Como montar um media kit de autora: profissional e humano (bio, fotos, sinopse, contatos, links e recortes de imprensa)

Um media kit de autora é, ao mesmo tempo, um documento simples e uma chave poderosa: ele facilita convites, entrevistas, resenhas, participação em feiras, palestras, clubes de leitura, eventos em escolas e universidades — e também ajuda jornalistas, mediadores e criadores de conteúdo a falar sobre você com precisão, sem adivinhação.

E aqui está o ponto que muita gente ignora: um bom media kit não precisa ser “frio”. Ele pode ser profissional e humano. Pode ter objetividade e afeto. Pode apresentar números (quando existem) e, ao mesmo tempo, preservar a sua voz. O objetivo não é parecer uma marca. É permitir que a sua obra circule com clareza.

Abaixo está um guia prático, pensado especialmente para quem publica de forma independente e quer um material pronto para enviar com segurança.

Foto de <a href="https://unsplash.com/pt-br/@stacysuxx?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Stacy</a> na <a href="https://unsplash.com/pt-br/fotografias/livro-aberto-com-vela-e-anis-estrelado-em-tecido-branco-s-Q_gleRB4g?utm_source=unsplash&utm_medium=referral&utm_content=creditCopyText">Unsplash</a>

O que é (de verdade) um media kit?

Media kit é um pacote de informações e materiais que alguém consegue usar rapidamente para divulgar seu trabalho. Idealmente, em 5 minutos a pessoa já sabe: quem você é, o que escreve, sobre o que é o livro, como falar com você, onde encontrar materiais e qual recorte de imprensa já existe.

Ele pode ser um PDF bonito, uma página no seu site, ou um drive organizado. O importante é: ser fácil de abrir, fácil de ler e fácil de copiar/colar.

O “pulo do gato”: pense em quem vai usar

Jornalistas e curadores trabalham com pouco tempo. Criadores de conteúdo recebem muitas mensagens. Bibliotecárias e professoras precisam de material pronto para aprovar internamente. Um media kit bom é aquele que diminui o esforço do outro lado.

Por isso, seu kit precisa ter:

  • informações essenciais em texto (para copiar);
  • imagens em boa qualidade (para publicar);
  • links organizados (para checar rápido);
  • um tom que explique a obra sem exagero.

Agora vamos ao conteúdo.

1) Bio: curta, média e longa (sim, as três)

A maioria das pessoas erra aqui: ou escreve uma bio gigante e confusa, ou escreve algo genérico que não diz nada.

O ideal é ter três versões, prontas para diferentes situações:

Bio curta (2–3 linhas)
Para legenda, release rápido, evento, e-mail de convite.

Bio média (6–8 linhas)
Para sites de festivais, orelha, páginas de livraria, apresentações.

Bio longa (12–15 linhas)
Para imprensa, editais, mediação, curadorias.

O que não pode faltar na bio (em qualquer tamanho):

  • seu nome como você assina;
  • o que você é (poeta, escritora, editora, etc.);
  • 1–2 destaques reais (prêmios, livros, projeto relevante);
  • território (cidade/estado) quando fizer sentido;
  • foco temático/estético (uma frase que diga sua “pegada”);
  • o que você faz além de publicar (oficinas, mediação, projetos).

E um detalhe: deixe um toque humano, mas sem virar diário. Algo simples como “pesquisa poesia e memória”, “trabalha com literatura e acessibilidade”, “atua na formação de leitores”, “seu trabalho atravessa corpo e território”. Isso dá textura.

2) Fotos: o mínimo necessário (para ninguém te pedir de novo)

Separar boas fotos evita a pergunta eterna: “você tem uma foto em alta?”

Inclua:

  • 1 retrato principal (vertical, bem iluminado, fundo simples);
  • 1 foto mais natural (sorrindo ou em ambiente de trabalho);
  • 1 foto em ação (palestra, sarau, oficina — se tiver);
  • opcional: capa do livro + você com o livro.

Dicas práticas:

  • fotos em alta resolução (idealmente acima de 2000px no lado maior);
  • envie em JPG (para uso rápido) e, se quiser, uma versão PNG;
  • nomeie os arquivos: NOME_AUTORA_RETRATO_01.jpg etc.

3) Sinopse: uma versão “de orelha” e uma “de imprensa”

Sinopse para media kit não é a mesma coisa que a sinopse do site. Aqui, você precisa oferecer duas opções:

Sinopse curta (até 600 caracteres)
Boa para legenda e divulgação em redes, newsletters e chamadas rápidas.

Sinopse completa (1.200–1.800 caracteres)
Boa para imprensa, festivais, livrarias, releases.

O foco da sinopse de media kit é:

  • o que é o livro (gênero/formato);
  • quais temas atravessa;
  • qual experiência de leitura propõe;
  • por que ele importa (sem “prometer mudar a vida”).

Evite adjetivos vazios (“imperdível”, “emocionante”, “único”) e prefira imagens concretas (“um livro que percorre…”, “poemas que tensionam…”, “uma escrita marcada por…”).

4) Dados técnicos do livro (a parte que salva a vida de quem divulga)

Inclua uma ficha simples:

  • título;
  • autora;
  • editora (se houver);
  • ano;
  • número de páginas;
  • formato (ex.: 14×21 cm);
  • acabamento (brochura, costura, etc.);
  • ISBN (se tiver);
  • gênero (poesia, prosa poética, etc.);
  • onde comprar (link);
  • preço sugerido (opcional, mas ajuda).

Isso vira copy/paste para qualquer release.

5) Contatos: claros, diretos, sem caça ao tesouro

No topo do media kit, deixe:

  • e-mail de contato (um só, de preferência);
  • WhatsApp (se você usa para trabalho);
  • Instagram/TikTok/site;
  • cidade/estado;
  • disponibilidade para entrevistas/eventos (uma linha).

E se você tem assessoria, inclua contato da pessoa.

6) Links: organize por função (não por ansiedade)

Uma seção de links que funciona:

  • Link de compra do livro
  • Site/portfólio
  • Redes sociais
  • Book trailer/teaser (se existir)
  • Leituras ao vivo / vídeos
  • Podcast/entrevistas
  • Clipping / matérias
  • Drive com fotos e capa em alta

Evite colocar 30 links sem contexto. O ideal é 8–12, bem escolhidos.

7) Recortes de imprensa (clipping): pouco e bom

Se você tem matérias, coloque:

  • título da matéria;
  • veículo;
  • data;
  • link;
  • 1 frase de destaque (sem exagero).

Se você ainda não tem imprensa: tudo bem. Você pode colocar:

  • resenhas de clubes de leitura;
  • depoimentos de mediadores;
  • participações em eventos;
  • prêmios/seleções;
  • números relevantes (quando forem verdadeiros e úteis).

Mas atenção: media kit não é currículo acadêmico. É material de comunicação.

8) “Ângulos” sugeridos: ajude quem vai te entrevistar

Essa é uma das partes mais valiosas e quase ninguém faz. Inclua 4–6 tópicos do tipo:

  • temas que você aborda com frequência;
  • perguntas boas para entrevista;
  • recortes possíveis para matéria;
  • relações com território, pesquisa, linguagem.

Exemplo de ângulos:

  • poesia como memória e arquivo afetivo;
  • escrita e corpo: linguagem como experiência;
  • publicação independente e democratização do livro;
  • poesia e acessibilidade/educação;
  • bastidores do processo: do manuscrito ao livro.

Isso faz seu kit “virar pauta” com facilidade.

9) Mini “release” pronto (opcional, mas excelente)

Um parágrafo de 6–10 linhas, em tom de notícia:

  • “lança”, “publica”, “circula”, “realiza oficina”, “participa de”.

Esse texto ajuda muito jornalistas e curadores. E você pode atualizar a cada lançamento.

Formato recomendado (para 2026, sem dor de cabeça)

O combo mais eficiente:

  1. PDF de 2 a 4 páginas (bem limpo, fácil de ler no celular);
  2. Pasta no Drive com fotos e capa em alta + arquivos essenciais;
  3. Opcional: página no site com as mesmas informações (ótimo para SEO).

E lembre: o melhor media kit é aquele que você consegue atualizar sem sofrimento.


Checklist rápido do media kit (copie e cole)

  • Bio curta (2–3 linhas)
  • Bio média (6–8 linhas)
  • Bio longa (12–15 linhas)
  • 3–5 fotos em alta (nomeadas)
  • Capa do livro em alta (frente e, se possível, mockup)
  • Sinopse curta
  • Sinopse completa
  • Ficha técnica do livro (páginas, formato, ISBN, etc.)
  • Links organizados (compra, redes, site, vídeos)
  • Contato principal (e-mail + WhatsApp opcional)
  • Clipping (matérias/resenhas)
  • Ângulos sugeridos para entrevista/pauta
  • Release pronto (opcional)

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *