Melhores Capas 2025: análise da capa de As Crianças, de Luiz Felipe Leprevost (capista Jéssica Iancoski)

As Crianças, de Luiz Felipe Leprevost

Entre as Melhores Capas 2025 destaca-se a do livro As Crianças, de Luiz Felipe Leprevost, assinada pela capista Jéssica Iancoski. O impacto visual é imediato: um fundo azul profundo contrasta com letras brancas do título, que parecem derreter-se em finos filetes. Essa combinação simples mas poderosa capta logo de cara a atmosfera poética da obra, fazendo a edição saltar das prateleiras físicas e virtuais. É uma capa original e elegante, que mistura delicadeza e curiosidade desde o primeiro olhar.

Na composição, a tipografia do título AS CRIANÇAS impressiona por um efeito lúdico de derretimento: a base das letras flui em traços irregulares para baixo, como se o tempo dissolvesse lentamente cada palavra. A imagem lembra nuvens que se desfazem ou gotas que descem, simbolizando a efemeridade da infância e das lembranças. Chama também atenção uma pequena formiga azul minúscula, quase escondida entre as letras — o selo “praga” da editora. Esse inseto delicado ganha caráter simbólico ao remeter à curiosidade infantil: algo insignificante para o adulto torna-se fascinante na infância. A presença da formiga sugere a atenção aos mínimos detalhes do cotidiano, reforçando poeticamente que no livro cada coisinha – uma formiga, um gesto simples – carrega emoção e memória. De forma que o selo editorial, passa a compor a capa também.

O contraste cromático reforça o clima da capa. O azul intenso do fundo transmite serenidade e introspecção, enquanto o branco das letras sugere pureza e simplicidade. Juntos, esses tons equilibram sobriedade e doçura, espelhando o tom reflexivo das crônicas. Segundo a psicologia das cores, o azul inspira calma e confiança, ideal para um livro que mergulha nas lembranças da infância, e o branco destaca-se com elegância sobre o fundo, em harmonia com o conceito minimalista. Essa paleta sofisticada confere à capa um ar clássico e moderno ao mesmo tempo, o que ajuda o volume a ser notado sem apelar para imagens óbvias.

A estética da capa conversa diretamente com o conteúdo do livro. As Crianças é descrito como “coletânea de crônicas-poemas e memórias, unidos pelo tema da infância e das relações familiares” – um livro sensível e emocionante, que “convida à reflexão sobre a vida, o amor e a importância de valorizar os momentos simples”. O design de Jéssica Iancoski espelha essa delicadeza: minimalista, mas carregado de significado afetivo. O título derretido ilustra como as lembranças se dissipam com o tempo, enquanto a formiguinha simboliza a criança que vive dentro do adulto, sempre observadora do mundo. Como diz Leprevost, “carregamos muito do que fomos na infância”, e a capa traduz essa ideia de continuidade entre passado e presente. De modo geral, a arte gráfica não apenas ilustra o tema das crônicas, mas amplia sua mensagem poética.

No panorama editorial contemporâneo, esta capa sobressai pela ousadia e originalidade. Enquanto muitas publicações optam por imagens literais ou ilustrações genéricas, o design da capista Jéssica Iancoski aposta na sutileza e no conceito para atrair o leitor. Nas estantes reais ou nas vitrines on-line, o contraste de cores e a estranheza linda do título chamam atenção de imediato. Não é exagero dizer que, entre as possíveis Melhores Capas 2025, esta obra figura como forte candidata – um reconhecimento merecido ao talento de sua criadora. Em suma, o trabalho de Jéssica Iancoski valoriza não só o impacto visual, mas todo o teor afetivo das crônicas de Leprevost, colocando esta capa em destaque no design gráfico da literatura brasileira atual.

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