Quem já executou projeto cultural de publicação de livro sabe: a parte mais difícil nem sempre é escrever o projeto — é executar sem virar refém do Termo de Execução Cultural (TEC), do cronograma e do relatório final. E isso é especialmente verdadeiro em editais ligados à PNAB, porque a regra do jogo costuma ser clara: você não precisa fazer “mais bonito”, você precisa fazer “exatamente como foi pactuado”.
A boa notícia é que dá para deixar tudo mais leve se você entender três coisas desde o começo: (1) o TEC é um contrato de execução, (2) cronograma é prova de viabilidade e (3) relatório não é “redação” — é comprovação do objeto. Em muitos lugares, a prestação de contas pode ocorrer por relatórios como o Relatório de Objeto da Execução Cultural e, quando exigido, o Relatório Financeiro. Cultura Paraná

1) TEC: o que ele é (e como ler sem medo)
O Termo de Execução Cultural (TEC) é o instrumento que formaliza as obrigações entre poder público e agente cultural, definindo objeto, prazos e responsabilidades. Em minutas de TEC usadas em editais PNAB, ele aparece justamente como o documento que “formaliza o compromisso” e define as obrigações das partes. SECULT
Na prática, ao receber o TEC, leia como quem procura “armadilhas do cotidiano” (não como quem procura juridiquês). Os pontos que mais impactam projetos de livro costumam ser:
- Objeto: o que exatamente você prometeu entregar (livro impresso? e-book? lançamento? oficinas? doação para biblioteca? tiragem?).
- Prazo de execução e vigência: muitos TECs distinguem vigência do termo e prazo de execução do projeto (e isso muda sua janela de entrega). SECULT
- Regras de comunicação/menções: é comum haver obrigação de citar apoio institucional e usar marcas/creditagem em peças e produtos do projeto. Manuais de acompanhamento e prestação de contas reforçam a obrigatoriedade de menções e uso de marca nas peças de divulgação e produtos culturais. Storage Pro AC
- Possibilidade de pedido de complementação: durante a análise, pode haver solicitação de documentos/informações adicionais, com prazos para responder. Storage Pro AC
Uma dica muito prática: trate o TEC como um “mapa do que você precisa provar depois”. Se está no TEC, você precisa entregar e evidenciar.
2) Cronograma para publicação de livro: o que realmente precisa caber (sem fantasia)
O erro mais comum em projetos de livro é montar um cronograma “bonito”, mas irreal: revisão, diagramação, capa, ISBN, impressão, envio, lançamento, contrapartidas… tudo em poucas semanas. A consequência é execução atropelada e relatório frágil.
Para não se perder, pense no cronograma como três blocos (mesmo que o edital peça em tabela):
Pré-produção (organização e contratação)
Ajustes finais do original, contratação de revisão/preparação, definição de projeto gráfico, orçamento/contratação de gráfica, abertura de pasta de comprovações, definição de plano de comunicação e acessibilidade.
Produção (o livro nasce)
Revisão final + diagramação + provas, capa final, ISBN/ficha (se previsto no projeto), impressão, recebimento, conferência e registro (foto do recebimento, nota/contratos, check de tiragem).
Pós-produção (circulação e entrega do objeto)
Lançamento/ação de circulação (se houver), envio de exemplares, doações/contrapartidas, publicação do e-book (se previsto), registros finais e relatório.
O segredo é amarrar cada etapa do cronograma com uma evidência possível (foto, lista, link, arquivo final, comprovante, print). Isso reduz MUITO o pânico do “como vou provar depois?”.
3) Relatório: como transformar execução em prova (sem sofrimento)
Em muitos modelos e orientações, o Relatório de Objeto é obrigatório e tem prazo — por exemplo, há orientações de órgão estadual indicando entrega em até 30 dias após o fim da vigência do TEC, além de reforçar que a entrega é obrigatória. Cultura Paraná
O que costuma dar errado no relatório de projetos de livro não é “escrever mal”. É entregar um relato bonito, porém sem prova do cumprimento do objeto. A análise tende a verificar se o projeto foi executado “conforme descrito na proposta aprovada”, isto é: se o objeto foi cumprido. Cultura Paraná
Pense no relatório como um dossiê curto, organizado e verificável. Para publicação de livro, geralmente funciona muito bem provar:
- Que o livro foi produzido (arquivos finais, prova/miolo, fotos do impresso, tiragem, ficha técnica).
- Que as ações aconteceram (lançamento, oficinas, rodas, circulação — com registros e listas quando cabível).
- Que as contrapartidas foram cumpridas (doações, distribuição, disponibilização digital, acessibilidade).
- Que a comunicação institucional foi respeitada (peças com menções/marcas, prints de posts, banners, releases).
E um ponto que quase ninguém leva a sério até precisar: guarde tudo. Há manuais que orientam guardar documentos originais de comprovação por até 5 anos após a entrega da prestação de contas. Storage Pro AC
Checklist prático para não se perder (do “aprovada!” ao “relatório entregue”)
Antes de assinar / começar
- Salvar edital, anexos, proposta enviada e resultado em uma pasta única (com backup).
- Ler TEC marcando: objeto, prazos, entregas, menções obrigatórias, forma de prestação de contas. SECULT+1
- Montar “pasta de evidências” (subpastas: contratos, comunicação, fotos/vídeos, listas, arquivos finais, envios, contrapartidas).
- Converter o cronograma em uma lista de tarefas com datas reais (e folga).
Durante a execução (rotina semanal salva projetos)
- Registrar cada etapa com evidência simples (prints, fotos, PDFs, links).
- Guardar versões finais: capa, miolo, ficha técnica, arquivos de impressão.
- Guardar comprovações de circulação: convite, cartaz, lista de presença, fotos do evento, registros de rodas/oficinas.
- Checar menções obrigatórias e marcas em todo material de divulgação. Storage Pro AC
- Se algo mudar (prazo/forma/etapa), documentar e verificar no edital/TEC como proceder.
No fechamento (antes do prazo do relatório)
- Conferir se entregou tudo que está no objeto (não só “o livro”).
- Organizar evidências em ordem do cronograma (ajuda a banca a “ver o filme” do projeto).
- Separar links (drive, site, redes) e garantir que não estão restritos/privados.
- Entregar o Relatório de Objeto no prazo e formato exigidos (alguns órgãos reforçam prazo de 30 dias após vigência do TEC). Cultura Paraná
- Guardar tudo por longo prazo (há orientações de guarda por até 5 anos).