ilusão

Há ratos, cães

estreitos caminhos

:santuário 

onde me recolho

oráculo e solidão.


Adriana Teixeira Simoni – Descobrimento e Luta

 

A culpa é do espelho

Ou então do fogo

Muita gente só se revela

Quando chegada ao poder

Esquece à volta

Ignora a revolta

Mata a sede da vida com fome

Apaga a importância do que educa e alimenta

Incita o ódio, a matança e a queimada

Só pra encher as burras de dinheiro

Ninguém pede pra nascer

Muita gente morre sem saber

Democracia não é o prato principal

Quando o país tem genocida no poder.

Quebra esse espelho, essa arma

Queima esse voto engodo, temperado no ódio

Pensa, antes de botar no poder qualquer Joça

Não dê asas alimentando traça

Tá na hora, tá na veia

Tem no hino e na bandeira

Tira logo essa desgraça

Que de golpe quer ficar

Pra com a vaidade e fanfarrice

Um país desmoralizar

Tu que é povo te acorda

Sai da rede pega tua garra

Mostra a tua cara e tua gana

Derruba agora essa porra!


Lilly Magaflor – Noite de Névoa

 

Eu gosto da leveza de 

uma noite de névoa.

Do riso soltado.

Da mente vazia e o 

corpo flutuante.

Gosto da leveza de uma noite 

de névoa.

Memória embranquecida.

Controle abandonado.

Consciência entregue.

Que haja a lua,

que venham estrelas.

Que até brilhe a lagoa…

Eu gosto mesmo 

é da leveza de uma noite de névoa.


Nirlei Maria Oliveira – Fazeres 

 

dias iguais e iguais dias 

sem a cavalaria  

para salvar 

panelas pratos e copos 

à beira

 do precipício

na segunda-feira

 com restos

de domingo e insônia 

 

quase inverno

frio demais

para molhar as mãos

volto a dormir e cubro a cabeça

bom senso ou fuga?

as duas opções

me agradam

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