Um media kit de autora é, ao mesmo tempo, um documento simples e uma chave poderosa: ele facilita convites, entrevistas, resenhas, participação em feiras, palestras, clubes de leitura, eventos em escolas e universidades — e também ajuda jornalistas, mediadores e criadores de conteúdo a falar sobre você com precisão, sem adivinhação.
E aqui está o ponto que muita gente ignora: um bom media kit não precisa ser “frio”. Ele pode ser profissional e humano. Pode ter objetividade e afeto. Pode apresentar números (quando existem) e, ao mesmo tempo, preservar a sua voz. O objetivo não é parecer uma marca. É permitir que a sua obra circule com clareza.
Abaixo está um guia prático, pensado especialmente para quem publica de forma independente e quer um material pronto para enviar com segurança.

O que é (de verdade) um media kit?
Media kit é um pacote de informações e materiais que alguém consegue usar rapidamente para divulgar seu trabalho. Idealmente, em 5 minutos a pessoa já sabe: quem você é, o que escreve, sobre o que é o livro, como falar com você, onde encontrar materiais e qual recorte de imprensa já existe.
Ele pode ser um PDF bonito, uma página no seu site, ou um drive organizado. O importante é: ser fácil de abrir, fácil de ler e fácil de copiar/colar.
O “pulo do gato”: pense em quem vai usar
Jornalistas e curadores trabalham com pouco tempo. Criadores de conteúdo recebem muitas mensagens. Bibliotecárias e professoras precisam de material pronto para aprovar internamente. Um media kit bom é aquele que diminui o esforço do outro lado.
Por isso, seu kit precisa ter:
- informações essenciais em texto (para copiar);
- imagens em boa qualidade (para publicar);
- links organizados (para checar rápido);
- um tom que explique a obra sem exagero.
Agora vamos ao conteúdo.
1) Bio: curta, média e longa (sim, as três)
A maioria das pessoas erra aqui: ou escreve uma bio gigante e confusa, ou escreve algo genérico que não diz nada.
O ideal é ter três versões, prontas para diferentes situações:
Bio curta (2–3 linhas)
Para legenda, release rápido, evento, e-mail de convite.
Bio média (6–8 linhas)
Para sites de festivais, orelha, páginas de livraria, apresentações.
Bio longa (12–15 linhas)
Para imprensa, editais, mediação, curadorias.
O que não pode faltar na bio (em qualquer tamanho):
- seu nome como você assina;
- o que você é (poeta, escritora, editora, etc.);
- 1–2 destaques reais (prêmios, livros, projeto relevante);
- território (cidade/estado) quando fizer sentido;
- foco temático/estético (uma frase que diga sua “pegada”);
- o que você faz além de publicar (oficinas, mediação, projetos).
E um detalhe: deixe um toque humano, mas sem virar diário. Algo simples como “pesquisa poesia e memória”, “trabalha com literatura e acessibilidade”, “atua na formação de leitores”, “seu trabalho atravessa corpo e território”. Isso dá textura.
2) Fotos: o mínimo necessário (para ninguém te pedir de novo)
Separar boas fotos evita a pergunta eterna: “você tem uma foto em alta?”
Inclua:
- 1 retrato principal (vertical, bem iluminado, fundo simples);
- 1 foto mais natural (sorrindo ou em ambiente de trabalho);
- 1 foto em ação (palestra, sarau, oficina — se tiver);
- opcional: capa do livro + você com o livro.
Dicas práticas:
- fotos em alta resolução (idealmente acima de 2000px no lado maior);
- envie em JPG (para uso rápido) e, se quiser, uma versão PNG;
- nomeie os arquivos:
NOME_AUTORA_RETRATO_01.jpgetc.
3) Sinopse: uma versão “de orelha” e uma “de imprensa”
Sinopse para media kit não é a mesma coisa que a sinopse do site. Aqui, você precisa oferecer duas opções:
Sinopse curta (até 600 caracteres)
Boa para legenda e divulgação em redes, newsletters e chamadas rápidas.
Sinopse completa (1.200–1.800 caracteres)
Boa para imprensa, festivais, livrarias, releases.
O foco da sinopse de media kit é:
- o que é o livro (gênero/formato);
- quais temas atravessa;
- qual experiência de leitura propõe;
- por que ele importa (sem “prometer mudar a vida”).
Evite adjetivos vazios (“imperdível”, “emocionante”, “único”) e prefira imagens concretas (“um livro que percorre…”, “poemas que tensionam…”, “uma escrita marcada por…”).
4) Dados técnicos do livro (a parte que salva a vida de quem divulga)
Inclua uma ficha simples:
- título;
- autora;
- editora (se houver);
- ano;
- número de páginas;
- formato (ex.: 14×21 cm);
- acabamento (brochura, costura, etc.);
- ISBN (se tiver);
- gênero (poesia, prosa poética, etc.);
- onde comprar (link);
- preço sugerido (opcional, mas ajuda).
Isso vira copy/paste para qualquer release.
5) Contatos: claros, diretos, sem caça ao tesouro
No topo do media kit, deixe:
- e-mail de contato (um só, de preferência);
- WhatsApp (se você usa para trabalho);
- Instagram/TikTok/site;
- cidade/estado;
- disponibilidade para entrevistas/eventos (uma linha).
E se você tem assessoria, inclua contato da pessoa.
6) Links: organize por função (não por ansiedade)
Uma seção de links que funciona:
- Link de compra do livro
- Site/portfólio
- Redes sociais
- Book trailer/teaser (se existir)
- Leituras ao vivo / vídeos
- Podcast/entrevistas
- Clipping / matérias
- Drive com fotos e capa em alta
Evite colocar 30 links sem contexto. O ideal é 8–12, bem escolhidos.
7) Recortes de imprensa (clipping): pouco e bom
Se você tem matérias, coloque:
- título da matéria;
- veículo;
- data;
- link;
- 1 frase de destaque (sem exagero).
Se você ainda não tem imprensa: tudo bem. Você pode colocar:
- resenhas de clubes de leitura;
- depoimentos de mediadores;
- participações em eventos;
- prêmios/seleções;
- números relevantes (quando forem verdadeiros e úteis).
Mas atenção: media kit não é currículo acadêmico. É material de comunicação.
8) “Ângulos” sugeridos: ajude quem vai te entrevistar
Essa é uma das partes mais valiosas e quase ninguém faz. Inclua 4–6 tópicos do tipo:
- temas que você aborda com frequência;
- perguntas boas para entrevista;
- recortes possíveis para matéria;
- relações com território, pesquisa, linguagem.
Exemplo de ângulos:
- poesia como memória e arquivo afetivo;
- escrita e corpo: linguagem como experiência;
- publicação independente e democratização do livro;
- poesia e acessibilidade/educação;
- bastidores do processo: do manuscrito ao livro.
Isso faz seu kit “virar pauta” com facilidade.
9) Mini “release” pronto (opcional, mas excelente)
Um parágrafo de 6–10 linhas, em tom de notícia:
- “lança”, “publica”, “circula”, “realiza oficina”, “participa de”.
Esse texto ajuda muito jornalistas e curadores. E você pode atualizar a cada lançamento.
Formato recomendado (para 2026, sem dor de cabeça)
O combo mais eficiente:
- PDF de 2 a 4 páginas (bem limpo, fácil de ler no celular);
- Pasta no Drive com fotos e capa em alta + arquivos essenciais;
- Opcional: página no site com as mesmas informações (ótimo para SEO).
E lembre: o melhor media kit é aquele que você consegue atualizar sem sofrimento.
Checklist rápido do media kit (copie e cole)
- Bio curta (2–3 linhas)
- Bio média (6–8 linhas)
- Bio longa (12–15 linhas)
- 3–5 fotos em alta (nomeadas)
- Capa do livro em alta (frente e, se possível, mockup)
- Sinopse curta
- Sinopse completa
- Ficha técnica do livro (páginas, formato, ISBN, etc.)
- Links organizados (compra, redes, site, vídeos)
- Contato principal (e-mail + WhatsApp opcional)
- Clipping (matérias/resenhas)
- Ângulos sugeridos para entrevista/pauta
- Release pronto (opcional)