Vale investir em assessoria de imprensa para divulgar poesia?

Às vezes, sim — e pode ser um divisor de águas. Mas, para poesia, o investimento só “vale” quando você entende o que a assessoria de imprensa faz (e o que não faz), escolhe um recorte de pauta que interesse a veículos e monta um plano com metas realistas. Assessoria de imprensa não é mágica e não é anúncio: ela trabalha com relacionamento com a mídia e com a construção de pautas que possam virar matéria, entrevista, nota, resenha ou agenda cultural.

A pergunta certa, então, não é “vale?” — é: para qual objetivo, em qual momento, com qual livro, e com qual contrapartida concreta?

Imagem de Thomas Wolter por Pixabay
Imagem de Thomas Wolter por Pixabay

O que uma assessoria de imprensa realmente entrega

De modo bem objetivo, a assessoria atua para transformar seu livro (e você) em pauta: define ângulos, prepara release/press kit, escolhe veículos e editorias, faz contato com jornalistas, organiza entrevistas e acompanha o que saiu, reunindo isso em clipping/relatórios.

Isso importa porque poesia raramente “se vende sozinha” em mídia grande apenas por existir. Ela precisa virar conversa pública: tema, recorte, trajetória, contexto, projeto social/educacional, território, linguagem, experimentação, edição, performance — alguma porta de entrada jornalística.


O que assessoria de imprensa NÃO pode prometer

Aqui mora o erro que mais frustra autores: assessoria não controla a publicação. Ela pode sugerir pauta, insistir com elegância, oferecer material perfeito, mas o “sim” depende do interesse do jornalista e da editoria.

Por isso, desconfie de promessas do tipo:

  • “garantimos matéria em veículo X”
  • “garantimos entrevista em TV”
  • “garantimos viralização”

O trabalho sério fala em probabilidade, estratégia, lista de alvos e execução, não em garantia.


Quando costuma valer a pena para poesia

Há alguns cenários em que assessoria tende a ter mais retorno (financeiro ou simbólico):

1) Você tem um “gancho” forte de pauta
Ex.: poesia + tema contemporâneo (direitos, cidade, trabalho, maternidade, corpo, território), um projeto educativo, pesquisa, coletânea com recorte social, ou uma proposta estética rara (livro-objeto, poesia visual, acessibilidade). A lógica é: livro vira assunto — e assunto vira matéria.

2) Você vai fazer circulação (lançamentos, feiras, oficinas)
Imprensa funciona melhor quando existe agenda: evento, temporada, circuito. Isso facilita agenda cultural e entrevistas.

3) Você precisa de validação institucional
Para abrir porta em escola/universidade, projetos, editais e parcerias, imprensa pode ajudar na credibilidade (não como “status”, mas como prova social organizada).

4) Você quer construir carreira, não só “vender o livro da vez”
Assessoria de imprensa funciona melhor quando vira construção de posicionamento: você como autora, pesquisadora, mediadora cultural, editora, etc.


Quando geralmente NÃO vale (ou vale fazer diferente)

1) Seu livro está sem “pauta” além de “lançamento”
“Lancei um livro” raramente é notícia por si só. Para poesia, o recorte precisa ser mais inteligente do que o fato de existir.

2) Você está sem estrutura de conversão
Se sair uma matéria e a pessoa não encontra: link de compra simples, release no site, redes ativas, agenda, newsletter/WhatsApp, você perde o efeito. A assessoria traz tráfego e atenção — mas alguém precisa receber isso.

3) Seu orçamento é muito curto e você precisa escolher “uma coisa só”
Às vezes compensa mais investir em: boas fotos, capa, site, tráfego local para lançamento, ou uma microcampanha bem feita — e fazer “imprensa artesanal” (pitch direcionado) por conta própria.


Quanto custa (e como não cair em armadilha de preço)

Não existe tabela única, mas é comum encontrar serviços mensais na casa de alguns milhares de reais, variando por cidade, experiência, escopo e intensidade do trabalho. Há fontes no mercado citando faixas aproximadas em torno de R$ 3.000 a R$ 6.000/mês em grandes capitais, e projetos mais robustos podem passar disso conforme demanda e complexidade.

O ponto não é “barato vs. caro”. É escopo vs. objetivo.


O que exigir num contrato/proposta de assessoria (para autora/poeta)

Antes de fechar, peça clareza sobre:

  • Período mínimo (1 mês quase sempre é pouco; poesia costuma precisar de tempo de maturação de pauta)
  • Lista de veículos-alvo (e por quê esses)
  • Entregáveis: release, press kit, fotos, media training, agendamento, clipping e relatório
  • Rotina de aprovação (o texto do release passa por você; isso é recomendado em manuais institucionais)
  • Como será medido sucesso (clipping, convites, agenda, pedidos de exemplares, tráfego, crescimento de mailing)
  • Limites do trabalho (ex.: assessoria não faz tráfego pago; ou não faz redes; ou não produz vídeo)

Se você não consegue enxergar “o que acontece todo dia” nesse serviço, a chance de frustração aumenta.


Como criar pauta para poesia (sem virar “explicação escolar do livro”)

Poesia ganha imprensa quando é apresentada como:

  • uma conversa com o tempo (tema social, afetivo, político, urbano)
  • um gesto estético (linguagem, forma, experimento)
  • um acontecimento (evento, performance, oficina, clube de leitura)
  • uma ponte com comunidade (territórios, coletivos, bibliotecas, escolas)
  • uma história humana (trajetória da autora, bastidores do livro, projeto editorial)

E uma dica que funciona muito: não mire só editoria de cultura. Dependendo do tema, a pauta pode ir para comportamento, educação, cidade, saúde mental, diversidade, etc.


Como aumentar o “ROI” da assessoria (mesmo quando o objetivo não é só vender)

Pense em assessoria como uma peça do funil, não como o funil inteiro:

  1. Imprensa / mídia espontânea (atenção e credibilidade)
  2. Casa organizada (site, link de compra, media kit, agenda)
  3. Captura (newsletter/WhatsApp: “receba poemas + agenda”)
  4. Conversão (lançamentos, feiras, oficinas, vendas diretas)

Sem o passo 2 e 3, você até pode aparecer — mas não sustenta o efeito.


Alternativas mais baratas (se você ainda não pode investir)

Se hoje assessoria mensal não cabe, você pode montar um plano “semi-profissional” com custo bem menor:

  • Press kit básico (bio curta + sinopse + capa + fotos + contatos)
  • Release enxuto com 2–3 ângulos de pauta
  • Lista pequena e realista de alvos (10–30 contatos bem escolhidos)
  • Oferta de exemplar + disponibilidade para entrevista
  • Conteúdo próprio no seu blog e recortes para redes
  • Parcerias: bibliotecas, coletivos, clubes de leitura, eventos locais

E, se possível, contrate por projeto (ex.: lançamento + 30 dias) com entregáveis claros.


Conclusão: vale, desde que você compre a estratégia — não a promessa

Investir em assessoria de imprensa para divulgar poesia vale quando:

  • você tem pauta (não só “lançamento”),
  • tem agenda (evento, circulação, ações),
  • tem estrutura de conversão,
  • e fecha um serviço com escopo claro, sem “garantia de matéria”.

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